publicidade
Política

PEC Antidrogas avança na Câmara em reação ao Supremo

Texto criminaliza qualquer tipo de posse ou porte de drogas

O relator ainda destacou que quem financia o tráfico de drogas 'são os usuários' | Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Por 47 votos a favor e 17 contrários, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 12, a constitucionalidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2023, que criminaliza qualquer tipo de posse ou porte de drogas, conhecida como PEC Antidrogas.

De autoria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o texto antidrogas é relatado pelo deputado federal Ricardo Salles (PL-SP), que deu parecer favorável ao relatório do Senado. Agora será criada uma comissão especial para analisar a PEC e, se aprovada, seguirá ao plenário da Casa. A expectativa de Salles é que o texto seja aprovado pela Câmara até o fim deste mês.

Receba nossas atualizações

A proposta começou a tramitar no Congresso em meio ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) para descriminalizar o porte de maconha para uso pessoal. O julgamento foi paralisado em 6 de março depois que o ministro Dias Toffoli pediu vista. Até o momento, o placar está em cinco votos para descriminalizar o porte para uso pessoal. A expectativa é ainda que o Supremo defina uma quantidade para distinguir usuários do traficante.

A sessão na CCJ foi marcada por embates entre ativistas que são favoráveis ao uso da maconha e deputados de oposição. O deputado federal Lucas Redecker (PSDB-RS), por exemplo, disse que os ativistas eram “os responsáveis por sustentar o crime organizado no Brasil” e eles reagiram com vaias.

Deputados discutem, nesta quarta-feira, 12, a PEC Antidrogas na CCJ da Câmara dos Deputados | Foto: Rute Moraes/ Revista Oeste

Deputados governistas, contudo, criticaram a matéria e foram apoiados pelos ativistas. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) disse que a PEC é “completamente equivocada” e defendeu a discussão sobre a descriminalização das drogas.

“O uso de qualquer espécie de droga é a porta de entrada para o vício
em outras substâncias ilícitas mais prejudiciais à saúde com o passar dos anos
pela curiosidade em experimentar novas ‘sensações'”, sustentou Salles no relatório.

O relator ainda destacou que quem financia o tráfico de drogas “são os usuários” e que pobres e negros são presos por que os “branquinhos da Zona Sul compram drogas e não acontece nada”. “Quem vende é bandido e quem compra também é”, avaliou Salles.

Conforme mostrou Oeste, a expectativa do relator é de que o texto seja promulgado antes de o STF finalizar o julgamento. Para ter mais celeridade, Salles não alterou a proposta que saiu do Senado.

Inicialmente, o deputado iria incluir na PEC uma pena de prisão aos usuários de drogas ilícitas no Brasil, ou seja, endurecer a pena, pois a compra e o consumo de drogas já são considerados crime conforme a Lei de Drogas. Contudo, o parlamentar recuou a fim de tornar a tramitação mais rápida e para que a modificação não enfrentasse tantas resistências no Senado, local que teria de retornar caso fosse modificada.

PEC Antidrogas aprovada pelo Senado

A PEC Antidrogas foi aprovada pelo Senado em 16 de abril. Na Casa Revisora, PEC Antidrogas foi relatada pelo líder do União Brasil, senador Efraim Filho (PB).

A mudança que o relator trouxe foi para que o texto dê ao usuário de entorpecentes alternativas de prestação de serviços à comunidade, e que a solução não seja o encarceramento do usuário.

Atualmente, a Lei de Drogas prevê oito circunstâncias para diferenciar o traficante do usuário de drogas, sendo: quantidade, natureza da substância apreendida, local e condições da ação delituosa, circunstâncias sociais, pessoais, conduta e antecedentes criminais.

O texto do Senado fez com que a decisão sobre a quantidade que vai diferenciar um usuário de um traficante continue nas mãos da autoridade policial e judicial.

A PEC Antidrogas começou a tramitar no Congresso como resposta a um julgamento sobre a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal no Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.