publicidade
Política

Morte de Clezão completa 2 anos sem justiça à família: ‘Não temos resposta de nada’, diz viúva

Cleriston Pereira da Cunha, preso pelo 8 de janeiro, morreu na Papuda em 20 de novembro de 2023, mesmo com parecer da PGR pela soltura

clezão mulher viúva manifestação
Edjane e Clezão | Foto: Reprodução/Facebook/Edjane Cunha

A morte de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, de 46 anos, dentro do presídio da Papuda, completa dois anos nesta quinta-feira, 20. A família ainda não tem esclarecimentos sobre a morte e tampouco qualquer reparação do Estado.

+ Enquanto sepultávamos meu marido, Lula condecorava Moraes, diz viúva de Clezão

Receba nossas atualizações

Clezão estava preso preventivamente pelos atos de 8 de janeiro. Embora tivesse sido denunciado, não havia sido julgado. Não há quaisquer provas, como reiteram sua defesa e a família, de que ele estivesse no protesto.

Além de insistentes pedidos da defesa feitos nos meses que antecederam a morte de Clezão, havia um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) de setembro (dois meses antes da morte) que opinava pela liberdade. O relator do caso, Alexandre de Moraes, jamais o analisou, assim como os pedidos da defesa.

Família espera resposta sobre morte de Clezão

clezão mulher viúva manifestação
Uma das filhas do casal Cleriston e Edjane da Cunha segura o chapéu que o pai usava. As três vestem camisetas com homenagem a Clezão | Foto: Reprodução/Twitter X/@apropriajulia

A família espera uma resposta. “A gente não tem resposta de nada, mas eu creio na justiça de Deus”, disse a Oeste Edjane Duarte da Cunha, viúva de Clezão. “Criamos muita expectativa que algo seria feito, de que quem realmente cometeu esse crime — porque para mim foi um crime — iria pagar. Foi um crime porque a PGR deu parecer favorável à soltura do meu esposo e não tinha nada contra ele, ele não cometeu crime algum.”

Leia também: Um momento macabro na história recente do Brasil, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 260 da Revista Oeste

Para ela, sem resposta do Estado, “é como se Clezão tivesse cometido o crime, tivesse pagado por aquilo que ele não cometeu”. Edjane disse que a família não é a mesma depois da injustiça sofrida. As filhas, de 21 e 24 anos, sofrem muito com a ausência do pai, que era o arrimo da família. “É muito injustiça, eu não sei medir o tamanho dessa dor.”

A viúva de Clezão também disse que nunca esperava passar por uma perda e injustiça como essa. “Nunca imaginei estar passando por isso. Nunca. Nunca”, declarou. “Porque a gente sempre agiu muito certinho com tudo, né? Então não se imaginava que poderia estar sofrendo, estar passando essa dor.”

A morte na Papuda

Clezão teve um mal súbito enquanto tomava banho de sol na Papuda. Seu estado de saúde era delicado e conhecido por Alexandre de Moraes, já que a defesa apresentou diversos laudos sobre a saúde dele nos meses no período em que ficou preso.

Cleriston Pereira Clezão
Clezão tinha um parecer favorável à soltura desde setembro da PGR, mas o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, não analisou o pedido | Foto: Reprodução

Nesses meses, Clezão emagreceu 20 quilos, comia pouco e chegou a usar cadeira de rodas na Papuda. O presídio não tinha equipamentos médicos capazes de atendê-lo, conforme um relatório da Defensoria Pública do Distrito Federal publicado com exclusividade por Oeste à época. Além disso, o resgate levou aproximadamente 40 minutos para chegar.

Leia também: O cadáver do 8 de janeiro, reportagem de Cristyan Costa, publicada na Edição 198 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    E ainda tem os retardados que gritam e escrevem “sem anistia”.

  2. Moisés Fróes
    Moisés Fróes

    Família do Clezão, ENVIEM FLORES AO ALEXANDRE CABEÇA DE OVO DE MORAES. COM OS DIZERES “FELIZ ANIVERSARO DOS DOIS ANOS DA MORTE DO CLEZÃO “.

  3. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    E aquele comandante perfidioso, nojento, fazendo acordo com o bandido xandinho!
    Um desrespeito total ao exército…Ser abjeto! Tem de ser expurgado da caserna em todos os lugares. são 5-6 Comandantes.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.