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Política

Viana diz que a CPMI do INSS vai ser ‘redesenhada’ com a prorrogação

Presidente da comissão afirma entrar na fase mais ‘difícil’: ‘Envolvimento de parlamentares, de membros do Judiciário e de pessoas com grande poder econômico’

Carlos Viana
Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), comemorou a prorrogação da comissão por determinação do ministro André Mendonça, do STF | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A prorrogação da CPMI do INSS abre uma nova etapa nos trabalhos. De acordo com o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o momento é de aprofundamento das investigações justamente no ponto mais sensível do caso.

“Nós chegamos ao ponto mais difícil do nosso trabalho, que é o envolvimento de parlamentares, de membros do Judiciário, de pessoas milionárias que têm grandes advogados e amizades nesse país”, afirmou.

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Com o prazo estendido, a estratégia da CPMI será “redesenhada”. A prioridade passa a ser ampliar a coleta de informações por meio de testemunhas, diante das limitações impostas por decisões judiciais que têm permitido a investigados permanecerem em silêncio durante os depoimentos.

“Nós vamos trabalhar agora buscando testemunhas”, disse Viana. “Pessoas que participaram, assistiram, tiveram alguma informação e que não são investigadas. Essas pessoas têm a obrigação de vir e os habeas corpus têm sido dados nesse sentido de vir para ficar calados diante daquilo que possa incriminá-los. Então nós vamos trabalhar agora, eu e o relator. Vamos sentar e, naturalmente, vamos redesenhar.”

A reorganização ocorre depois de uma série de cancelamentos e dificuldades enfrentadas pela comissão ao longo das últimas semanas. Segundo o presidente da CPMI do INSS, a partir da prorrogação das atividades, “essas falhas vão ser repostas”.

Nova fase da CPMI do INSS

Para Viana, a prorrogação permite que a comissão avance sobre uma etapa mais complexa da investigação, que envolve estruturas de poder e redes de influência.

Alfredo Gaspar e Carlos Viana
Da esq. para a dir: O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG) | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

“Estamos enfrentando a fase mais difícil da CPMI”, reforçou. “Mas nós vamos trabalhar, porque essa investigação vai dar respostas ao Brasil. Escutem o que eu estou falando. Nós temos um grupo aqui de parlamentares que estão comprometidos com a verdade. E não adianta querer desqualificar a mim, desqualificar o relator, desqualificar as provas. Não vai resolver, porque esse escândalo é muito maior do que essa tentativa. E nós não podemos simplesmente agir de outra maneira, senão investigar com muita firmeza e com muita coragem.”

Senador Davi Alcolumbre nega relação com o investigado pela PF | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), tem 48 horas para ler o requerimento de prorrogação | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Ainda ao comentar a decisão que garantiu a prorrogação, o senador afirmou que tentou resolver a situação por meio do diálogo institucional antes de recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

“Eu busquei toda e qualquer forma de diálogo com o presidente do Senado (Davi Alcolumbre”, garantiu. “Me coloquei à disposição, busquei trabalhar em conjunto, mas infelizmente não obtive qualquer resposta.”

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O presidente da comissão chegou a dizer, inclusive, que se a CPMI encerrasse nesta semana, a atuação do Parlamento já teria produzido impactos concretos, especialmente na interrupção de descontos irregulares sobre aposentadorias: “Hoje, ninguém desconta de aposentado sem ele saber”. “Isso aconteceu porque nós demos transparência a esse escândalo.”

Por fim, Viana indicou que o relatório final pode trazer novos elementos relevantes: “Vocês vão ter uma surpresa no trabalho que essa comissão fez em relação aos indiciamentos”.

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