Jeff Bezos, dono da Amazon | Foto: Wikimedia Commons
Jeff Bezos, dono da Amazon | Foto: Wikimedia Commons

Muita perseverança e US$ 45 milhões na conta

Primeira fintech brasileira a receber aporte financeiro de Jeff Bezos, a Stark Bank tem entre seus clientes Quinto Andar e Loft 

“OJeff aprovou o investimento”. Foi assim que o goiano Rafael Stark recebeu a notícia de que seu banco digital, o Stark Bank, fundado por uma necessidade de um cliente em 2018, tinha sido o escolhido para ser o primeiro investimento em uma empresa brasileira feita pela Bezos Expeditions, o fundo pessoal do norte-americano Jeff Bezos, fundador da Amazon e segundo homem mais rico do mundo — atrás apenas de Elon Musk. Com isso, o fundo do bilionário integrou uma rodada Series B liderada pela empresa de capital de risco Ribbit Capital, totalizando um aporte de US$ 45 milhões na Stark Bank. Também fizeram parte do investimento os fundadores do Airbnb, Kavak, Visa, Coinbase, alguns executivos da DST, o investidor Lachy Groom e o fundo K5 Global. Aos 33 anos, filho de uma dona de casa e um consultor do Sebrae de Goiânia, ele diz que teve de parar tudo o que fazia para sentar no sofá, com a mão na cabeça, para digerir a notícia que acabara de receber. “Foi um choque de realidade. Não acreditei que teria um sócio de peso desse”, disse à coluna. “Gosto de ter contato com pessoas excepcionais ao meu lado e aprender com elas.”

Tudo o que o cliente precisa

O hoje pote de ouro de Stark — o Stark Bank — se iniciou a partir de uma ideia simples, super fancy (ou extravagante), para usar as palavras do fundador: Rafael desenvolvia aplicativos para empresas, como a Colgate, até o dia que a marca precisou fazer reembolsos. Assim, decidiu criar um sistema para enviar transferências bancárias. Foi aí que nasceu a empresa que passou a atender clientes como Buser, QuintoAndar, Loft e a própria Colgate. O plano agora, com milhões de dólares em caixa, é dobrar a equipe — em todas as áreas, de tecnologia a marketing, na busca dos profissionais excepcionais do mercado — e entregar novos produtos, visando a “tudo o que o cliente precisa”, como dar crédito.

Rafael Stark, fundador do Stark Bank | Foto: Divulgação

Quem não chora não mama

De classe média, Stark frequentou boas escolas de Goiânia graças à mãe, que até hoje mora na mesma casa de sua infância. “Ela chorava desconto em todos os melhores colégios e conseguia bolsa de estudo para mim”, contou. Ele se autodefine como um bom aluno, daqueles que pegam rápido o conteúdo em sala. “Meus pais sempre incentivaram uma boa educação, um bom estudo.” O pai, provedor da casa, morreu quando ele tinha 16 anos. Tempos depois, Stark se formou em engenharia no prestigiado ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica. 

O clube do bilhão 

Quatro foram as tentativas de se apresentar a Jeff Bezos. “A melhor forma de chegar a alguém que você deseja é ser apresentado por alguém que ela respeita”, diz Stark. Foi assim que ele fez a primeira tentativa: o fundo de Bezos havia feito um investimento na NotCo, startup chilena que se transformou em julho passado no primeiro unicórnio — quando a empresa passa a valer US$ 1 bilhão — de comida vegana da América Latina. Alguma conversa, poucos feedbacks, mas nenhum avanço até chegar a Bezos. Primeiro não. A segunda tentativa foi contatar o “clube do bilhão”, como o próprio define. Se Bezos tem uma fortuna estimada em US$ 169 bilhões, nada melhor do que atrair quem circula pelo exclusivo mundo dos bilionários. Stark bateu na porta de Lara Lemann, filha de Jorge Paulo Lemann — o homem mais rico do Brasil — e sócia do Maya Capital, fundo de capital de risco que investe em empresas de tecnologia. Não houve nem conversa. Lemann recorreu ao conhecido “não temos agenda”. 

