As substâncias mencionadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em sua audiência de custódia que teriam causado “paranoia” e “alucinação” possuem, em suas bulas oficiais, registro de eventos neuropsiquiátricos capazes de comprometer a consciência, a orientação e a percepção do paciente.
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As medicações citadas por Bolsonaro são pregabalina e sertralina. Os efeitos colaterais dos fármacos podem ser ampliados, conforme boletim médico, se foram administrados em associação com outros depressores ou moduladores do sistema nervoso central, como gabapentina e clorpromazina, que estavam em uso contínuo pelo ex-presidente.

De acordo com o boletim médico de Cláudio Birolini e Leandro Echenique, Bolsonaro apresentou “quadro de confusão mental e alucinações”, possivelmente induzidos pela pregabalina, prescrita sem o conhecimento da equipe que o acompanhava.
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O documento ressalta que o fármaco mantém “importante interação com os medicamentos utilizados para crises de soluço (clorpromazina e gabapentina)”, podendo causar “confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos”.

Pregabalina: potencial para distorções perceptivas e prejuízo cognitivo
A bula da pregabalina registra efeitos neuropsiquiátricos que incluem alucinações, mudanças de humor, agitação psicomotora, desorientação, prejuízo psíquico e perda de consciência, classificados como reações incomuns (0,1% a 1%). Os efeitos são agravados em uso concomitante com outros depressores do sistema nervoso central.
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O mecanismo de ação do medicamento — modulando a liberação de neurotransmissores excitatórios — explica a possibilidade de impacto direto na capacidade cognitiva e perceptiva, com risco de comportamento desorganizado.

As principais reações adversas são:
Muito comuns (>10%)
- Dor de cabeça.
Comuns (1%–10%)
- Euforia, confusão, irritabilidade, depressão, desorientação.
- Insônia, redução da libido, ataxia, tremores, amnésia, déficit de atenção.
- Sedação, letargia, tontura, visão turva, diplopia.
- Náusea, vômito, constipação, diarreia.
- Espasmos musculares, artralgia, dor lombar.
- Marcha anormal, sensação de embriaguez, fadiga, aumento de peso.
Incomuns (0,1%–1%)
- Alucinações, mudanças de humor, agitação psicomotora, despersonalização, agressividade, perda de consciência.
- Sonhos anormais, aumento/redução da libido, mioclonia.
- Transtornos cognitivos e de fala, nistagmo, alteração visual.
- Taquicardia, hipotensão, sudorese, incontinência urinária.
Raras (0,01%–0,1%)
- Crise de pânico, estupor, hipocinesia, midríase.
- Pancreatite, insuficiência renal, síndrome de Stevens-Johnson.
- Ideação ou comportamento suicida.
Sertralina: risco de episódios de euforia, confusão e alucinações
A sertralina, antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, também apresenta em bula efeitos como alucinação, confusão mental, agressividade, euforia e episódios de hipomania ou mania, além do risco de síndrome serotoninérgica, quadro caracterizado por agitação, delírios e alteração grave do estado mental.
Embora não tenha sido apontada como causa principal, sua associação com pregabalina, gabapentina e clorpromazina intensifica a instabilidade neuroquímica e aumenta a probabilidade de sintomas agudos.
As principais reações adversas são:
Muito comuns (>10%)
- Insônia, tontura, cefaleia, diarreia, náuseas.
Comuns (1%–10%)
- Ansiedade, agitação, pesadelos, bruxismo, diminuição da libido.
- Tremores, sonolência, zumbido, palpitações.
- Dor abdominal, boca seca, alteração de peso, hiperidrose.
- Disfunções sexuais.
Incomuns (0,1%–1%)
- Alucinação, agressividade, confusão mental, euforia, síncope.
- Distúrbios extrapiramidais, movimentos involuntários.
- Midríase, taquicardia, hemorragias, elevação de enzimas hepáticas.
- Distúrbios da marcha e edema periférico.
Raras (0,01%–0,1%)
- Distúrbio psicótico, convulsões, coma.
- Síndrome serotoninérgica, vasoconstrição cerebral reversível.
- Pancreatite, reações cutâneas graves.

Bolsonaro admite “alucinação”
Durante o depoimento em audiência de custódia, realizado por videoconferência na tarde deste domingo, 23, Bolsonaro relatou à juíza auxiliar Luciana Sorrentino que decidiu tentar abrir a tornozeleira porque acreditou estar sendo monitorado por uma “escuta”. Segundo ele, a sensação de perseguição ocorreu devido à combinação de dois medicamentos receitados por médicos diferentes: pregabalina e sertralina.
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“O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa”, registrou a magistrada na ata da audiência. Ela também, que integra o gabinete do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, anotou a explicação de que Bolsonaro teve “uma certa paranoia (…) em razão de medicamentos que interagiram de forma inadequada”.

Bolsonaro afirmou ter usado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento entre a noite de sexta-feira 21 e a madrugada de sábado 22. Disse que manipulou a tornozeleira “tarde da noite e parou por volta de meia-noite”, e que nenhum dos presentes na casa — sua filha, o irmão mais velho e um assessor — presenciou a ação.
O ex-presidente negou intenção de fuga e insistiu que “não houve rompimento da cinta”, parte que mantém a tornozeleira presa ao tornozelo. Também confirmou que ainda possui em casa o ferro de solda utilizado na tentativa.
Ao final da audiência, a juíza decidiu manter a prisão preventiva, afirmando que Bolsonaro não relatou qualquer abuso policial durante o cumprimento da ordem judicial.





































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