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Política

Vereador do Rio reclama de 'falta de transparência' da prefeitura

Cidade foi uma das nove que tiveram emendas suspensas por suspeitas de irregularidades

Prefeitura do Rio de Janeiro emendas suspensas
Prefeitura do Rio nega irregularidades | Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio

A suspensão de repasses de emendas parlamentares ao Rio de Janeiro determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, nesta segunda-feira, 15, vai além do fato de as verbas já terem sido liberadas ou não, segundo o vereador da cidade Pedro Duarte, do partido Novo.

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“Embora ainda não sejam de conhecimento público maiores detalhes sobre essas emendas, já dá para perceber que há sérios indícios de irregularidades”, declarou a Oeste o vereador, cujo partido não fez parte da chamada frente ampla que elegeu o prefeito Eduardo Paes (PSD).

“Isso é grave e demonstra, como venho denunciando há algum tempo, o pouco comprometimento da Prefeitura do Rio com transparência.

O vereador ressaltou que vai questionar o Executivo local a respeito dessa suspensão.
“Antes de mais nada, estou oficiando a prefeitura pedindo que ela nos informe todo o detalhamento de emendas federais desde 2020, incluindo: beneficiados, valores, objetos, metas e cronogramas de execução”, reiterou o parlamentar.

“A população não pode ser prejudicada. O Rio não pode abrir mão de recursos, mas o bom uso do dinheiro do contribuinte deve ser prioridade.”

Segundo o g1, a maior parte da verba já foi liberada para o Rio de Janeiro, que é a sétima entre as nove cidades listadas na decisão do ministro. Em 2023, a capital fluminense recebeu R$ 18,2 milhões.

Parte delas teve indícios de superfaturamento, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU). O órgão considera que as cidades incluídas não cumpriram requisitos de rastreabilidade e transparência.

“Precisamos entender com clareza quanto já foi usado dessas emendas e quanto será suspenso a reboque da medida do ministro Dino”, ressaltou Duarte. “Isso ainda não está claro. Em tese, uma medida como essa gera impactos muito danosos, como, por exemplo, a interrupção ou o atraso de investimentos importantes para a população.”

Segundo o vereador, apesar de ser necessário ter acesso a mais detalhes, está claro que a cultura foi uma das áreas afetadas.

“Há o caso de indícios fortes de superfaturamento na compra de portas acústicas para os teatros Ipanema e Ziembinski”, destacou o vereador.

“A coisa toda parece grave. O Rio foi o sétimo município do país em emendas federais entre 2020 e 2024. Foram mais de R$ 50 milhões. E, em parte dessas emendas, o parlamentar que reservou os recursos é o mesmo que executou os recursos na cidade do Rio. A meu ver, isso dificulta a transparência.”

Cabe à Câmera dos Vereadores, de acordo com Duarte, intensificar a fiscalização desse tipo de processo.

“Tenho defendido sempre transparência máxima da Prefeitura do Rio, mas nem sempre o Poder Executivo colabora”, observa. Ele se queixa a respeito de processos de licitações que, conforme diz, até hoje, estão inacessíveis.

“Todos deveriam já estar digitalizados, para que não só nós, parlamentares, como também toda a sociedade civil, pudéssemos fiscalizá-los”, acrescenta Duarte.

“Recentemente, por exemplo, no caso da troca do sistema de bilhetagem dos transportes, fui um dos que mais cobraram transparência por parte da prefeitura, o que não estava ocorrendo. Vamos exigir informações claras e precisas sobre plano de trabalho.”

Prefeitura do Rio divulga nota em relação à suspensão de emendas

Em nota, a Prefeitura do Rio deu a entender que as acusações do ministro são infundadas, ao declarar que não houve irregularidades nas emendas. Confira a íntegra do comunicado.

“A auditoria realizada pela CGU questionou a aquisição de duas portas acústicas para o Teatro Ipanema e uma para o Teatro Ziembinski, que representou menos de 2% do total da emenda.

Leia mais: “Flávio Bolsonaro lidera intenções e votos para o Senado pelo Rio de Janeiro”

Vale ressaltar que a formação de preço dos itens seguiu rigorosamente o sistema oficial da Prefeitura (tabela SCO-RIO), elaborado pela Fundação Getulio Vargas, conforme estabelece o Decreto 49.264, de 12 de agosto de 2021. Consultada novamente, a FGV ratificou os valores praticados pela Prefeitura do Rio.

Em relação à suposta duplicidade de pagamento no valor de R$ 119 mil, esclarece-se que ela não ocorreu. Houve um erro material na forma de composição do orçamento, já corrigido, sem nenhum impacto financeiro ou prejuízo à administração municipal.”

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