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Política

Lula, o calendário eleitoral e a democracia como farsa

A declaração do petista no Chile mostra que o lulismo avança sem precisar mais disfarçar suas intenções

O presidente Lula, na cerimônia de lançamento do Plano Safra 2025/2026, no Palácio do Planalto, em Brasília - 1º/7/2025 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo
O presidente Lula, na cerimônia de lançamento do Plano Safra 2025/2026, no Palácio do Planalto, em Brasília - 1º/7/2025 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Quando o descondenado-em-chefe declarou, em Santiago do Chile, que “cumprir o calendário eleitoral a cada quatro ou cinco anos não é mais suficiente”, não improvisava, tampouco escorregava. Falava com a franqueza típica de quem já não se vê obrigado a dissimular. A frase, mais do que um lapsus autoritário, é a confissão de um projeto político que há muito substituiu a democracia como valor por sua função meramente utilitária. Em outras palavras: uma democracia enquanto convém, e apenas enquanto convém.

A concepção instrumental do regime democrático não é anedótica nem nova. Está registrada em vídeo no 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores, realizado em 2007, numa seção significativamente intitulado Socialismo Petista. Nele, a certa altura, diz-se com todas as letras: “Com a queda do Muro de Berlim, e o colapso em curso na URSS, o PT avança nas formulações sobre o socialismo petista e reafirma o compromisso com a democracia, como questão estratégica”.

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Traduzindo da novilíngua uspiana (e é fácil imaginar Marilena Chauí debruçada sobre o roteiro) para o português: o processo democrático é útil enquanto serve à conquista e à manutenção do poder; quando deixa de servir, torna-se descartável.

Lula sempre acreditou que eleição é uma farsa

Às vésperas de sua primeira vitória eleitoral, em 2002, o metalúrgico adestrado pela intelligentsia gramsciana já havia declarado ao francês Le Monde que a eleição era “uma farsa pela qual é preciso passar para chegar ao poder”. A frase de campanha somada à confissão doutrinária do congresso partidário e à fala recente no Chile compõem a trindade ideológica do lulopetismo: eleição como rito, democracia como instrumento, poder como fim absoluto.

Esse modelo não nasce do acaso, mas da matriz forjada no Foro de São Paulo — onde o jogo democrático sempre foi visto como meio tático de inserção institucional, jamais como horizonte normativo. Por isso, alternância de poder é vista como ameaça, não como regra; a oposição, como sabotagem; e a liberdade, como risco que precisa ser regulado. E o que não pode ser controlado é neutralizado pelo aparelhamento do aparato repressor do Estado — outra doutrina defendida no vídeo-propaganda supracitado —, sob o pretexto de combater “ameaças à democracia”.

A democracia do PT

Em seu terceiro mandato — amparado pelo STF, pela Globo e por uma elite econômica disposta a abanar o rabinho para o dono comunista em troca de petiscos financeiros —, o companheiro de Fidel Castro e Hugo Chávez já não precisa fingir reverência às formas. Sua recente declaração, longe de ser escandalosa, é apenas a vocalização tardia de uma velha convicção. Quando o presidente afirma que eleições regulares não garantem democracia, o que anuncia, com a serenidade dos que contam com a leniência institucional, é que a liturgia democrática e o “teatro das tesouras” já cumpriram a sua função histórica. Agora, é hora de avançar para a próxima fase: a substituição do voto pela gestão permanente de um consórcio que une partido, Judiciário e imprensa em nome de uma governabilidade sem povo.

No fim das contas, a democracia que o PT quer é aquela que lhe garante o poder, e nada além disso. O resto – Constituição, alternância, imprensa livre, oposição – são meras contingências. Que se aceitam quando úteis. E que se abandonam, sem cerimônia, quando deixam de ser.

Lula posa como defensor da soberania, mas entrega dados à China, foge do Congresso e recorre ao STF para impor sua agenda — patriotismo seletivo com alto custo ao Brasil | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Lula posa como defensor da soberania, mas entrega dados à China, foge do Congresso e recorre ao STF para impor sua agenda — patriotismo seletivo com alto custo ao Brasil | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

5 comentários
  1. Antonio Aparecido Rinaldi
    Antonio Aparecido Rinaldi

    Temos que tirar essa imundice do poder, para poder voltar à normalidade, não temos a mínima chance de nada com a incompetência petista no poder, estão destruindo tudo que encontra pela frente e ao seu redor. Tenho desanimo em ver grande parte da população burra sendo enganada mais uma vez!

  2. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Esse vagabundo ladrão comunista não vai estragar mais nosso Brasil

  3. Antonio Carlos Cavalieri DOro
    Antonio Carlos Cavalieri DOro

    Triste perceber que tudo está indo como essa gente quer.

  4. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Estamos vivendo uma Ditadura, nesse regime não existe limites ,censura instalada. A primeira fase já está operante,imposição jurídica, mídia tradicional cumprindo seu papel e fator psicológico cumprindo a auto censura pelo medo .A próxima é a proibição das eleições.

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