A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou o uso de emendas Pix no financiamento de um show do cantor Wesley Safadão em Tucano, município do interior da Bahia. A contratação integra um conjunto de gastos questionados pelo órgão, que apurou falhas na aplicação de R$ 19 milhões repassados à prefeitura em 2024. A apuração é do portal Metrópoles.
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O relatório informa que a prefeitura destinou R$ 500 mil de uma emenda Pix à contratação do artista para o evento “Arraiá das Águas Quentes”, realizado em 13 de junho, e somou o valor a outros R$ 500 mil sem origem detalhada no Transferegov. O contrato previa cachê de R$ 730,5 mil, além de despesas com equipe e logística. Não houve licitação.
A CGU afirmou ao portal que o município omitiu documentos e informações sobre a despesa e cadastrou o plano de trabalho com atraso superior a 60 dias, em desacordo com prazo fixado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O órgão também apontou o uso da mesma emenda para pagar consultorias, publicações em jornais e gastos com hospedagem e alimentação de servidores.
Emendas Pix foram além de show do Wesley Safadão
O relatório mostra que a prefeitura usou parte das emendas Pix para pagar contas de água, luz e internet, impostos, aluguel de veículos, combustível e materiais de escritório e limpeza. Esses gastos não se enquadram nas finalidades previstas para esse tipo de transferência.
O maior repasse individual partiu do deputado federal Ricardo Maia (MDB-BA), que destinou R$ 11,7 milhões ao município. Tucano é administrada por Ricardo Maia Filho, herdeiro do parlamentar. A CGU identificou mais de R$ 1 milhão pulverizado em despesas internas da prefeitura e do gabinete do prefeito.
Obras sem execução comprovada
A auditoria também analisou quase R$ 6 milhões destinados à pavimentação de ruas com paralelepípedos. A CGU apontou ausência de especificação das vias, falta de documentos técnicos e descrição genérica dos serviços contratados.
Em vistorias realizadas em agosto de 2025, os auditores encontraram pagamentos sem execução correspondente, obras atestadas como concluídas sem entrega e ausência de itens previstos, como piso tátil e sinalização. O Metrópoles relata que, em um dos povoados, moradores construíram as próprias calçadas, apesar de o serviço ter sido pago pela prefeitura.
O relatório ainda indica prejuízo superior a R$ 142 mil na instalação de meios-fios, com uso de peças menores do que as previstas em contrato.
Encaminhamento à Polícia Federal
A CGU concluiu o pente-fino em dezembro e, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, enviou o relatório à Polícia Federal. O objetivo é apurar possíveis ilegalidades na aplicação dos recursos.
Em nota ao Metrópoles, a prefeitura afirmou não haver irregularidades e classificou as emendas Pix como essenciais para obras, eventos e despesas de custeio. Os parlamentares Alex Santana e Otto Alencar declararam que não têm responsabilidade sobre a execução dos recursos e apoiaram a investigação. Outros congressistas citados não se manifestaram.
Criadas em 2019, as emendas Pix ampliaram a autonomia do Congresso sobre o Orçamento federal e se caracterizam por repasses diretos, com menor exigência de detalhamento prévio. Segundo a CGU, a falta de transparência dificulta o controle social e a fiscalização. Ao Metrópoles, a equipe de Wesley Safadão afirmou que não comentará o assunto.
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