publicidade
Política

O braço judicial do Foro de São Paulo

Assim como Jair Bolsonaro no Brasil, o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, que ousou enfrentar o narcotráfico, não sofre um processo jurídico normal, mas uma caçada política com verniz judicial

Ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe
Ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Ao denunciar a condenação de Álvaro Uribe como exemplo de lawfare, o secretário de Estado americano Marco Rubio não fez apenas um comentário pontual sobre a Colômbia, mas ofereceu um diagnóstico certeiro da patologia institucional que atravessa a América Latina.

Uribe, que ousou enfrentar as Farc e enfraquecer o narcoterrorismo, tornou-se alvo preferencial da elite judicial militante. Não por crimes provados, mas pelo pecado imperdoável de ter sido eficaz contra o projeto revolucionário da esquerda continental, que tem na união entre socialismo e tráfico de drogas a sua característica distintiva.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

A semelhança com o Brasil é gritante. Jair Bolsonaro, como Uribe, não sofre um processo jurídico normal, mas uma caçada política com verniz judicial. Também ele ousou desafiar o cartel ideológico que vai do Foro de São Paulo ao consórcio jurídico-midiático, e por isso, da perspectiva dos inimigos, precisa ser neutralizado e extirpado da vida política nacional. Sob o pretexto de “proteger a democracia”, o regime cerca-o com inquéritos intermináveis, inelegibilidade, medidas restritivas abusivas e a ameaça constante de prisão.

O comentário do secretário de Estado americano — descendente de cubanos perseguidos pelo regime narcossocialista de Fidel Castro, um expert na arte do aparelhamento — apenas corrobora o que os observadores mais atentos já sabiam: a lawfare não é um evento isolado, um acidente de percurso, mas uma tecnologia de poder refinada, desenvolvida e replicada nos países governados por quadrilhas do Foro de São Paulo.

Lawfare: quem falsificou o registro de entrada nos EUA, pergunta WSJ

Uribe e Bolsonaro são exemplos claros de como, na nova (e nefasta) ordem jurídica latino-americana, líderes dissidentes são metodicamente isolados, processados, condenados e, enfim, politicamente neutralizados, tudo sob a aparência enganosa de normalidade institucional.

A Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro foi o caso mais emblemático: a Suprema Corte, convertida em apêndice do poder executivo, perseguiu sistematicamente opositores, anulou resultados eleitorais e legitimou a dissolução de poderes, como no caso da Assembleia Nacional, num roteiro que se repete com variações na Nicarágua de Daniel Ortega, onde juízes se transformaram em censores e carcereiros. Também na Bolívia e no Equador, viu-se a instrumentalização do sistema judicial para perseguir ex-presidentes e calar vozes dissidentes, com processos construídos sobre frágeis bases e interpretações jurídicas elásticas que apenas serviam ao propósito político.

Post de Marco Rubio sobre Álvaro Uribe | Foto: Reprodução/X
Post de Marco Rubio sobre Álvaro Uribe | Foto: Reprodução/X

Rubio acerta o alvo: nenhuma democracia sobrevive quando a toga vira insígnia de facção político-partidária. Quer na Colômbia, quer no Brasil, o fato é que o Judiciário deixou de exercer a sua função constitucional de árbitro equilibrado, tornando-se o ator principal de uma infâmia política em que o final é conhecido: a liquidação de toda oposição verdadeira.

O silêncio ensurdecedor das chancelarias estrangeiras e das organizações internacionais apenas amplia o ridículo da situação. Em fóruns internacionais, repete-se a ladainha da “defesa do Estado de Direito” — uma frase que soa cada vez mais oca — enquanto, nos bastidores, aplaude-se a perseguição a líderes eleitos que não se curvam à cartilha ideológica do novo internacionalismo comunista. A complacência internacional, senão a cumplicidade ativa, torna-se o oxigênio que alimenta esse incêndio continental, pavimentando o caminho para uma consolidação autoritária que, não fosse a chegada da cavalaria americana de Donald Trump, talvez já se pudesse dar por irreversível.

Leia também: Aos inimigos a lei, reportagem publicada na Edição 275 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Exposição precisa da canalhice esquerda corrupta latino americana. Quem diria. Temos que depender de uma nação estrangeira para tentar salvar o Brasil. Que Deus nos ajude.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade