Um senador custa caro. Um Davi Alcolumbre custa muito mais

O presidente do Senado gasta cerca de R$ 8,2 milhões por ano. São R$ 22,4 mil por dia
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre | Foto: Pedro França/Agência Senado

A eleição para o comando do Senado Federal ainda está longe. Mas a disputa já começou. Seu atual presidente, Davi Alcolumbre (DEM-AP), articula-se nos bastidores para garantir a permanência no cargo. Além das vantagens políticas, como ser o terceiro na linha sucessória do Palácio do Planalto e comandar a agenda da Casa, a posição confere mais benefícios que os de um senador comum — que, por sinal, já são muitos.

Gabinete especial

Localizado numa área privilegiada do Congresso Nacional, o gabinete do presidente do Senado tem 622,8 metros quadrados e é composto por sala do presidente, sala cerimonial, sala de audiência, salas de secretárias e assessorias (um gabinete padrão de um senador tem cerca de 100 metros quadrados).

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Diferente do que acontece com deputados federais, um senador não tem uma quantidade limite de assessores. Contudo, um levantamento de 2019 do Ranking dos Políticos mostrou que um parlamentar escolhe, em média, 34 funcionários — todos comissionados. No ano passado, conforme o estudo, Davi Alcolumbre tinha 38 a um custo de R$ 391.348,50 por mês (média salarial de R$ 10.298,64). Ou R$ 4.696.182,00 por ano.

Outras mordomias

Localizada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, a mansão do presidente do Senado tem 450 metros quadrados, quatro quartos, três salas, biblioteca, jardim, escritório, sala de jantar e piscina. Atualmente, trabalham na casa 13 funcionários:

  • 3 cozinheiras, que recebem R$ 2.616,49, cada. Juntas, custam R$ 94.193,64 por ano;
  • 3 auxiliares de serviços gerais. Cada um recebe, por mês, R$ 2.069,52. Reunidos, custam R$ 74.502,72 por ano;
  • 3 arrumadeiras ganham R$ 2.180,41, cada. O trio tem um custo anual de R$ 78.494,76;
  • 3 lavadeiras/passadeiras, cujo salário também é R$ 2.180,41, cada. Portanto, um custo anual de R$ 78.494,76;
  • 1 ajudante de cozinha, a um custo de R$ 2.180,41 mensais. Logo, R$ 26.164,92.

Por ano, são R$ 351.850,80 só para manter esses funcionários, todos bancados pelos cofres públicos.

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Residência oficial do presidente do Senado | Foto: DIVULGAÇÃO/AGÊNCIA SENADO

Terra e ar

Por algum motivo ainda não explicado, Alcolumbre, embora seja um só, tem direito a três automóveis (um Sentra 2017, assim como os demais senadores, e dois Hyundai Azera 3.0, por ser presidente da Casa).

Cada um dos três automóveis andou 63 quilômetros por dia em 2019 e consumiram R$ 12,6 mil de combustível. Um Azera do modelo de Alcolumbre custa R$ 109.920,00, enquanto um Sentra sai por R$ 93 mil.

Somados combustível, manutenção, peças etc, os carros oficiais custam em média R$ 6,5 milhões por ano. Isso equivale a R$ 80.246,91 para cada um dos 81 senadores.

Assim como o presidente da Câmara, o do Senado também pode se deslocar em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). As aeronaves só podem ser utilizados se as viagens atenderem os seguintes requisitos: motivo de segurança, emergência médica e viagens a serviço.

Em fevereiro deste ano, entretanto, Alcolumbre fez uso do serviço em um bate-e-volta a Macapá, seu reduto eleitoral.

Se tivesse optado por um voo comercial, como fazem os demais brasileiros, as passagens de ida e volta custariam entre R$ 840,00 e R$ 2.450,00. A FAB não divulga os custos dessas viagem por classificá-las como “sigilosas”.

Em 2019, segundo um levantamento da Gazeta do Povo, Alcolumbre gastou R$ 840 mil em diárias e passagens aéreas para ele e assessores.

Transparência e fiscalização

A falta de transparência sobre vários gastos, principalmente no Senado, é um problema destacado por Manoel Galdino, diretor da organização não governamental Transparência Brasil. Segundo ele, os parlamentares precisam ter uma estrutura, ao mesmo tempo que são necessários limites que freiem abusos.

“Falta um regramento proporcional ao trabalho desempenhado pelo legislador”, pontua Galdino, ao mencionar que há parlamentares que passam boa parte do mandato na Casa sem apresentar projetos e estão sendo pagos pelo contribuinte. “A ausência de controle e fiscalização nos gastos também são grandes problemas”, observa. “Há senadores que abastecem os carros em postos que pertencem a laranjas, por exemplo”.

O gasto anual com um senador gira em torno de R$ 7 milhões por ano. Os gastos com o presidente da Casa, contudo, podem chegar a R$ 8,2 milhões. São R$ 22,4 mil por dia. Ou mais de R$ 936,00 por hora.

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