Vista panorâmica do topo das montanhas cobertas de neve do Monte Fitzroy, na Patagônia (Argentina) | Foto: Jam Travels/Shutterstock
Vista panorâmica do topo das montanhas cobertas de neve do Monte Fitzroy, na Patagônia (Argentina) | Foto: Jam Travels/Shutterstock

O céu claro da Azul, a força do atacarejo e a churrascaria sem cotas

E mais: você poderá estar dirigindo um carro elétrico até 2025

Escândalo das passagens 

A alta demanda por viagens nacionais e internacionais nas férias de julho empolga o setor de turismo. Há pacotes para todos os tipos de lugares, mas o que tem pesado — embora não seja a causa de muita desistência — é o preço das passagens aéreas. Fernanda Demétrio, da Mundo Destinos, agência de turismo on-line, conta à coluna que um cliente acaba de deixar um roteiro em Mendoza, na Argentina, para fazer um cruzeiro em Manaus. Motivo: o valor para ir à Argentina “estava um escândalo”. 

Portugal ou Argentina?

Os destinos nacionais mais procurados para julho são Porto de Galinhas, em Pernambuco, e as cidades goianas de Rio Quente e Caldas Novas. Entre os estrangeiros, Portugal está na liderança, quase seguido da Argentina, por conta da temporada da neve. “Mas os preços realmente estão um absurdo, principalmente para a Argentina, quase o mesmo valor de ir para a Europa”, diz Fernanda. 

John Rodgerson, CEO da Azul | Foto: Matheus Obst/Shutterstock

O voo da Azul…

O norte-americano John Rodgerson, presidente da operação brasileira da Azul, disse em teleconferência a investidores que o alto preço do querosene da aviação, responsável por 35% dos custos do setor aéreo, não afastou o brasileiro de voar. Sobretudo porque o passageiro aéreo no país é tradicionalmente das classes A e B. Para ele, o desemprego por aqui não aumentou, e o consumidor aéreo — com mais poder aquisitivo — não perdeu renda. 

…do prejuízo ao lucro: R$ 2,65 bi

A Azul apresentou nesta semana lucro nos três primeiros meses de 2022, com o mesmo número invertido do prejuízo no mesmo período do ano passado: R$ 2,65 bilhões. A demanda segue em alta, diz Rodgerson, pelos números de viagens já programadas neste ano.

Sem cotas

A rede de churrascarias Fogo de Chão está em busca de jovens talentos brasileiros para um programa de trainee no exterior. Nada de cotas. As exigências são conhecimento avançado de inglês, estar no curso — ou formado — de turismo ou hotelaria e ser um profissional atualizado. As oportunidades serão em 60 restaurantes da rede pelo mundo. Nos Estados Unidos, cidades como Dallas, Miami, Chicago e Las Vegas receberão os brasileiros.

Churrasco gaúcho pelo mundo

Criada em 1979, em Porto Alegre, a Fogo de Chão comemora o melhor fim de semana do ano no Brasil, no domingo 8, por conta do Dia das Mães. Com 50 unidades no exterior, a companhia tem aumentado o investimento em seu país de origem, graças à entrada da Rhône Capital — que comprou 100% da empresa, por US$ 560 milhões, em dinheiro, em 2018. Em São Paulo, foram dois lançamentos neste semestre. O Rio de Janeiro se prepara para receber mais uma unidade, na Barra da Tijuca, mas o exterior não fica de lado. Ainda em 2022, outras seis opções serão abertas — uma no México, e outras cinco nos Estados Unidos, nos Estados da Flórida, Califórnia, Nova Iorque e New Jersey.  

Supermercado da rede Cencosud | Foto: Reprodução

A força do atacarejo… 

Misto de atacado com varejo e com preços menores do que os supermercados tradicionais, o atacarejo já domina 40% das vendas de alimentos no Brasil, segundo recentes dados da consultoria McKinsey. O setor fatura R$ 230 bilhões ao ano. “E cada vez mais as unidades se aprimoram, com locais com ar-condicionado e açougue, algo que não havia tempos atrás”, diz Danniela Eiger, head de varejo e co-head de equity research da XP. Com presença no país há 15 anos e mais de 350 lojas em oito Estados, o grupo chileno Cencosud fincou os pés em São Paulo, maior mercado do país. Eles anunciaram a compra há uma semana do grupo Giga, da família Nassar (também donos do supermercados Mambo), por R$ 500 milhões.

…e a queda dos hipermercados

A projeção feita por quem entende do riscado é que o atacarejo vai se expandir ainda mais, assim como os mercados premium, mais sofisticados, com produtos diferenciados e preços altos, para as classes A e B. Os hipermercados ficarão cada vez mais raros — e o momento simbólico para isso foi a venda do Extra Hiper pelo Grupo Pão de Açúcar, em outubro passado. O GPA simplesmente se desfez do negócio, porque o braço de hipermercados só trazia problemas financeiros. 

Oswaldo Ramos, executivo da GWM | Foto: Arquivo Pessoal

“Minientrevista: Oswaldo Ramos”

Com 30 anos no setor automobilístico, o executivo Oswaldo Ramos está à frente de diversas áreas (como vendas, produto, marketing e distribuição) da operação brasileira da montadora chinesa Great Wall Motors. A GWM, sétima maior montadora do mundo em valor de mercado, chega no fim do ano ao Brasil. Ele conversou com a coluna: 

A companhia anunciou que vai investir R$ 10 bilhões no Brasil. Por que a montadora escolheu o país para ter a maior fábrica fora da China? 

São dois fatores. O Brasil, com todos os altos e baixos, nos bons e maus momentos, sempre está entre os dez maiores mercados de carro no mundo. Nós somos importantes, e, apesar de sermos tão importantes, os produtos no mercado brasileiro estão defasados, com a falta de investimento no setor automotivo em geral no país nos últimos anos. É um mercado grande, com muita oportunidade e com o consumidor que já mostrou que não tem apego a uma marca tradicional. O que ele quer é uma nova tecnologia, e foi isso que a GWM enxergou no Brasil. 

A GWM projeta a produção de 25 mil carros elétricos em 2023 e quadruplicar esse número até 2025. Como serão os novos carros? 

Ainda não temos o valor final, mas serão carros eletrificados, muitos híbridos, e lembrando que só atingiremos a marca dos 100 mil veículos, porque teremos uma base de produção para toda a América Latina. Inaugurar uma montadora estrangeira no Brasil tem um ciclo, não só de produto, mas de nacionalização de componentes. Começa com toda a estrutura que precisa para criar uma marca dessa no Brasil — divulgação, marketing, pontos de vendas —, passa pela fábrica em si, como a de Iracemápolis, e segue para os fornecedores, em investimentos, como software e tecnologia local no Brasil, como células de hidrogênio, por exemplo. Não é só uma importação de carros, é produção e geração de tecnologia no Brasil.

O senhor acompanhou as transformações no perfil do consumidor de carro no Brasil nos últimos tempos. Qual foi a maior mudança?

O brasileiro sofisticou demais o consumo de carro. O poder aquisitivo é alto. Por isso, não faz mais sentido produzir carro básico no Brasil. 

bruno@revistaoeste.com 

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