publicidade
Política

Oposição sobe o tom, depois de decisão de Gilmar: ‘Democracia golpeada e sufocada’

Decano do STF restringiu à PGR o direito de pedir o impeachment de ministros do tribunal

Ministro Gilmar Mendes durante a sessão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF)
Decano do STF emitiu liminar na qual retira do cidadão comum o direito de pedir o impeachment de ministros da Corte | Foto: Rosinei Coutinho/STF

A decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringiu os pedidos de impeachment contra magistrados da Corte à Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma nova crise entre o Judiciário e o Legislativo. Leia a íntegra do documento no final da reportagem. 

+ Leia a íntegra da decisão de Gilmar que blinda o STF

Receba nossas atualizações

Nesta quarta-feira, 3, parlamentares da oposição da Câmara e do Senado realizaram duras críticas à decisão de Gilmar, a qual definiram como um atentado direto à democracia brasileira. 

Oposição Marinho
Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) I Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirma que a liminar representa uma “clara tentativa de blindagem” do Poder Judiciário. De acordo com ele, isso vai contra o equilíbrio entre os Poderes dentro de uma república.

“Em qualquer democracia liberal minimamente séria, os Poderes são independentes, harmônicos e submetidos a freios e contrapesos, não é dado a ninguém o direito de se colocar acima da lei”, declarou Marinho. “É hilário se não fosse trágico a forma como a nossa democracia foi golpeada, foi atingida, foi fragilizada, foi sufocada em nome da democracia. É paradoxal.”

+ Novo apresenta PEC para reverter ‘blindagem’ a ministros do STF

Marinho lembrou que os crimes de responsabilidade de ministros do STF — como atuar em causas nas quais sejam suspeitos, praticar atividade político-partidária ou agir de forma incompatível com a honra e o decoro do cargo — estão previstos na própria Lei 1.079/1950.

“A lei prevê impedimento de ministro por proferir julgamento quando, por lei, é suspeito na causa”, citou o líder da oposição. “Alguém se lembra de situações em que um ministro se diz vítima de uma pretensa trama e, ainda assim, julga seu ‘inimigo’? Isso está na lei como hipótese de impedimento. E, mesmo assim, não se quer admitir sequer a possibilidade de fiscalização.”

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

Para o senador, a decisão de Gilmar atinge diretamente o equilíbrio institucional: “O sistema de freios e contrapesos só funciona se todos os poderes puderem ser fiscalizados”. 

“Quando um poder usa sua caneta para limitar a possibilidade de responsabilização de seus próprios membros, estamos diante de uma disfunção grave da democracia”, analisou Marinho. “Um parlamentar eleito pode ser cassado a partir de uma representação de qualquer cidadão, desde que bem instruída. Ele responde à imprensa, às redes, à sociedade. Já os ‘senhores do Olimpo’, não. Eles não querem autocontenção, querem uma blindagem corporativa, como se estivessem acima da lei.”

Zucco fala em “ditadura judicial” 

deputado luciano zucco
Deputado Federal Luciano Zucco (PL-RS) | Foto: Pablo Valadares/Agência Câmara

O deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, acusou o STF de usurpar funções do Congresso, fragilizar os freios e contrapesos e transformar o impeachment em mecanismo quase inalcançável. Em um discurso duro, ele comparou o gesto de Gilmar à famosa frase atribuída a Luís XIV, monarca absolutista francês.

“A frase ‘o Estado sou eu’ não é mais exclusiva de Luís XIV”, iniciou Zucco. “Hoje, ela pode ser perfeitamente dita por um ministro do Supremo. O ato que vimos é uma verdadeira blindagem contra o Estado Democrático de Direito.”

Gilmar Mendes, decano do STF | Foto: Antonio Augusto/STF

Para o líder da oposição na Câmara, a liminar retira do povo o direito de fiscalizar e denunciar crimes de responsabilidade de ministros, concentrando poder nas mãos de um único órgão.

“O ato confere uma proteção absoluta e arranca da mão de qualquer brasileiro o direito de denunciar os ministros do Supremo”, destacou Zucco. “O ministro Gilmar Mendes ultrapassa todos os limites, concentra poder e rasga a Constituição. Se isso não é ruptura com o Estado de Direito, eu já não sei mais o que é uma ruptura.”

Na sequência, Zucco alertou: “Está sacramentado, no dia de hoje, que o Supremo legisla, governa e julga, concentrando um poder nunca visto na democracia brasileira. Se os juízes decidem tudo, os cidadãos não decidem mais nada. A Venezuela não está longe”.

Leia a decisão de Gilmar Mendes na íntegra

6 comentários
  1. Jorge Augusto Santos
    Jorge Augusto Santos

    Temos que apelar pra Trump e meter a magnisty nos peitos dessa corja

  2. Edson Csuraji
    Edson Csuraji

    Só tem uma solução: camisa de força e manicômio para essas excrescências abjetas

    1. Carlos
      Carlos

      Concordo. São psicopatas, sem dever nada a Chávez e Maduro. Lunáticos!

  3. Luiz Fraga
    Luiz Fraga

    Se a liminar monocrática de Gilmar é claramente inconstitucional e ilegal, então porque o Parlamento (sendo o Poder legítimo eleito pelo povo) aceita?!

  4. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Quem legisla é o legislativo, como esse Sapão ladrão tá legislando?

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade