Lula não pode intervir em punição a militares, diz general

Juarez Cunha afirma que essa função não cabe ao presidente da República
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Juarez Cunha já foi presidente dos Correios | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Juarez Cunha já foi presidente dos Correios | Foto: José Cruz/Agência Brasil

O general Juarez Aparecido de Paula Cunha defendeu, na segunda-feira 23, a punição disciplinar e legal a militares que participaram dos atos de vandalismo nas sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro. Porém, ressaltou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não pode interferir em processos que busquem responsabilizar ou punir os militares.

Ao argumentar que não cabe ao governo petista ter gerência nesses casos, Cunha também criticou a suposta interferência política do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre as Forças Armadas. O Regulamento Disciplinar do Exército e o Estatuto das Forças Armadas vetam a participação de militares da ativa em manifestações políticas.

“Sobre a participação de militares nos atos de 08/01: deverão ser submetidos aos processos disciplinares e punidos conforme normas disciplinares ou legais”, escreveu o general. “Entretanto, não cabe ao governo interferir nesse processo. Já tivemos muita ingerência política no governo anterior.”

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No domingo 22, um dia depois da troca do comando de Exército, Juarez Cunha aconselhou os militares a respeitarem a Constituição e a cumprirem a missão institucional das Forças Armadas. “Amigos militares! Hora de reajustar o dispositivo e recompor as forças”, observou. “Disciplina é o nosso farol, a Constituição o guia, o respeito aos nossos chefes garantem o êxito na missão. Somos instituição de Estado, não partidária, não sujeita às turbulências da política partidária.”

O general foi demitido da presidência dos Correios por Bolsonaro, em junho de 2019, depois de assumir o cargo durante o governo de Michel Temer (MDB).

Punição aos militares 

O novo comandante do Exército, general Tomás Paiva, defendeu a punição exemplar a militares que participaram dos atos em Brasília. Segundo Lula, Paiva “pensa exatamente tudo” igual ao petista em relação às Forças Armadas.

O ministro da Defesa, José Múcio, segue a mesma linha do novo comandante. Segundo Múcio, os comandantes das Forças Armadas concordaram em abrir processos contra os militares que tiveram envolvimento nos atos de vandalismo registrados em Brasília.

“Os militares estão cientes e concordam que vamos tomar essas providências”, afirmou o ministro, ao sair de uma audiência no gabinete presidencial. “Evidentemente, no calor da emoção, a gente precisa ter cuidado, para que as acusações e as penas sejam justas. Tudo será providenciado em seu tempo.”

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31 comentários Ver comentários

  1. Interessante notar que os generais que hoje admitem punições aos seus pares, sob a alegação que as forças armadas são instituições de estado apolítica,como se ñ houvesse política até entre os próprios militares!Exerceram cargos no governo Bolsonaro á princípio,e posteriormente quando exonerados, independentemente do motivo ser justo ou ñ se tornaram críticos do governo em que foram nomeados!Revanchismo?

  2. Interessante notar que os generais que hoje admitem punições aos seus pares, sob a alegação que as forças armadas são instituições de estado apolítica,como se ñ houvesse política até entre os próprios militares!Exerceram cargos no governo Bolsonaro á princípio,e posteriormente quando exonerados, independentemente do motivo ser justo ou ñ se tornaram críticos do governo em que foram nomeados!Revanchismo?
    Á

  3. NÃO PODE? kkkkkk também diziam que Lula não saíria da cadeia, que não seria candidato, que não seria eleito. Assim como diziam e dizem que Alexandre de Moraes não pode um monte de coisa, mas mesmo assim faz e NINGUÉM PARA ELES. vcs generais militares são tão ingênuos, quando o dinheiro não os corrompe, são imbecis por natureza e foram promovidos de proposito pra destruirem a instituição por dentro. Independente da resposta essa estratégia dos marxistas está funcionando que é uma beleza, seus ingenuos generais dos SMURFS.

