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Política

Sóstenes, sobre decisão de Moraes de interditar praça: 'Ruptura institucional sem precedentes'

Deputado cobrou uma posição do presidente da Câmara, Hugo Motta, que se mantém calado

Sóstenes Cavalcante - Bolsonaro
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a mais recente decisão de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), representa uma “ruptura institucional sem precedentes”. Ele cobrou da Mesa da Câmara a convocação de sessão extraordinária e um posicionamento da decisão que usurpa competência do Legislativo.

Moraes mandou para um protesto silencioso e pacífico do deputado Hélio Lopes (PL-RJ) na Praça dos Três Poderes, em frente ao STF, na noite de sexta-feira 25. Para o ministro, havia risco de um novo 8 de janeiro. No entanto, na decisão, ele não apresentou qualquer indício de uma eventual invasão.

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Hélio protestava silenciosamente, com uma fita na boca, contra o próprio Moraes, que impediu o ex-presidente Jair Bolsonaro de dar entrevistas que sejam posteriormente veiculadas nas redes sociais. O ministro mandou o protesto, que tinha o apoio de Coronel Chrisóstomo (PL-RO), ser imediatamente dispersado assim como impediu manifestações futuras. A Praça dos Três Poderes amanheceu cercada neste sábado, 26.

Helio Lopes acampa em frente ao STF | Foto: Redes sociais/Reprodução
Helio Lopes acampa em frente ao STF | Foto: Redes sociais/Reprodução

Sóstenes, no X, fez um texto no qual critica Moraes. “Na noite de ontem, o Brasil atravessou uma linha perigosa. Um parlamentar, Hélio Lopes, em silêncio, com a boca vedada, uma Bíblia numa mão e a Constituição na outra, foi cercado por dezenas de viaturas e ameaçado de prisão por exercer um protesto pacífico, solitário e simbólico”, relatou.

“A decisão que ordenou sua retirada e autorizou a prisão em flagrante de parlamentares eleitos representa uma ruptura institucional sem precedentes desde a redemocratização”, escreveu Sóstenes. E acrescentou que Moraes mandou retirar da praça deputados que nem estavam lá, como ele próprio, Sóstenes, Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e Rodrigo da Zaeli (PL-MT). “Pior: incluiu na ordem judicial nomes que sequer estavam presentes. Trata-se de uma grave violação do artigo 53 da Constituição Federal, que garante a inviolabilidade de deputados por suas palavras, votos e opiniões.”

Sóstenes ressaltou que a conduta de Hélio não era criminosa. “Não houve crime. Não houve incitação. Não houve multidão. Houve apenas um gesto silencioso de denúncia. E, por isso, a punição.”

O deputado também discorreu sobre a “intromissão de um ministro do Judiciário na atuação individual de parlamentares”, o que configura violação do princípio da separação dos Poderes e, portanto, abuso de autoridade.

Ele também criticou a decisão de Moraes por comparar o protesto silencioso de Hélio com “uma suposta repetição da política de apaziguamento feita por Neville Chamberlain com Adolf Hitler”. “Essa analogia, inserida entre páginas de uma decisão oficial, é historicamente absurda, juridicamente insustentável e moralmente repugnante. Equiparar um parlamentar cristão, em silêncio, à conivência com o nazismo é um ataque ao bom senso, uma banalização criminosa da história e uma prova inequívoca da contaminação ideológica da motivação judicial.”

Sóstenes acrescenta que toda decisão judicial seja fundamentada com base em fatos que estejam no processo e no direito aplicável, lição completamente ignorada por Moraes. “Ao utilizar analogias ideológicas e históricas que não guardam qualquer relação lógica com o caso concreto, a decisão incorre em vício de motivação, podendo inclusive ser alvo de revisão por vias legais internas e internacionais”, escreveu. “A comparação entre esse ato e os acontecimentos de 2023 é leviana, maliciosa e perigosa. Generalizar para criminalizar é estratégia típica de regimes de exceção.”

Sóstenes cobra reação de Hugo Motta, presidente da Câmara

O líder do PL também disse que Moraes, mais uma vez, invadiu competências privativas da Câmara dos Deputados, como previstas no artigo 51 da Constituição e nos artigos 3º, 5º e 17, inciso VIII do Regimento Interno, ao determinar quem pode ou não estar na Praça dos Três Poderes, e restringiu “o trânsito não apenas de parlamentares, mas de turistas, comerciantes e cidadãos comuns num raio de 1 km da Esplanada”.

“Qualquer medida contra parlamentar deve ser comunicada à Mesa Diretora da Câmara, que é a responsável por zelar pelas prerrogativas constitucionais dos seus membros. A decisão judicial ignorou completamente essa instância, usurpando uma função que não pertence ao Poder Judiciário”, explicou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, segue calado sobre o episódio. “O silêncio da Câmara, neste momento, não será neutralidade. Será omissão cúmplice com o esvaziamento do Poder Legislativo. A história cobrará”, expôs Sóstenes. “Diante da gravidade do ocorrido, é dever da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados agir imediatamente, convocando sessão de urgência, expedindo nota oficial e, se necessário, levando o caso ao Plenário.”

Sóstenes também afirma que a decisão de Moraes é “militância institucionalizada”: “O que foi vivido ontem não é a defesa da democracia. É a imposição do medo. Não é segurança jurídica. É repressão travestida de legalidade. Não é justiça. É militância institucionalizada”.

5 comentários
  1. Almicre Piovezan
    Almicre Piovezan

    Dita dores não cost umam mor rer de mor te natural.

  2. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    Ruptura institucional!
    Ora, há mais de 6 anos é o que vivenciamos nesse Brasil inicialmente tomado pela limitação dos membros do Superior Tribunal Federal, cuja esmagadora maioria de seus ministros são militantes de esquerda e se encontram lá justamente por essa “qualidade”.
    Interessante seria uma compilação de Atos contra o Estado de Direito, os que foram realizados segundo os “justiceiros socias”, para equilibrar (privilegiar) os seus iguais; i.e., os que lhes dão suporte.
    Me parece que a história começou na facada a Bolsonaro, quando a Suprema Corte interveio para impossibilitar as investigações pertinentes.
    De lá para cá, o País afundou cada vez mais, chegando ao ponto de já não conseguir respirar mais sem o auxílio de “aparelhos” (Trump).
    O registro de todas as anomalias indevidas e/ou ilegais e/ou criminosas, incluindo as obstaculizações de Decretos Presidenciais, embora discricionários de Bolsonaro, de atos protagonizados pelos advogados esquerdistas levados à Suprema Corte.

  3. Carlos Soares
    Carlos Soares

    A única solução para consertar o Brasil é… melhor não comentar.

  4. THIAGO FRANCISCO DE ALMEIDA
    THIAGO FRANCISCO DE ALMEIDA

    Moraes precisa ser impedido urgentemente. É um caso de camisa de força.

    1. Carlos Soares
      Carlos Soares

      Fico com uma dúvida: digamos que, num sonho idílico, o congresso reaja contra o møræz et caterva. Quem OBRIGARÁ que as sonhadas decisões (legais e legítimas) do congresso sejam cumpridas?

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