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Política

STF julga denúncia contra Silas Malafaia; pastor pede adiamento

Religioso, acusado de calúnia e injúria, afirma que a 1ª Turma não está com a composição completa e isso pode impactar a decisão

O pastor Silas Malafaia durante discurso no ato Acorda, Brasil deste domingo, 1º | Foto: Reprodução/Redes sociais
O pastor Silas Malafaia durante ato na Avenida Paulista, em março de 2026 | Foto: Reprodução/Redes sociais

Em sessão presencial nesta terça-feira, 28, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decide se aceitará a denúncia contra o pastor Silas Malafaia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) o acusa de calúnia e injúria contra integrantes do Alto-Comando do Exército.

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O caso estava em votação no plenário virtual, com voto do relator, Alexandre de Moraes, pela condenação do religioso. Porém, Cristiano Zanin pediu destaque, o que levou o processo ao plenário físico.

A sessão começa às 14h30 e será transmitida pela TV Justiça.

A acusação se baseia em declarações de Malafaia feitas em abril de 2025, durante manifestação na Avenida Paulista. Na ocasião, o pastor criticou a atuação dos militares e classificou generais de quatro estrelas como “cambada de frouxos”, “covardes” e “omissos”.

A representação chegou à PGR por iniciativa do comandante do Exército, que considerou as frases ofensivas ao decoro e à dignidade dos oficiais. A Procuradoria acolheu a demanda e formalizou denúncia ao STF.

Se a denúncia for recebida, Malafaia se tornará réu e responderá a ação penal no Supremo. Caso contrário, o processo será arquivado.

Sem foro no STF

O caso chama atenção porque Silas Malafaia jamais ocupou cargo público e, mesmo assim, está sendo julgado pelo STF. O foro por prerrogativa de função, o chamado foro privilegiado para responder ações criminais no Supremo, é destinado unicamente a autoridades listadas na Constituição, incluindo o presidente da República, deputados, senadores, ministros do governo e ministros do tribunais superiores de Justiça.

A ausência de foro foi um dos argumentos da defesa, mas o relator rejeitou a preliminar. Moraes disse que “não há dúvidas sobre a competência” do STF para o caso por ser “EVIDENTE A EXISTÊNCIA DE CONEXÃO entre as condutas atribuídas a SILAS LIMA MALAFAIA, na presente denúncia e aquelas investigadas no âmbito mais abrangente dos referidos procedimentos envolvendo investigados com prerrogativa de foro nessa SUPREMA CORTE”.

Assim como os casos do 8 de janeiro e do “golpe” — em que o STF julgou pessoas sem foro —, Moraes relacionou a conduta de Malafaia à suposta organização criminosa investigada no Inquérito das Fake News, instaurado há sete anos, e no Inquérito das Milícias Digitais.

Para a defesa, o caso deveria ser julgado na primeira instância do Judiciário, e não na mais Alta Corte do país, cuja atuação é restrita pela Constituição.

Eles ainda sustentam que as declarações foram opinião em manifestação pública, sem intenção de ofensa aos militares.

Malafaia pede adiamento do julgamento

A defesa do pastor solicitou o adiamento do julgamento, com o argumento de que a 1ª Turma está desfalcada. O colegiado está com quatro ministros, enquanto o regimento interno prevê cinco. Para os advogados, essa situação aumenta o risco de empate e prejudica o debate entre os magistrados.

+ ‘Moraes instituiu crime de opinião no Brasil’, diz Malafaia

“Embora se admita o funcionamento com quórum mínimo, tal possibilidade deve se dar em hipóteses excepcionais, não afastando a necessidade de se prestigiar a formação plena do colegiado, especialmente quando inexistente situação de urgência — como é o caso dos autos”, escreveu a defesa.

Desde a saída do ministro Luiz Fux, o colegiado é formado por Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Esse pedido da defesa, protocolado nesta segunda-feira, 27, ainda não foi analisado pelo relator.

Se houver empate, o caso é considerado não aceito e, portanto, seria arquivado.

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