É admirável a plasticidade moral do Supremo. Quando o assunto é o escândalo do Banco Master e as relações nada republicanas de Dias Toffoli (e Alexandre de Moraes, marido de dona Vivi) com Daniel Vorcaro, a Corte descobre a virtude da discrição, da confiança mútua e da solidariedade entre os pares. Nota conjunta, reafirmação de “plena validade”, fechamento de fileiras. Um espetáculo de coleguismo no qual a toga vira um manto protetor e cálido. Comovente.
Mas basta olhar pelo retrovisor para perceber que essa súbita serenidade institucional tem destinatário certo. Nos processos do 8 de janeiro, como todos vimos, o mesmo tribunal exibiu um fervor missionário. Ali não havia clamor por prudência, mas pedagogia punitiva, ministrada com todo o histrionismo autobeatificante que a imprensa (ora escandalizada) fomentou. Penas infladas, narrativas grandiloquentes, tipificações elásticas — tudo em nome da salvação da “democracia”, a palavrinha mágica repetida com esgares de dignidade afetada. Sem que a classe falante nacional visse nisso nada demais — posto que proibido por lei —, a Corte transformou-se em protagonista político, assumindo para si a tarefa de higienizar o cenário nacional. O dever legal e moral da isonomia foi para as cucuias, e extremistas políticos de esquerda emergiram das togas esvoaçantes e cada vez mais puídas.
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A prisão de Jair Bolsonaro, a detenção prolongada de Filipe Martins, o encarceramento covarde de Débora do batom — elevada a símbolo de um suposto golpismo difuso — e a morte de Clezão sob custódia estatal foram embalados como capítulos necessários da resistência institucional. Tratava-se de “defender as instituições”. Curiosamente, as instituições sempre precisavam ser defendidas de um lado específico do espectro político, enquanto ao outro lado era permitida toda sorte de radicalismo e violência política.
Corte indulgente com aliados
Agora, quando a suspeita ronda um ministro da própria casa, não há retórica inflamada, nem discursos sobre risco sistêmico. Não se fala em ameaça à República, nem em corrosão democrática. Há confiança irrestrita. Há garantias públicas. Há, sobretudo, a pressa em declarar que está tudo em ordem. A toga que pesava toneladas sobre o réu comum (inocente) torna-se leve pluma quando cobre o ombro de um colega. Os rugidos altissonantes dos heroicos canastrões viraram muxoxo de bastidor.
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O padrão é típico do corporativismo da casta. Para adversários políticos, o maximalismo judicial (e a fabricação de crimes por categoria) e a exemplaridade. Para integrantes do círculo togado, a blindagem preventiva. Em ambos os casos, o slogan permanece: defesa da democracia — dessa vez apenas repetido um pouco mais baixo e acabrunhado, uma vez que nem a imprensa outrora companheira está comprando a ideia.
Como tenho dito e repetido, fica cada vez mais claro que o Supremo Tribunal Federal virou um partido-Corte — uma estrutura em que jurisdição e interesse político caminham de mãos dadas. Lá fora, a espada moral. Aqui dentro, a omertá de gabinete. E tudo com o mesmo ar solene, como se a autodefesa corporativa fosse a mais elevada expressão da virtude republicana. Haja descaramento!
Leia também: “Sem saída”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 309 da Revista Oeste




































Bom artigo porém ao autor sugiro consulta a um oftalmologista urgente.
Senão vejamos:
Informa: “Agora, quando a suspeita ronda UM ministro da própria casa…”, alivia a podridão que infesta esta suprema instância judicial de um país desgraçadamente infeliz. O maridão psicopata careca da dona Vivi, o boca de sapo português, o comunista maranhense e o excelso advogado do desclassificado ficam fora de sua conceituação Gordon?
Vivenciamos talvez o momento mais degradante desta república de bananas. Literalmente temos só políticos bananas com moral e coragem para peitar na pressão esta corja de bandidos que infestam a nação.