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Política

STF encerra sessão do julgamento de Bolsonaro

O ministro Luiz Fux foi o único a votar nesta quarta-feira, 10; 1ª Turma da Corte vai voltar a analisar o processo na tarde desta quinta-feira, 11

cristiano zanin - 1 turma do stf - julgamento de bolsonaro
Plenário da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, durante sessão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro; presidente do colegiado, ministro Cristiano Zanin aparece ao centro da imagem — Brasília (DF), 10/9/2025 | Foto: Gustavo Moreno/STF

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou, na noite desta quarta-feira, 10, mais um dia do julgamento do “núcleo 1” da suposta trama golpista. O ex-presidente Jair Bolsonaro é réu, ao lado de sete integrantes de seu governo.

O ministro Luiz Fux foi o único a votar nas duas sessões de hoje. Ele abriu divergência do relator do caso, Alexandre de Moraes. Na visão de Fux, o processo não deveria ser de competência do STF. Além disso, criticou o que considerou como cerceamento das defesas.

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Fux votou pela absolvição de cinco dos oito réus, incluindo Bolsonaro, dos cinco crimes denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR): organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e dano ao patrimônio público.

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Réu em três crimes, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) também contou com parecer positivo por parte do magistrado. As exceções se deram ao tenente-coronel Mauro Cid e ao general Walter Braga Netto. De acordo com o juiz do STF, os dois devem ser condenados pelo crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Delator do processo, Cid é ex-ajudante de ordens da Presidência da República. Braga Netto comandou a Casa Civil do governo Bolsonaro e, posteriormente, serviu como ministro da Defesa. Em 2022, filiou-se ao Partido Liberal (PL) e saiu candidato ao cargo de vice-presidente. Com o voto de Fux, a 1ª Turma do STF já formou maioria para condenar os dois militares por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Com o voto desta quarta-feira, o placar parcial está em 2 a 1 pela condenação de Bolsonaro pela PGR. Moraes e Flávio Dino proferiram seus votos contra o ex-presidente na terça-feira 9.

A sequência do julgamento de Bolsonaro

O julgamento de Bolsonaro seguirá a partir das 14h desta quinta-feira. Conforme a organização da 1ª Turma do STF, estão programadas mais três sessões: além da tarde desta quinta-feira, há a expectativa de sessões na manhã e na tarde de sexta-feira 12. A ministra Cármen Lúcia será a próxima a votar. Depois dela, o último a analisar o processo será o presidente do colegiado, ministro Cristiano Zanin.

Em caso de condenação, caberá à 1ª Turma definir a dosimetria, termo técnico para o cálculo das penas. Se houver maioria pela punição por todos os supostos crimes listados pela PGR, as punições poderão ultrapassar os 40 anos de prisão.

Além de Bolsonaro, seis dos outros sete réus respondem pelos mesmos cinco crimes:

  • Almir Garnier, almirante e ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno, general e ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens da Presidência da República (é o delator da história);
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; e
  • Walter Braga Netto, general, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e candidato a vice-presidente da República nas eleições de 2022 pelo PL.

Ramagem também seria, de acordo com a PGR, integrante do “núcleo 1” da suposta tentativa de golpe de Estado. Mas para o Ministério Público Federal, o parlamentar, que foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro, cometeu três dos cinco crimes listados. Ele não responde por dano qualificado nem dano ao patrimônio público.

Leia também: “Teatro supremo”, reportagem de Cristyan Costa e Silvio Navarro publicada na Edição 286 da Revista Oeste

E mais: “Mentira vestida de verdade”, por Alexandre Garcia

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