publicidade
Política

Pacheco anuncia devolução parcial da MP do Pis/Cofins depois de reação do Congresso

Decisão envolve a parte principal do texto, que ficará desidratado por inconstitucionalidade, conforme o presidente do Congresso

(da esq. para a dir.) O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) | Foto: Reprodução/YouTube

O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), anunciou, nesta terça-feira, 11, a devolução de um trecho da medida provisória (MP) 1227/24, que limita o sistema de créditos de Pis/Cofins para ampliar as receitas do governo federal.

A devolução é parcial, mas envolve a parte principal do texto, que ficará desidratado. Com a ação de Pacheco, acabam todos os efeitos da MP na parte impugnada, que trata sobre o Pis/Cofins.

Receba nossas atualizações

“Com absoluto respeito à prerrogativa do Executivo e do presidente da República na edição de MPs, o que se observa nessa MP, no que toca a parte de compensação de PIS e Cofins, é o descumprimento dessa regra [anterioridade], o que impõe a esta Presidência do Congresso impugnar essa matéria com a devolução desses dispositivos para a Presidência da República”, disse Pacheco no plenário do Senado.

Apresentada pelo Ministério da Fazenda na terça-feira 4, a MP pretende aumentar a arrecadação em até R$ 29,2 bilhões em 2024 a fim de compensar a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e dos municípios.

Ao criticar o trecho da MP do Pis/Cofins, Pacheco destacou que falta no texto da Fazenda uma noventena para que as mudanças propostas comecem a valer. O presidente do Congresso avaliou que a parte da MP é inconstitucional. Apesar disso, Pacheco descartou que a ação significa uma disputa entre o Parlamento e o governo.

“A noventena não é só a criação da contribuição, mas qualquer observância de regra, como é o caso que aconteceu de imediatamente após a vigência da medida provisória”, observou Pacheco. “Não se poder fazer as compensações que vinham acontecendo desde 2013 numa regra absolutamente assimilada pelo setor produtivo nacional.”

Com validade de 60 dias, a MP do Pis/Cofins teria sido apresentado sem um diálogo com o Legislativo. Conforme apurou Oeste, na Câmara, a avaliação dos líderes é que o texto ficaria parado se ficar da forma como veio do governo federal. Na quinta-feira 6, líderes do Senado criticaram a medida e anunciaram que um estudo da consultoria da Casa traria alternativas à MP.

Conforme a Fazenda, a desoneração vai custar ao Erário R$ 26,3 bi em 2024, sendo R$ 15,8 bi com relação aos setores da economia e R$ 10,5 bi com relação aos municípios. A ideia, segundo o MF, seia promover a “justiça tributária”. A MP do Pis/Cofins está sendo chamada por entidades do comércio de MP do “fim do mundo

Ao todo, a MP possui sete artigos. Entre eles estão, por exemplo, partes que tratam sobre a declaração eletrônica para quem possui benefícios fiscais, que continua valendo.

MP do Pis/Cofins provocou reação no Congresso

A MP gerou forte reação negativa na Câmara e no Senado. Mais cedo, mais de 25 frentes parlamentares se reuniram em um almoço na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para discutir alternativas ao texto e cobrar uma solução.

Na segunda-feira 10, Pacheco se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar sobre a matéria. Depois de manifestar insatisfação ao petista, Pacheco informou que tomaria uma decisão até hoje sobre o assunto.

Durante o almoço na FPA, que contou com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, Alban disse ter ouvido de Lula que a MP do Pis/Cofins seria retirada.

Leia mais sobre:

2 comentários
  1. Jocelio de Abreu e Silva
    Jocelio de Abreu e Silva

    Se fosse o gov bolsonaro esse incapaz já tinha devolvido e não seria parcial,seria inteira. Tbm pra quem recebeu 70 milhões em pix de emendas ,achei q ele nem isso ia fazer. Tá tudo combinado, o telefone vermelho já foi acionado ontem com certeza.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.