Em janeiro de 2023, quando o Brasil ainda vivia os desdobramentos do 8 de janeiro, um comunicador e artista plástico baiano decidiu deixar o país. Cinco dias depois, cruzou a fronteira rumo ao desconhecido. Hoje vive na Polônia como o primeiro brasileiro reconhecido oficialmente como asilado político naquele país.
O exílio de Didi Redpill
Adriano Castro, conhecido nas redes como Didi Redpill, transmitiu ao vivo a invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília. A live chegou a reunir 230 mil pessoas. Ele afirma que apenas registrou os fatos, mas viu seu nome rapidamente associado à responsabilidade pelos atos. “Estava ali como jornalista, registrando os fatos”, diz a Oeste. “Mesmo assim, começaram a me responsabilizar.”
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Quando percebeu que seriam atribuídos a ele crimes que não cometeu, Didi decidiu deixar o Brasil. “Não incentivei ninguém à violência”, enfatiza. “Pelo contrário, cheguei a registrar infiltrados sendo presos, carregando mochilas com pedras e estilingues — coisas que os patriotas nunca usaram. Entendi que seria responsabilizado injustamente e que minha prisão era questão de tempo. Foi então que decidi sair.”
Leia também: “Diário dos exilados”, artigo de Yasmin Alencar publicado na Edição 242 da Revista Oeste
Didi afirma que pensou em procurar asilo nos Estados Unidos, mas, sem visto norte-americano, percorreu vários países até chegar à Costa Rica, onde diz ter recebido um sinal. “Tive um sonho: Nossa Senhora me dizia que eu deveria ir para a Polônia”, revela. “Pode parecer improvável, mas levei isso a sério.” O país escolhido tinha um governo conservador e uma história de resistência ao comunismo, e Didi pediu asilo político.
Foram quase dois anos de entrevistas e análises de documentos. “Entreguei mais de 600 páginas de material, incluindo provas de que minhas contas estavam bloqueadas e de que eu seria preso por crime de opinião”, conta Didi. “No fim, consegui o asilo político. Hoje tenho passaporte e carteira de identidade polonesa.”
Atualmente, Didi participa de eventos internacionais em que denuncia a censura brasileira. “Assim que peguei o passaporte, fui convidado para o primeiro Congresso Conservador de Paris, onde estavam figuras como Alexandre Pittoli, dono da Rádio Auriverde, e Cristina Graeml, ex-candidata à Prefeitura de Curitiba”, diz. “Dei meu depoimento sobre a perseguição política no Brasil. Também falei no Parlamento francês e, recentemente, no Parlamento português. Há convites para o Parlamento inglês e para o evento Expo de Chelas, em Lisboa. Tenho tentado denunciar a censura brasileira na Europa.”
Quando indagado sobre a vontade de voltar ao Brasil, Didi é direto: “Existe, claro. O que mais me dói é estar longe da minha mãe, que tem 81 anos e vive sozinha. Espero um dia poder voltar, quando essa ditadura cair. Quero processar o governo brasileiro — não pelo dinheiro, mas para limpar meu nome. O que fizeram foi injusto.”
Uma diáspora forçada
O caso de Didi é apenas um capítulo de uma história que se repete com diferentes rostos e destinos. Desde 2020, dezenas de brasileiros deixaram o país como vítimas de perseguição política e censura.
Oswaldo Eustáquio: o jornalista ferido pela repressão

O jornalista Oswaldo Eustáquio foi um dos primeiros a sentir o peso do novo regime. Preso em 2020 depois de denunciar articulações contra o governo Bolsonaro, sofreu agressões na prisão e ficou parcialmente paraplégico.
A juíza exilada

A ex-juíza Ludmila Lins Grillo também viu sua vida virar de cabeça para baixo. Crítica do Supremo Tribunal Federal (STF), foi afastada e depois aposentada compulsoriamente. Sem poder movimentar suas contas e sob ameaça de novos processos, deixou o país em silêncio e fixou residência nos Estados Unidos. Lá, reinventou-se como educadora e empresária, criou o canal TV Injustiça e um curso sobre Direito e liberdade.
Monark, o cancelado

O ex-apresentador do Flow Podcast, Bruno Aiub, mais conhecido como Monark, teve a carreira implodida depois de defender, em 2022, o direito de liberdade de expressão. Foi rotulado de nazista, cancelado pelas plataformas e teve suas contas bloqueadas. Depois de viver anos fora do país, voltou à terra natal em setembro último.
O drama de Allan dos Santos

Criador do canal Terça Livre e da Revista Timeline, Allan dos Santos deixou o Brasil depois de sucessivas ordens de prisão expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes. O jornalista se exilou nos Estados Unidos, onde trabalha como motorista de aplicativo e mantém atividades jornalísticas. “O Estado se tornou o agente do terror que eu temia vir de criminosos”, observa.
Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste







































Esses infiltrados são antigos e funcionam como uma empresa…são contratos!
São oriundos de e controlados por “alunas profissionais “ e professores pedófilos de certa universidade paulistas e cariocas…TODOS SABEM disso há décadas…os tais blackbloc copiados da Europa…vieram dessa organização…os verdadeiros que promovem atos antidemocráticos desde 1985…Estou a 35 anos vivendo numa Bosta de país…
Um BOSTIL odioso de se viver…teve sorte ReedPill…