Saiba quanto custa o presidente da Câmara

Rodrigo Maia custa aproximadamente R$ 6,6 milhões por ano aos cofres públicos. São R$ 18 mil por dia
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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Imagine morar numa mansão de 800 metros quadrados, com piscina, quatro quartos, sala de jantar e escritório, localizada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Para melhorar, a casa é servida por oito funcionários, que cuidam de tudo. Quando precisar, um motorista full-time está à disposição. E, melhor ainda, sem pagar nada por isso. Pois é assim que vive o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Confira as mordomias

Entre os servidores da residência oficial estão:

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  • 2 auxiliares de serviços gerais, que recebem mensalmente R$ 1.164,59, cada um. Ambos consomem, por ano, R$ 27.950,16. Contudo, se somadas as gratificações a que têm direito, o valor anual sobe para R$ 48.936,96;
  • 3 garçons, que ganham R$ 1.612,42 por mês. Juntos, representam um gasto anual de R$ 58.047,12. Mais as bonificações, a quantia salta para R$ 119.587,68;
  • 1 cozinheira, ao custo mensal de R$ 1.979,71. Ou R$ 23.756,52 por ano. Com a gratificação, chega-se a R$ 40.567,32;
  • 1 copeira, cujo salário é R$ 1.346,40. Por ano, ela recebe R$ 16.156,80;
  • 1 motorista executivo diuturno, que ganha aproximadamente R$ 3.400,00. Ou 40.800,00 por ano.

Se quisesse, Maia poderia optar por um dos apartamentos funcionais a que deputados têm direito (outros recebem R$ 4.250,00 de auxílio-moradia para alugar uma casa). Cada apê tem 225 metros quadrados, cozinha, quatro quartos — sendo duas suítes (algumas com hidromassagem) —, lavabo, sala de televisão e jantar.

Confira imagens da residência oficial do presidente da Câmara

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Residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, em Brasília, onde vive Rodrigo Maia | Foto: DIVULGAÇÃO/AGÊNCIA BRASIL
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Residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, em Brasília, onde vive Rodrigo Maia | Foto: DIVULGAÇÃO/AGÊNCIA BRASIL

Ser presidente da Câmara é outra coisa

Ao chegar ao Congresso, Maia pode escolher que destino vai tomar naquele dia: o gabinete-padrão, de 47,5 metros quadrados, ou o outro, maior e de uso exclusivo do presidente da Casa. As instalações são amplas e têm vista privilegiada para a Praça dos Três Poderes.

Quer saber sobre as despesas dos ministros do STF? Leia a reportagem “O dossiê completo dos gastos do STF”, publicada na edição n° 15 da Revista Oeste

Para ajudar nas atividades legislativas, Maia pode nomear 47 funcionários, que custam R$ 4,2 milhões por ano (doze salários, mais os valores referentes ao 13º salário). Esse número se soma aos 25 servidores que deputados já têm direito, conforme prevê a legislação (o salário deles é pago com a verba de gabinete, no valor de R$ 111.675,59 por mês ou R$ 1.340.107,08 anual). Em síntese, o presidente da Câmara pode ter até 72 funcionários, que custam aos cofres públicos R$ 5,5 milhões por ano.

Outros benefícios

Maia tem direito a viajar em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), também conhecida como FABtur pela classe política. Os aviões poderão ser utilizados se as viagens atenderem aos seguintes requisitos: motivo de segurança, emergência médica e viagens a serviço. Em 2019, o presidente da Câmara fez 230 viagens em aeronaves da FAB, à custa dos pagadores de impostos.

Contudo, caso ele queira viajar em avião de carreira, como os brasileiros comuns, a despesa será paga pela Câmara — ou seja, também por você. Parlamentares têm direito a receber diárias quando viajam em missão oficial. Nas viagens nacionais, o valor é de R$ 524,00. Nas internacionais, US$ 391,00 para países da América do Sul e US$ 428,00 para os demais.

Com todas essas benesses, Rodrigo Maia custa aproximadamente R$ 6,6 milhões por ano aos cofres públicos. Ou R$ 18 mil por dia.

