publicidade
Política

O patrimônio milionário do lobista investigado no esquema de venda de sentenças

Total de bens de Andreson de Oliveira Gonçalves saltou para R$ 9,3 milhões em dois anos

Operação Faroeste mirou a venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça da Bahia | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Na medida em que as investigações avançam, surgem novas suspeitas sobre uma rede organizada para negociar votos em tribunais superiores | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Andreson de Oliveira Gonçalves, lobista investigado por suspeita de participar de um esquema de venda de sentenças ao intermediar decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), é alvo de inquérito da Polícia Federal por suposta lavagem de dinheiro.

A apuração mostrou que entre 2014 e 2015, seu patrimônio cresceu de R$ 305 mil para R$ 9,3 milhões, um aumento de 3.052% sem respaldo nas declarações financeiras, conforme análise da PF divulgada nesta segunda-feira, 2, pela Folha de S.Paulo.

Receba nossas atualizações

Entre 2009 e 2015, Andreson declarou rendimentos de cerca de R$ 1 milhão, insuficientes para justificar a ampliação de seu patrimônio. Atualmente, sua defesa aguarda uma decisão do STJ em recurso que busca transferir o inquérito de uma vara especializada em lavagem de dinheiro em Mato Grosso para a cidade de Cáceres, onde começaram as investigações.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

O recurso, sob relatoria do ministro Messod Azulay, ainda não recebeu parecer. O Ministério Público Federal se manifestou contra a transferência do caso. As investigações sobre o aumento patrimonial de Andreson começaram depois de ele ser investigado por suspeita de tráfico de drogas.

Em 2011, Andreson viajou para a Bolívia e, posteriormente, contatou o advogado de um homem preso com quase 300 kg de cocaína. Em agosto de 2015, ele foi denunciado pelo Ministério Público sob acusação de associação para o tráfico e tráfico internacional.

Andreson foi absolvido da acusação de associação para o tráfico

Sua defesa sempre afirmou que ele não tinha envolvimento e que a comunicação com o advogado visava a um “trabalho jurídico em prol do cliente”. Andreson, que se diz formado em Direito, não possui registro como advogado.

Em outubro de 2018, o Ministério Público concluiu que não havia evidências concretas que ligavam Andreson ao traficante, resultando em sua absolvição. Essa decisão foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

O processo inicial sobre tráfico foi instaurado na vara federal de Cáceres, que Andreson agora quer que retome as investigações sobre lavagem de dinheiro.

Lavagem e dinheiro

Em 2019, indícios de lavagem foram encaminhados à vara especializada devido a inconsistências nos dados financeiros de Andreson, especialmente quando comparados com informações bancárias.

Leia também: Justiça vendida, reportagem publicada na Edição 242 da Revista Oeste

“No relatório de análise, ficou evidente que o patrimônio alcançado por Andreson de Oliveira Gonçalves não tem justificativa”, afirma o documento. A Receita Federal também identificou omissões em fontes pagadoras que contribuíram para o aumento de seu patrimônio.

Nos autos, a defesa de Andreson alega que, desde 1996, ele exerce “atividade empresarial lícita” e atualmente atua na advocacia em sociedade com sua esposa, mesmo sem ser advogado registrado. O pedido de Andreson sobre a transferência do inquérito tramita no STJ desde agosto, antes das reportagens que revelaram suspeitas de vendas de decisões judiciais que envolvem seu nome.

Investigação sobre venda de sentenças

No esquema de venda de sentenças, Andreson era interlocutor do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2022, em Cuiabá. Conversas no celular de Zampieri revelaram relações suspeitas com magistrados, levando ao afastamento de dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Fachada do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul | Foto: Divulgação/TJMS
Fachada do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul | Foto: Divulgação/TJMS

Andreson ligava Zampieri a tribunais em Brasília e, segundo investigações, negociava decisões em gabinetes do STJ. Ele também está envolvido em suspeitas de vendas de decisões judiciais em Mato Grosso do Sul, relacionadas a um desembargador afastado recentemente.

As investigações sobre essas suspeitas estão atualmente no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, a pedido da Procuradoria-Geral da República. Dois servidores do STJ foram afastados e enfrentam processos disciplinares.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.