O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fizeram pelo menos três viagens em períodos coincidentes a Madri e Lisboa. Documentos da Polícia Federal (PF) indicam um padrão de deslocamentos coordenados durante o auge do escândalo das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em alguns casos, os dois viajaram em voos de primeira classe ou permaneceram nos mesmos destinos em datas próximas. As informações são do portal Metrópoles.
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As viagens ocorreram nas seguintes ocasiões:
- Lisboa — 17 e 18 de junho de 2024;
- Madri — 13 a 20 de setembro de 2024;
- Lisboa — 8 a 14 de novembro de 2024.

Além de Antunes e Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger participou de duas dessas viagens. Segundo a investigação, ela atuaria como intermediária entre os dois e mantém relação próxima com o filho do presidente da República.
O relatório da PF também revela que uma agência de viagens, que recebeu mais de R$ 640 mil de uma empresa ligada a Roberta Luchsinger, aparece associada a dados cadastrais de Lulinha em trechos internacionais. Um ex-funcionário do lobista afirmou aos investigadores que o Careca do INSS custeava despesas da empresária e de Fábio Luís.
Os três estariam discutindo um possível negócio no setor de Cannabis medicinal.

Fábio Luís e Roberta Luchsinger embarcaram em 13 de junho de 2024 de Guarulhos (SP) para Lisboa. Embora não tenham viajado lado a lado, estavam na mesma fileira: ele no assento 7F e ela no 7A.
Quatro dias depois, o Careca do INSS partiu do mesmo aeroporto rumo à capital portuguesa, na poltrona 2H. Lulinha e Roberta permaneceram na cidade até 18 de junho e voltaram ao Brasil nos assentos 4G e 4C. A mesma poltrona 4C seria ocupada posteriormente pelo lobista em um voo no dia 21 de junho, com desembarque em Brasília.
Períodos das viagens:
- Lulinha e Roberta: 13 a 18 de junho;
- Careca do INSS: 17 a 21 de junho.

O segundo destino foi Madri, cidade para onde Lulinha se mudaria em 2025. O Careca do INSS saiu de Guarulhos em 12 de setembro de 2024, no assento 3E. No dia seguinte, Lulinha e Roberta viajaram para a capital espanhola nas poltronas 7G e 8D.
Antunes retornou a Brasília em 20 de setembro, sentado novamente em um dos primeiros assentos do avião (2D). Lulinha voltou a Guarulhos em 22 de setembro (assento 8G) e Roberta, apenas em 29 de setembro (poltrona 1G).
Períodos das viagens:
- Careca do INSS: 12 a 20 de setembro;
- Lulinha: 13 a 22 de setembro;
- Roberta: 13 a 29 de setembro.

Em 8 de novembro de 2024, Lulinha e o Careca do INSS embarcaram juntos de Guarulhos para Lisboa, ocupando os assentos 6J e 3F. Ambos tinham retorno marcado para 14 de novembro, mas o filho do presidente prorrogou a estadia por mais três dias e remarcou a passagem.
Períodos das viagens:
- Careca do INSS: 8 a 14 de novembro;
- Lulinha: 8 a 17 de novembro.
A PF destacou que as passagens foram compradas com apenas quatro minutos de diferença, o que reforçaria os indícios de ligação entre os dois. Segundo o relatório, os bilhetes foram adquiridos com 21 dias de antecedência: a passagem de Antunes foi comprada em 18 de outubro de 2024, às 14h37, enquanto a de Lulinha foi emitida às 14h41 do mesmo dia.

Viagens de Lulinha e Careca do INSS tinham a ver com negócio de Cannabis
As viagens de Antunes a Portugal estariam relacionadas a negócios ligados a Cannabis medicinal. Um ex-funcionário da empresa World Cannabis afirmou à PF que o lobista e Lulinha viajaram juntos para tratar de projetos nesse mercado, no qual Antunes pretendia investir.
Os três são investigados na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. De acordo com a PF, Roberta Luchsinger atuaria como elo entre o lobista e o filho do presidente, enquanto Antunes é apontado como figura central do escândalo.
A investigação identificou ainda que o Careca do INSS transferiu R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger. Em uma dessas operações, Antonio Camilo afirmou que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, possível referência a Lulinha, segundo análise da PF.

A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Guilherme Suguimori, sustenta que ele não tem envolvimento com a fraude do INSS nem mantém sociedade oculta com Antunes. Os advogados também afirmam que o empresário nunca recebeu valores do lobista.
Mensagens obtidas pela PF revelam ainda que, em dezembro de 2024, Antunes solicitou a entrega de um medicamento no apartamento onde Lulinha morava em São Paulo. A encomenda estava endereçada a Renata Moreira, esposa de Fábio Luís. Procurado na ocasião, Lulinha disse desconhecer o episódio e negou proximidade com o lobista.
Roberta Luchsinger e o Careca do INSS, de acordo com o Metrópoles, também tentaram atuar com o Ministério da Saúde para defender interesses de uma empresa de tecnologia e da World Cannabis. Neta do ex-banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, Roberta ganhou notoriedade ao prometer uma doação de R$ 500 mil a Lula quando ele teve contas bloqueadas durante a Operação Lava Jato.





































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