Sem as regalias de presidente da Câmara, seriam R$ 2,14 milhões anuais. Essa é a média para cada um dos 513 deputados federais brasileiros.

Poder

Fora as mordomias bancadas com o dinheiro público, há também o poder político em razão do cargo. Chefiar a Câmara é estar na segunda posição da linha sucessória da Presidência da República. Além disso, o presidente integra o Conselho de Defesa Nacional e o Conselho da República, comanda a Mesa Diretora da Casa e a reunião de líderes de deputados. Cabe a ele aceitar ou não um pedido de impeachment contra o chefe do Executivo.

É Maia quem define a ordem do dia — os projetos que serão apreciados pelo plenário —, cede a palavra a cada orador (seja na tribuna ou não), adverte os deputados quando necessário e suspende sessões. Ele pode também abrir comissões parlamentares de inquérito, que investiguem membros do governo ou do Parlamento, e facilitar a indicação de membros da Comissão de Constituição e Justiça, a mais prestigiada do Congresso.

Reforma política

Para reduzir esses e outros benefícios, o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, sugere uma reforma política para cortar gastos, que abranja também o Executivo e o Judiciário. O primeiro passo seria a diminuição no número de partidos, a quantidade de assessores para cada parlamentar, bem como as cotas relacionadas às viagens.

“A reforma tem de começar pela redução de partidos. É impossível imaginar essa quantidade de partidos e o presidente ter de montar uma base no ‘toma lá da cá’”, afirma Prando. “Também há exagero na quantidade de benesses que os políticos brasileiros têm: número de assessores, passagens aéreas, entre outros.” Ele sugere que esses benefícios estejam atrelados à produtividade de cada parlamentar, como projetos de lei apresentados e assiduidade.

Prando propõe ainda que haja melhora na transparência de gastos com o dinheiro dos contribuintes. Por exemplo: cada deputado ou senador tem de deixar claro quem está no seu gabinete, o nome desse funcionário, os custos que ele representa e os extras que recebe em razão do cargo que ocupa. “Transparência dos gastos públicos é essencial”, conclui.

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24 comentários Ver comentários

  1. COMO DIRIAM OS JOGADORES DE TRUCO, NHONHO PERDEU DE PAU DURO…
    sabe o que eu fico pensando?
    a decepção do NHONHO em ter toda a possibilidade se tornar presidente em suas mãos, e ser totalmente incapaz… é como um jovem punheteiro… ele tem 7 meses pra isso… Basta dar um golpe no presidente mais amado da história deste país, tenta lá sua besta gorda.

  2. Acho que faltou foco na matéria. Divagou e misturou muita informação. Achei uma exposição desnecessária citar o salário de funcionários como cozinheira, auxiliar… Talvez fosse melhor citar custos gerais com funcionários ao longo do ano simplesmente. Desnecessário também mencionar “Fabtur”, se já são bem claras as restrições atuais.

  3. Os Senhores fazem as leis. Os escravos são obrigados a cumprí-las. Fundo Partidário, Fundo Eleitoral, número de parlamentares, número de assessores, salários elevados, aposentadorias especiais, privilégios, etc., etc..

  4. Tem que cortar na própria carne, para que possamos nos igualar aos paises de primeiro mundo, pricipalmente em eficiência e não em CORRUPÇÃO…

  5. Mais uma reportagem excelente do Crystian, esclarecedora, concisa e corajosa.
    O POVO à partir de 2.013 nas RUAS, alinhou s pautas ANTICORRUPÇÃO, e após 5 anos viu o EXECUTIVO abraça-las. Só o avanço destas pautas apressará o resgate da NAÇÃO. A PRESTAÇÃO DE CONTAS c o CONGRESSO é IMINENTE, pela PRISÃO em SEGUNDA instância e fim do foro privilegiado.
    Crystian faça um bom trabalho jornalístico ao país: elenque cada 1 dos Dep Fed, cada 1 dos senadores, identifique cada 1 de suas bases eleitorais, e a opinião deles sobre o tema único, que a nós INTERESSA. Aqui em MG, já sabemos q Rodrigo Pacheco e Anastasia têm dias contados, pois trairam a nossa confiança. Ñ SE GOVERNA CONTRA O POVO.

