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Em Minas Gerais, prefeito persegue opositores e ameaça liberdade de expressão

Um dos alvos de emedebista é o jornalista Antonio Ribeiro
Foto: Reprodução/Gazeta do Povo
Foto: Reprodução/Gazeta do Povo | sacramento - minas gerais - prefeito baguá x jornalista antonio ribeiro

Um dos alvos de emedebista é o jornalista Antonio Ribeiro

sacramento - minas gerais - prefeito baguá x jornalista antonio ribeiro
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O prefeito Wesley de Santi de Melo pode ser um completo desconhecido no cenário da política nacional. Em sua cidade natal, porém, procura mais do que a fama. Por meio do Poder Judiciário, ele pretende impor temor. Natural de Sacramento, cidade do interior de Minas Gerais com população estimada em 26 mil habitantes, o político, filiado ao MDB, busca a reeleição em 2020. Para isso, tenta amordaçar seus críticos.

J. R. Guzzo: “Tirania em Sacramento (MG)”

Apesar de fazer parte do processo eleitoral, Baguá, apelido pelo qual o emedebista mineiro é conhecido, parece não dar importância aos valores democráticos. Não se importa, por exemplo, com direitos como a liberdade de expressão. Nesse sentido, Oeste tomou conhecimento de que ele tem notificado — e processado — quem publica conteúdos que não são de seu agrado. Até autores de postagens nas redes sociais têm se tornado alvo.

Um dos casos emblemáticos protagonizados pela equipe de Baguá refere-se à judicialização de um meme, em que se apresenta — de modo cômico — sugestão de novo emblema para o município de Sacramento. No desenho satírico, aparecem figuras de uma barata e espigas de milho. Apenas isso. O que deveria ser encarado como humor foi sentido como acusação contra o prefeito.

Desse modo, advogados de Baguá ingressaram com ação contra o jornalista Antonio Ribeiro. No processo, em que o prefeito pediu segredo de Justiça (mas teve o pedido rejeitado), acusa-se o comunicador de ser o autor do meme. Detalhe: a autoria é negada. Na visão da acusação, o desenho, batizado de “Brasão da Baguasolândia”, sugeriria que o mandatário seria corrupto. Na alegação, a que Oeste teve acesso, sustenta-se que as “espigas de milho representam enriquecimento ilícito [do prefeito]”, enquanto a barata “provavelmente” representaria o irmão do prefeito da cidade.

jornalista antonio ribeiro - ameaçado em sacramento
O jornalista Antonio Ribeiro: experiência internacional a serviço do jornalismo investigativo em Sacramento (MG) | Foto: Reprodução/YouTube

Experiência em prol da cidade

Jornalista com carreira nacional e internacional, com passagens por veículos como a revista Veja (correspondente em Paris durante 25 anos) e o jornal O Globo (editor de fotografia), Antonio Ribeiro tem um ponto em comum com Baguá: é natural de Sacramento. As semelhanças com o prefeito, no entanto, param por aí. Amante do bom jornalismo e da liberdade de expressão, Ribeiro retornou à cidade mineira há dois anos para “escrever o que precisava ser escrito”.

Assim, começou a investigar os feitos da prefeitura local. Como administrador da página Sacramento Notícias, no Facebook, passou a destacar informações relacionadas ao poder público. Noticiou, por exemplo, que Baguá multiplicou o próprio patrimônio no decorrer dos últimos anos. Informação, aliás, confirmada pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2008, o emedebista declarou ter R$ 495 mil em total de bens. Agora, em 2020, os bens declarados pelo político totalizam R$ 1,7 milhão. Sem contar que o próprio jornalista divulgou recentemente que o patrimônio de Baguá & família é ainda maior.

O trabalho como jornalista investigativo em Sacramento tem feito Ribeiro conviver com ameaças de morte — algo diferente até para ele, que já cobriu dez conflitos armados mundo afora. Em maio, ele já contabilizava três. Em entrevista a um canal no YouTube, relatou ter sido agredido fisicamente. A situação o fez ganhar apoio de entidades como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

“Toda ameaça ou agressão a jornalista é um atentado à liberdade de imprensa”, informa nota divulgada em abril de forma conjunta pelo SPJMG e pela Fenaj. “Chega de violência contra jornalistas”, pediram as duas entidades na ocasião. Também é preciso ressaltar que é chegada a hora de acabar com a impunidade de políticos que agridem, ameaçam e processam jornalistas e demais críticos. Ainda mais por causa de um meme que nem sequer é de autoria do processado.

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