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Política

Sob Lula, Itaipu deu dinheiro a ONG LGBT e palestras contra a Lava Jato

Documentos verificados por Oeste revelam repasses feitos a indivíduos ligados ao PT

Lula Itaipu
Lula e Ênio Verri, presidente de Itaipu Binacional | Foto: Ricardo Stuckert

Desde que Luiz Inácio Lula da Silva voltou à Presidência e Enio Verri assumiu a diretoria da Itaipu Binacional, a usina gastou quase R$ 3 bilhões em convênios. Desde 2019, os gastos somam R$ 7,5 bilhões, com um aumento significativo no terceiro mandato de Lula.

A imprensa tem destacado irregularidades em Itaipu. Os jornais Folha de S.Paulo e Poder360 apontaram problemas no Programa Bio Favela, parceria de R$ 24 milhões com o Instituto Athus. Notas fiscais mostram a compra de 3.150 bolas Penalty a preços elevados, inadequadas para crianças e com quantidade excessiva.

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O Estado de S. Paulo revelou que a usina destinará R$ 750 milhões à Unila, no Paraná, via verba genérica sem vínculo com projetos específicos. Além disso, Itaipu investirá R$ 1,3 bilhão na COP30, em Belém.

No entanto, os incidentes citados são apenas alguns dos convênios suspeitos que podem ser encontrados nas planilhas. A Revista Oeste verificou o material e encontrou mais de duas contribuições feitas para figuras ligadas diretamente ao Partido dos Trabalhadores.

Itaipu financia palestras contra a Lava Jato

Em outubro de 2023, a binacional patrocinou o Balanço Crítico da Lava Jato, iniciativa do Instituto da Defesa da Classe Trabalhadora (Ideclatra). Com o aval de Verri, foram liberados R$ 60 mil em patrocínio para as palestras, que classificam a Operação Lava Jato como um exemplo de “lawfare” contra Lula. 

Informações sobre o Museu da Lava Jato, presentes no site do Instituto de Defesa da Classe Trabalhadora | Foto: Reprodução/Redes sociais
Informações sobre o Museu da Lava Jato, presentes no site do Instituto de Defesa da Classe Trabalhadora | Foto: Reprodução/Redes sociais

Meses depois, em março de 2024, em convênio firmado com o instituto, a Itaipu deu R$ 500 mil para a implementação do Museu da Democracia. A presidente do Instituto da Defesa da Classe Trabalhadora é Miriam Gonçalves, ex-vice prefeita de Curitiba. Em 2018, foi candidata ao Senado pelo PT, mas não ganhou.

Dinheiro para ONG de direitos LGBT e colegas de partido

Na mesma toada, em dezembro de 2023, Itaipu destinou R$ 4,2 milhões ao desenvolvimento conjunto do projeto denominado “Paraná Mais Diversidade: Promovendo a Inclusão e a Cidadania LGBTI+ no Paraná”.

A instituição beneficiada foi o Grupo Dignidade, uma ONG pró-direitos LGBT fundada pelo ativista Toni Reis, que apoia Lula explicitamente em suas redes sociais.

Publicação de Toni Reis no Instagram | Foto: Reprodução/Redes sociais
Publicação de Toni Reis no Instagram | Foto: Reprodução/Redes sociais

Também em 2023, a ONG recebeu R$ 100,9 mil em emendas parlamentares do gabinete de Gleisi Hoffmann, então deputada federal e presidente nacional do PT. A informação está presente no site do Grupo Dignidade.

Em agosto de 2024, além dos convênios, patrocínios também foram usados para liberar verbas a entidades ligadas a petistas. Naquele mês, a Itaipu Binacional fez um repasse de R$ 60 mil para a realização do IX Encontro Nacional dos Tribunais de Contas, promovido pela Associação dos Membros dos TCUs.

Um dos principais diretores da associação é João Antônio da Silva Filho, conselheiro do TCM-SP. Ele é associado ao PT desde a fundação do partido.

Convocação para uma homenagem a João Antônio da Silva Filho, publicada no site da Bancada do PT | Foto: Reprodução
Convocação para uma homenagem a João Antônio da Silva Filho, publicada no site da Bancada do PT | Foto: Reprodução

A usina do PT

Os escândalos que envolvem os gastos excessivos em Itaipu são destaque na capa da Edição 261 da Revista Oeste, em reportagem assinada por Silvio Navarro.

A reportagem, “Hidrelétrica sem lei” revela que o atual conselho de administração da usina inclui três ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto os responsáveis pelos repasses para ONGs e projetos possuem ligações com políticos do PT.

Capa da Revista Oeste, edição 261 | Foto: Shutterstock

É inegável que Itaipu se tornou um reduto para aliados do partido, com militantes ocupando cargos cuja remuneração média é de R$ 20 mil. Entre os nomes que já integraram esse quadro está Janja da Silva, que trabalhou na empresa por 16 anos, até tornar público seu relacionamento com Lula e deixar a posição.

+ Para mais informações, confira a reportagem no site da Revista Oeste.

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