A Câmara Municipal do Recife (PE) decidiu, nesta terça-feira, 3, não dar prosseguimento ao pedido de impeachment do prefeito João Campos (PSB), depois de uma sessão marcada por protestos intensos nas ruas e no plenário.
Grupos contrários e favoráveis ao afastamento do prefeito se reuniram em frente ao prédio, enquanto, dentro do plenário, a sessão foi suspensa em diferentes momentos devido às manifestações do público e às trocas de acusações entre parlamentares.
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Durante a reunião, os vereadores analisaram a admissibilidade do processo, e não o mérito da denúncia.
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Caso o pedido avançasse, João Campos precisaria se afastar do cargo, e uma comissão formada por vereadores sorteados seria responsável pela investigação.
Antes da votação, o presidente da Câmara Municipal do Recife, Romerinho Jatobá (PSB), permitiu que o autor do pedido, vereador Eduardo Moura (Novo), e o líder do governo, Samuel Salazar (MDB), apresentassem suas argumentações por dez minutos cada um.
O pedido de impeachment foi fundamentado na alteração do resultado de um concurso público para o cargo de procurador municipal.
Debate entre acusação e defesa
Moura justificou o pedido ao afirmar que “o que o prefeito João Campos fez foi colocar outro candidato à frente de um PCD, que, por coincidência, é filho de um juiz que havia arquivado uma investigação de possível corrupção contra a prefeitura”.
“O prefeito infringiu leis federais, como o Decreto 201/1947; ele infringiu a lei de improbidade administrativa; ele infringiu a Lei Orgânica da cidade”, ressaltou o vereador do Novo. “Mas, mais que os códigos, parágrafos e incisos, o prefeito infringiu o direito de cada cidadão de mudar de vida.”
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Samuel Salazar, por sua vez, defendeu o chefe do Executivo municipal. “Temos aqui uma disputa entre dois candidatos PCD”, disse. “Um que fez a inscrição desde o início e que ficou na posição 102 na ampla concorrência, e o outro, PCD autista, que só conseguiu essa comprovação no ano de 2025, ficou na posição 63. Ele sempre esteve à frente, mas com a qualificação de ampla concorrência.”
“O ato do prefeito, ao nomear um servidor, é apenas o de assinar uma portaria que chega pronta para ele”, prosseguiu o socialista. “Há uma série de outros atos administrativos ocorridos dentro da prefeitura sobre os quais o prefeito não tem qualquer ingerência.”
Motivação do pedido de impeachment contra João Campos
A motivação para o pedido de impeachment estava ligada à alteração do resultado do concurso público para procurador municipal, em que o advogado Marko Venício dos Santos Batista havia sido o único classificado nas vagas para pessoas com deficiência.
Depois das críticas da sociedade e de entidades, como a Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais e a Associação dos Procuradores do Município do Recife, João Campos recuou e nomeou o candidato aprovado originalmente no concurso.
O candidato Lucas Vieira Silva é filho do juiz Rildo Vieira da Silva e de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco. Ele participou pela ampla concorrência e ficou na 63ª colocação.
Confusão na entrada da Câmara de Vereadores
Mais cedo, o vereador Gilson Machado Filho (PL) registrou o momento em que funcionários da prefeitura tentaram obstruir a entrada na Câmara dos Vereadores.
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“O Recife está acordando para os desmandos de João Campos”, disse o parlamentar. “Não bastasse furar fila em um concurso, agora ele colocou todos os comissionados da prefeitura para segurar a fila de entrada da Câmara.”








































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