Dream list

O jogo só começou a virar quando Stark conheceu o investidor norte-americano Lachy Groom. “Ele me perguntou quem gostaria que tivesse junto da minha empresa, e eu criei a dream list de qualquer empreendedor”, diz. A lista dos sonhos de Stark contava com os maiores líderes do planeta: Mark Zuckerberg, Elon Musk e… Jeff Bezos. Em dezembro, em uma primeira rodada chamada de Series A, a fintech de Stark levantou US$ 13 milhões. Menos de quatro anos depois da fundação, a Stark Bank, empresa que conta hoje com 30 funcionários na Avenida Paulista, em São Paulo, tem no caixa US$ 58 milhões. “Minha história é feita de persistência. Eu sou persistente”, diz. “Os melhores sócios não são aqueles que só colocam grana e cobram resultados. Esses só atrapalham. Os melhores são aqueles que, além do dinheiro, trazem conhecimento, networking, aconselham e ajudam no que você precisa.”

Complexo de vira-lata

O investimento em startups brasileiras bateu recorde no primeiro trimestre de 2022. Mais de US$ 2 bilhões foram investidos em negócios inovadores, como a Stark Bank, em apenas três meses, de acordo com a Distrito, plataforma que monitora 35 mil startups no país. Em 2021, o investimento nas startups nacionais ultrapassou R$ 50 bilhões, 200% maior que no ano anterior. Há uma semana, os dois novos bilionários brasileiros da revista Forbes acumularam fortuna com uma startup: a Brex, de cartões de crédito corporativos. Pedro Franceschi, de 25 anos, e Henrique Dubugras, de 26 anos, têm US$ 1,5 bilhão cada um. “O aporte (da Bezos Expedition) mostra que tem muita gente boa olhando para o Brasil”, diz Stark. “O brasileiro tem complexo de vira-lata, de que tudo o que vem de fora é melhor. O Brasil é excepcional para quem quer empreender, porque a gente carece de produtos, serviços e infraestrutura.”

Conselhos de empreendedorismo

Como todo empresário no Brasil, Stark reclama. Diz que ser empreendedor num país burocrático é a pior profissão do mundo — e exige, afinal, paciência para enfrentar múltiplos “nãos” na trajetória. Mas dá conselhos: “O empreendedor tem de observar as oportunidades de mercado”, diz. “E conversar com potenciais clientes, entender qual é a dor deles, o problema deles e resolver isso, porque essa dor pode ser a de outras pessoas. Assim você cria negócios. O Brasil está cheio de oportunidades.”

Pátria do samba e do empreendedorismo

Um sonho: “Que o Brasil não seja apenas conhecido como o país do futebol e do samba, mas também o país de empreendedores, com as melhores empresas do mundo, e os melhores empreendedores do mundo. É um sonho pessoal e profissional”. Assim seja. 

Carnaval encalhado… 

O sinal amarelo na área comercial da Globo segue em alerta. A emissora colocou no mercado seis cotas de patrocínio para o Carnaval Globeleza 2022. Sabe quantas vendeu há menos de duas semanas da sua realização? Uma. Há quem diga, meio em tom de brincadeira, mas sem deixar de atentar aos fatos, que o Carnaval está encalhado no departamento comercial da Globo.

…e a Copa em alerta

Há duas semanas, a coluna revelou que foram vendidas apenas três das sete cotas de patrocínio para a Copa
do Mundo no Catar, o que, na opinião de importantes anunciantes do país, é muito ruim. Para um deles, em anos anteriores, 90% das cotas  já estariam vendidas a sete meses do início. A situação do Carnaval, porém, é ainda mais preocupante.

Jean Jereissati, CEO da Ambev | Foto: Divulgação

CEO das massas

Jean Jereissati, CEO da Ambev, é o principal influenciador do LinkedIn dentre os CEOs. Esse dado faz parte de um mapeamento da consultoria Bites que vai ser divulgado em duas semanas. O líder do gigante de bebidas, com mais de 60% do mercado de cervejas e dono da Brahma e da Skol, tem mais de 300 mil seguidores na rede social corporativa. 

bruno@revistaoeste.com 

Leia também “Milhões de livros e o agro aquecido”

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