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Política

'O Rio precisa de um choque de ética', diz vereador

Pedro Duarte, do partido Novo, acompanhou ao longo dos anos gestões marcadas por corrupção, que atrasaram o desenvolvimento do Estado

Pedro Duarte vereador Rio de Janeiro partido Novo
Pedro Duarte é defensor de ideias liberais | Foto: Reprodução/Instagram

O Rio de Janeiro precisa de um choque de ética. A afirmação é do vereador Pedro Duarte (Novo), de 33 anos, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio e em seu segundo mandato. Tal declaração, feita por um político jovem, carrega a mensagem de que, há décadas, o problema se estende.

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O envolvimento dele com a política começou já na adolescência. Quando Anthony Garotinho assumiu o governo do Rio, em 1999, Duarte tinha apenas 7 anos. As mazelas da gestão já estavam presentes e vieram à tona principalmente quando Garotinho foi condenado, em 2010, sob a acusação de formação de quadrilha.

Duarte acompanhou, ao longo dos anos, esse desenrolar da política fluminense e logo percebeu que a responsabilidade pela mudança estava com a nova geração.

Com ideias liberais, ele atribui à corrupção a principal causa do atraso no desenvolvimento do Rio de Janeiro. As repercussões se espalham pela política,pela economia e na sociedade, que se depara, inclusive por isso, com problemas de segurança.

“Não podemos, por exemplo, falar em educação de qualidade quando o governador escolhe um secretário de Educação simplesmente porque ele é de um partido qualquer, e não por suas qualificações”, afirma a Oeste.

Interesses escusos, segundo ele, têm prevalecido nessa e em outras áreas.

“O objetivo é fazer operações de caixa dois e financiar deputados. Isso não tem nada a ver com melhorar a educação no Rio.”

Em relação à Secretaria da Saúde, Duarte também vê interferências políticas indevidas.

“A Secretaria de Saúde está sendo utilizada como uma ferramenta de favores políticos”, ressalta o vereador. “Recentemente, vimos o caso em que pessoas foram infectadas pelo HIV devido a um contrato firmado sem licitação, direcionado para uma empresa de um primo de um político influente. Isso é inaceitável e mostra como a corrupção destrói as instituições.”

A questão, segundo ele, precisa ser resolvida com um grande esforço. Somente assim, esse ciclo da corrupção, que parece interminável, pode começar a ser quebrado. Até agora, ressalta, nenhum dos governadores eleitos teve a coragem nem a determinação de enfrentar essa corrupção.

“Nenhum governador quis romper com o círculo de corrupção que perdura no Rio de Janeiro”, constata. “Ao contrário, todos acreditaram que poderiam controlar essa máfia. Mas, no final, ela acabou engolindo todos.”

Os governadores, acrescenta, em vez de trabalharem contra o esquema, tornam-se reféns dele. “Quando esses esquemas são revelados, os governadores acabam indo para a prisão, levando ali meia dúzia com eles”, ressalta o político.

“Mas muitos dos grandes nomes envolvidos com esses problemas, que há décadas operam esse esquema, continuam soltos. Políticos, empresários. O Rio precisa de um choque de ética.”

A rede se tornou tão complexa que se multiplicam as denúncias de ligação de políticos com o crime organizado.

“O Rio de Janeiro foi completamente tomado por uma máfia que está enraizada dentro da política e acaba pautando o trabalho de todas as secretarias”, observa o vereador. “Se nós não rompermos com essa lógica, que já opera no Rio de Janeiro há algumas décadas, eu não vejo solução. Isso vale para a segurança pública, para a educação, para a saúde.”

Constantino como uma das referências

A entrada de Duarte na política se mistura à sua própria trajetória pessoal. Filho de comerciantes, cresceu vendo seu pai e os tios darem duro na loja de flores que mantêm no Cadeg, o Mercado Municipal do Rio, em Benfica. O bairro, na zona norte, é vizinho de São Cristóvão, onde fica a sede do Vasco da Gama, seu clube de coração.

Ainda no Colégio pH Barra, ele se encantou pelas ideias liberais, que acabaram se tornando sua base filosófica. “Minha relação com o liberalismo começa no 3° ano do ensino médio.”

Duarte considera que pautam essa agenda de direita a defesa de uma segurança pública, o combate à corrupção, o liberalismo econômico e a responsabilidade fiscal. E não se afastar do convívio com a população. Hoje morador de Botafogo, ele garante que, em vez de carros oficiais, usa o transporte público para se deslocar.

O atual vereador se tornou um exemplo clássico de como muitas vezes a informação com conteúdo abre caminhos. Prova disso foi o fato de o jornalista Rodrigo Constantino ter sido uma das referências para ele se tornar político.

“Naquela época, eu já acompanhava o blog do Rodrigo Constantino com atenção, e amigos me sugeriram alguns livros sobre ideais liberais”, conta Duarte. “Foi assim que eu cheguei a autores como Friedrich A. Hayek, Ludwig von Mises e George Orwell, que não fala de economia diretamente, mas livros dele, como a Revolução dos Bichos e 1984, são marcantes para mim.”

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Na faculdade, Duarte se deparou com a convicção de que precisaria contribuir para evitar que a ideologia comunista, tão em voga entre colegas, trouxesse ainda mais caos ao já conturbado ambiente político.

“Assim que eu entrei na faculdade de Direito, na PUC-RJ, meu centro acadêmico era todo vermelho, frases do Marx, Che Guevara, aquela coisa bem comunista”, lembra o vereador. “Ali, tomei a decisão de que disputaria as eleições no movimento estudantil. Isso acabou pautando toda a minha trajetória política.”

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