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Política

Santa Catarina usa argumento racial para contestar cotas

Estado sustenta perfil demográfico majoritariamente branco e diz que ‘que políticas públicas devem refletir a realidade local’

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL): respeito à realidade local | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL): respeito à realidade local | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O governo de Santa Catarina apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma defesa em que justifica a proibição de cotas raciais nas universidades estaduais com base principalmente no perfil demográfico local. Segundo o Estado, a população catarinense é majoritariamente branca, o que tornaria assim inadequada a adoção de políticas de reserva de vagas por raça.

Na manifestação à Corte, o Executivo estadual sustenta que a lei respeita a Constituição e leva em conta sobretudo características específicas da sociedade catarinense. O texto afirma que políticas públicas devem refletir a realidade local e não seguir, de forma automática, parâmetros nacionais.

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Santa Catarina: menor proporção de pretos e pardos 

O argumento provocou reação imediata no meio jurídico e político. Críticos afirmam que a justificativa pode relativizar princípios de igualdade e ignorar desigualdades históricas que não se explicam apenas por dados populacionais.

A discussão sobre cotas raciais ocupa papel central na defesa apresentada por Santa Catarina. O Estado afirma que a menor proporção de pretos e pardos reduziria a necessidade de políticas públicas baseadas em raça. Para o governo, critérios socioeconômicos seriam mais eficazes e justos.

Leia também: “Um Judiciário fora da lei”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 306 da Revista Oeste

Ainda segundo a argumentação, a lei não extingue políticas de inclusão. O texto afirma que o objetivo é substituir recortes raciais por critérios como renda, origem escolar e vulnerabilidade social, considerados mais objetivos pelos autores da norma.

Especialistas, no entanto, destacam que o STF já consolidou entendimento favorável às cotas raciais como instrumento legítimo de correção de desigualdades estruturais. Para esse grupo, o perfil demográfico não elimina discriminações nem desigualdades no acesso ao ensino superior.

A lei aprovada em Santa Catarina enfrenta contestações judiciais e teve sua aplicação suspensa por decisão da Justiça estadual. No STF, partidos políticos e entidades civis argumentam que a norma viola precedentes da Corte e compromete políticas de diversidade já reconhecidas como constitucionais.

A decisão do STF deve definir não apenas o futuro da lei catarinense, mas também os limites para que Estados legislem sobre cotas raciais. O julgamento é acompanhado de perto por governos estaduais, universidades e movimentos sociais, diante do impacto direto sobre políticas educacionais em todo o país.

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3 comentários
  1. Antonio Aparecido Christófalo
    Antonio Aparecido Christófalo

    Na minha opinião, o sistema de cotas para negros é uma aberração. Por acaso são só os negros que têm dificuldade em acessar o ensino superior? Não, são as pessoas pobres, independentemente da cor da sua pele. Então porque não estender o alcance dessa lei?

  2. Augusto de Resende Filho
    Augusto de Resende Filho

    Correção de desigualdade é nao esquecer que houve um Mensalão, um Petrolão, 6 bilhões surrupiados de nossos aposentados, o caso do Banco Master lezando a sociedade. Justiça social e diminuir a corrupção e respeitar a Constituição.😜

  3. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    O que de fato o estabelecimento de cotas faz no meio universitário tem consequências sérias no desenvolvimento, independência e soberania do Brasil. Expandir matrículas sem qualidade, principalmente no último nível de ensino no país, é trazer e manter a vulnerabilidade educacional diretamente para o mercado de trabalho. Em vez de formar profissionais altamente capacitados, que abaterão os custos de produtos e serviços à sociedade dada justamente sua qualificação, produz uma massa de diplomados sem preparo técnico suficiente, perpetuando a vulnerabilidade educacional e reforçando a dependência tanto de narrativas ideológicas quanto de políticas públicas assistencialistas. É triste, mas Nelson Rodrigues já previa!

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