    1. Caro Jose, fico feliz pelo comentário. Obrigado pela leitura e pela sugestão de pauta. A força dos leitores de Oeste é combustível para o nosso trabalho. Forte abraço

  6. O cientista político Rodrigo Prando pede muito pouca redução. É necessário e urgente, reforma politica que reduza para 300 as cadeiras da Câmara Federal e proporcionalmente as das Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Isto foi proposta de Bolsonaro em recente entrevista ao Ratinho no SBT. Assistam porque ele fala mais, que também acabem com a reeleição e ampliem o mandato para 5 anos. Ninguém da imprensa publicou essa manifestação do Presidente, mas que ele falou mal do MANDETTA foi matéria incessante. Eu pessoalmente entendo que não é possível ter 3 senadores por Estado, basta 1. Para que 3, se representam o Estado? Não temos 1 só governador? Bom, só nosso Congresso Nacional (Câmara Federal e Senado) tem um orçamento anual de mais de R$ 11 bilhões. Para que tantas INUTILIDADES? Vejam só, o Amapa com 512.110 eleitores tem 3 senadores, o presidente do Senado David, o inquieto pernambucano Randolfe Rodrigues da Rede (só se elege pelo Amapá, como Sarney) e Lucas Barreto do PTB. Insisto dizer, Randolfe Rodrigues vota contra todas as reformas e também contra a MP871 de combate as fraudes da previdência, e pior, quando não gosta da lei que não aprovou, JUDICIALIZA. Olha só que estranho este pais, um sujeito com 264 mil votos, INÚTIL para a sociedade e ainda dá um trabalho danado.

  7. Brasil é rico demais . Como sobreviver a tantos roubos, pagamentos e benesses totalmente fora da realidade. Uma reforma drástica tem que acontecer. Não é possível continuar assim. Sentimento de sermos uns idosas. Somente muita pressão do povo para mudar isso. E votarmos com mais cuidado.
    Esse verme foi eleito com pouquíssimos votos e acabou com presidente da câmara.
    Manda e desmanda, sem o mínimo de pudor.
    Hora do dar um basta.

  8. Vamos aos fatos:
    Ganha muito mais do que qualquer político com cargo equivalente em qualquer outro país (incluindo-se aí os países mais ricos).
    Trabalha muito menos e ainda usa o tempo dele a planejar maneiras de se reeleger (para manter a mamata), e desestabilizar o executivo – para ver o circo pegar fogo e aumentar o poder de barganha do legislativo e consequentemente o seu próprio poder!
    Tem o rabo preso com as suspeitas da Lava Jato (botafogo…tal e coisa..)…
    Projetos de interesse do País e do povo, para sairmos do atoleiro em que nos encontramos – só a muito custo (e muita barganha), afinal “é dando que se recebe”
    Então, qualquer brasileiro pagador de impostos, deve estar se perguntando…
    Serve para quê mesmo…?

  9. E é com o dinheiro do povo brasileiro que sem poder trabalhar direito, esse sujeito é bancado e tratado como um bibelô?! E ele ainda trabalha nas articulações políticas contra o povo brasileiro! Pobre povo brasileiro!! Muito triste td isso. Uma grande injustiça, pois tem pessoas q não tem o que comer e esses políticos cheios de privilégios!!

  10. O custo para a Nação de cada parlamentar e em particular para bancar esse deputado é abusivo e revoltante. Até quando a sociedade, que arca com a despesa, vai suportar esse absurdo ?

  11. Não consegui chegar ao final da matéria. Deu-me engulhos. E fica aí com essa empáfia toda, achando-se os rei da cocada preta. Decididamente, com essa classe política o Brasil não pode dar certo. Seremos eternamente o País do futuro. Para os Rodrigos Maia da vida, isso pouco importa. A eles só interessam os polpudos salários e mordomias, custeados pelo suado imposto do cidadão honesto e trabalhador desse pobre Brasil.

      1. Ainda está faltando incluir na conta, aposentadorias privilegiadas, fundo Partidário e fundo Eleitoral ( conhecido como FUNDÃO ).

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