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Política

Psol pede prisão de ex-ministros de Bolsonaro depois de suposta tentativa de fuga de Ramagem

Pedido enviado a Moraes cita ‘risco concreto de evasão’, influência política dos investigados e padrão de condutas que ‘ameaçam a aplicação da lei penal’

Ramagem
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A bancada do Psol protocolou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que sejam decretadas medidas cautelares de restrição de liberdade — incluindo prisão preventiva — contra quatro ex-integrantes do alto escalão do governo Jair Bolsonaro:

  • Almir Garnier;
  • General Augusto Heleno;
  • Anderson Torres; e 
  • General Paulo Sérgio Nogueira.

+ Moraes determina prisão de Alexandre Ramagem

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Ministro Alexandre de Moraes, relator Ação Penal 2694 -Núcleo 4 (21/10/2025) | Foto: Rosinei Coutinho/STF
Moraes ainda não analisou o pedido encaminhado pela bancada do Psol | Foto: Rosinei Coutinho/STF

O pedido sustenta que há “risco real e atual de evasão” dos ex-ministros de Bolsonaro e usa como exemplo a suposta tentativa de fuga do deputado Alexandre Ramagem, citado na petição como estando há meses nos Estados Unidos, residindo em um condomínio de luxo em North Miami.

Nesse sentido, o partido solicita que Moraes determine:

  • Prisão preventiva (ou outra medida restritiva equivalente) dos quatro ex-ministros;
  • Verificação e possível retenção ou bloqueio de passaportes;
  • Fiscalização de medidas cautelares alternativas, se aplicadas;
  • Adoção de providências para localizar e trazer de volta ao Brasil investigados eventualmente no exterior — incluindo cooperação internacional e eventual extradição;
  • Tratamento com urgência, diante do risco de frustração da persecução penal.

Caso Ramagem

Ramagem
Moraes determinou a prisão de Ramagem | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A situação do deputado Alexandre Ramagem é citada como o exemplo mais contundente de risco iminente. Para o Psol, o fato de o parlamentar estar no exterior, “sem comprovação de entrega do passaporte”, demonstra que medidas alternativas à prisão seriam insuficientes para impedir novas evasões.

A bancada alegou que a suposta tentativa de fuga de Ramagem confirma “padrão” de investigados que deixam o país durante fases sensíveis das apurações do 8 de janeiro:

“Esse padrão de comportamento, verificado em múltiplos casos recentes — envolvendo tanto Ramagem, que já se encontra fora do país, quanto outras figuras públicas sob investigação — evidencia que, em apurações de grande complexidade e forte repercussão institucional, é elevada a probabilidade de fuga quando os investigados dispõem de: ampla capacidade financeira; influência política e institucional; canais de apoio e infraestrutura internacional; histórico de deslocamentos ao exterior em momentos críticos”.

“Risco de fuga”

O documento afirma que os quatro ex-integrantes do governo Bolsonaro já foram condenados pelo STF e aguardam apenas o trânsito em julgado para início do cumprimento das penas. A ação é assinada por: 

  • Ivan Valente (Psol);
  • Talíria Petrone (RJ);
  • Célia Xakriabá (MG);
  • Érika Hilton (SP); 
  • Fernanda Melchionna (RS);
  • Chico Alencar (RJ); 
  • Glauber Braga (RJ); 
  • Henrique Vieira (RJ); 
  • Luciene Cavalcante (SP);
  • Luiza Erundina (SP);
  • Sâmia Bomfim (SP); e
  • Tarcísio Motta (RJ). 

Para os psolistas, isso por si só já elevaria o risco de evasão, agravado pelo histórico recente de deslocamentos internacionais e pela ausência de comprovação de entrega de passaportes.

A petição destaca que todos possuem alta influência política e militar, além de redes de apoio que, segundo o partido, poderiam facilitar uma fuga do país e comprometer a atuação da Justiça.

Entre os exemplos citados, a bancada menciona também a viagem de Carla Zambelli (PL-SP) ao exterior durante etapa crítica das investigações — outro indício, segundo o partido, de conduta reiterada de evasão por investigados de casos ligados ao 8 de Janeiro.

Acusações contra cada ex-ministro de Bolsonaro

  • Almir Garnier — apontado como um dos articuladores militares da tentativa de ruptura institucional. Citações em investigações e supostos deslocamentos internacionais reforçariam o risco de fuga.
  • General Augusto Heleno — investigado por suposta participação em estrutura paralela de inteligência e estímulo a atos contra o Estado Democrático de Direito.
  • Anderson Torres — já preso anteriormente; teve encontrada em sua casa a suposta “minuta do golpe”. A viagem aos EUA às vésperas do 8 de Janeiro é usada como prova de risco de evasão.
  • General Paulo Sérgio Nogueira — acusado de fomentar desinformação sobre o processo eleitoral e integrar estrutura voltada à ruptura institucional.

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