  4. Disciplina é o nosso farol, a Constituição o guia, o respeito aos nossos chefes garante o êxito na missão.

    Assim se expressou o general Juarez Cunha tudo em conformidade com o figurino próprio aos militares. A pergunta que não tem resposta por parte dos militares é aquela: e quando outro Poder não segue, desrespeita a Constituição, o que fazer? Somente alguns têm o dever de respeitá-la e fica por isso mesmo?

    1. Prezado Andre boa tarde,
      sou oficial da reserva da FAB e apesar de estar extremamente insatisfeito com o que ocorre no nosso Pais, com resignação lhe afirmo que sim..o General tem razao…nao se deve e nem se pode permitir a politização das FFAA no tocante ao pessoal da ativa…se um Poder se projeta sobre os demais causando desiquilibrio ha de haver (e ha) ferramentas(Congresso)para impedir o fato..nao cabe as FFAA qualquer movimento nesse sentido. Abç

  5. Onde está a democracia, os processos legais? Só vejo a democracia autoritáia do STF/TSE em favor dos seus “cumpanheiros”. O sistema se protegendo e aos seus intere$$es.

  6. Constituição o guia? Ele está falando de que país? Nesta zorra total intervir ou interferir não faz nenhuma diferença.

    1. Agora é só aguardar o desastre dessa administração nefasta, o país terá um retrocesso enorme, Lula é suas ideias ultrapassadas. Formou um ministério desqualificado exatamente o seu espelho. O povo agradece a omissão das FFAA, caminhamos p o socialismo, não enxerga quem não quer.

  7. Esta noite, ao assistir aos meus canais preferidos, só não me lembro se foi no @JornalBunker ou se foi n’O PROVOCADOR, onde aparece em um cartoon da “Foia de Seu Paulo”, o Capiroto Nove Dedos, no alto de sua rampa, apontando para seu general CuPinXa com uma brocha na mão (ou seria broxa?) e dizendo: “Está faltando pintar aquela ponta do meio fio ali” kkkkkk… Isso sim que é o ponto alto da esculhambação da “onça”, um general não só subalterno mas subserviente, enfim, conseguiram o que queriam, desmoralizar esta intituição centenária e levá-la a esse papel ridículo até para um cartunista de um jornal de esquerda!

  8. Países que têm generais como esse não precisam de inimigos externos. Ninguém é demitido gratuitamente.. O ressentimento fala mais alto que o patriotismo! Já vimos esse filme no final do ano passado.

  9. É o preço que se paga ao trair a pátria, povo e juramento. Por enquanto estarão batendo continência, amanhã pintando meio fio. Já estão pedindoEXTINÇÃO do Batalhão Tonelero e COpEsp do Exército. Ladeira abaixo!

  10. O que o general diz faz sentido, mas já temos evidências de que, na prática, a teoria é outra. O coronel Cid, por exemplo, foi punido com o impedimento para um cargo militar, sem precisar que se abrisse o regulamento disciplinar ou qualquer lei pertinente. Publicou-se que foi desistência do próprio, para não ampliar a crise militar (atitude nobre), mas poderia haver outro desfecho?

    Diante da demissão do comandante anterior por não aceitar essa ingerência, o novo comandante do Exército já assume com o compromisso tácito de não negar nada ao novo governo, independente de outras prescrições formais. O caso Cid é só o começo. Todo mundo sabe que isso não para aí, como não pararam as perseguições kafkianos do STF.

  11. A “ingerência política” levou o general Juarez à presidência dos Correios em 2019. Como meteu os pés pelas mãos e resolveu agir independente da orientação do PR Bolsonaro, a “ingerência política” o afastou do cargo. Hoje, aponta o dedo para criticar o governo passado, por puro ressentimento.

      1. E quando está havendo mudança de regime? Venezuela, Nicarágua, Colômbia têm eleição como aqui teve. Qual é o regime desses Países?

      2. Para que servem os generais?
        Felizmente não temos conflitos externos, então…..por que ficarmos pagando seus salários?

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