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A psicose ambientalista ameaça o mundo

O Sri Lanka é a primeira vítima dos devaneios das elites ocidentais

O Sri Lanka é a primeira vítima dos devaneios ambientalistas das elites ocidentais. No fim da semana passada, em meio à crise político-econômica que assola a ilha asiática, milhares de cidadãos se rebelaram contra o governo e invadiram a residência presidencial. A pressão popular surtiu efeito imediato: o presidente do país, Gotabaya Rajapaksa, fugiu para as Maldivas num avião militar. O primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, assumiu interinamente o cargo e decretou estado de emergência. A convulsão social é iminente.

Essa catástrofe é resultado de décadas de incompetência de governos socialistas e do lobby ecologicamente correto de multinacionais, universidades e organizações não governamentais (ONGs). O Sri Lanka aderiu à agricultura orgânica, sob o argumento de não causar danos ambientais ao planeta, e seguiu à risca as práticas sustentáveis de Environmental, Social and Governance (ESG). De acordo com um relatório da consultoria World Economics, que avalia o índice de emissão de gases do efeito estufa emitidos por todos os países, a ilha asiática ultrapassa a marca de 98 pontos — considerando que 100 é a melhor nota, e zero é a pior. Suécia (96), França (92), Alemanha (90), Brasil (84), Rússia (54), Estados Unidos (51) e China (43), por exemplo, ficaram para trás.

Na prática, as políticas “sustentáveis” resultaram em escassez de energia, inflação e pobreza. Aproximadamente 30% das terras agrícolas de Sri Lanka foram inativadas no ano passado, em virtude da proibição de pesticidas e fertilizantes. Como resultado, 85% dos agricultores sofreram perdas nas safras. A produção de arroz caiu 20%, enquanto os preços subiram 50% em apenas seis meses. Mas não é só isso. O governo precisou importar US$ 450 milhões em arroz, apesar de o país ser autossuficiente na produção do cereal. Há apenas 2 milhões de agricultores na ilha asiática, mas 15 milhões de habitantes dependem direta ou indiretamente das frutas, dos legumes e das verduras produzidos pelos trabalhadores rurais.

De lá para cá, o país foi ladeira abaixo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 30% dos 22 milhões de cingaleses correm o risco de não ter acesso a alimentos, remédios e combustíveis. A economia está em frangalhos, e o governo suspendeu o pagamento de empréstimos estrangeiros. A dívida externa total está acima de US$ 70 milhões.

A “responsabilidade social”, segundo Milton Friedman

Para o engenheiro Helio Beltrão, fundador-presidente do think tank Instituto Mises Brasil, as práticas ESG visam a promover pautas que fogem aos interesses naturais das empresas. Ele se ampara nas ideias do economista Milton Friedman, que, em 1950, escreveu um ensaio intitulado A Responsabilidade Social das Empresas É Aumentar os Lucros.

Na publicação, Friedman afirma que as empresas devem se preocupar com seus investidores, não com os impactos sociais e ambientais dos negócios. O economista norte-americano também considera que “responsabilidade social” significa, em outras palavras, que os gestores têm de perseguir interesses antagônicos aos de seus empregadores (os acionistas).

Apesar dos riscos, o mundo corporativo está correndo para adotar as práticas de ESG, que envolvem a redução de emissões de carbono e a diversificação social do quadro de funcionários. Isso porque as empresas e os fundos de investimentos perceberam que os “ativos sustentáveis” somam mais de US$ 35 trilhões, segundo a Global Sustainable Investment Alliance.

De acordo com Nelson Ricardo Fernandes Silva, da consultoria ARP Risk, os investidores sempre vão preferir apostar em empresas lucrativas. “O ESG tem importância, mas a importância primária é gerar caixa — caso contrário, você quebra”, explicou o empresário. “Investir em ESG não necessariamente garante o futuro de uma empresa.”

O professor Aswath Damodaran, um dos principais especialistas em finanças do mundo, também relativiza a importância dos padrões ambientais, sociais e de governança das empresas. “Nunca vi um conceito com tão pouco por trás ser adotado por tantas pessoas e de forma tão entusiástica”, afirmou, durante evento de lançamento de seu novo livro, The Dark Side of Valuation.

Estrume como arma de protesto

Os tentáculos ecossocialistas não atingem somente a Ásia. Na Holanda, milhares de agricultores estão se manifestando contra as políticas ambientalistas impostas pelo atual governo. O primeiro-ministro do país, Mark Rutte, pretende reduzir drasticamente as emissões de óxido de nitrogênio até 2030. Esse composto químico provém especialmente do esterco e da urina de bovinos e suínos, mas também pode ser observado em fertilizantes.

Segundo os agricultores holandeses, essa medida resultará na extinção de 30% das fazendas do país. Isso porque os trabalhadores rurais poderiam ser proibidos de usar fertilizantes e teriam de reduzir o número de animais em suas propriedades. A insatisfação dos manifestantes também se justifica pelo fato de as medidas de redução de nitrogênio não serem impostas a outros setores da economia, como o da indústria aérea.

O clima é de tensão. Em um dos protestos, realizado na semana passada, pequenos tratores de manifestantes levaram tiros depois de passar por bloqueios policiais. “Uma situação ameaçadora surgiu”, informaram as autoridades. “Tiros de advertência foram disparados.”


Em virtude da paralisação das atividades rurais e dos protestos pelo país, o desabastecimento se tornou um problema para os consumidores. “Estão ficando sem comida”, disse o escritor James Melville, no Twitter.

Os agricultores ainda derramaram estrume nos escritórios do governo e nos arredores das casas dos ministros.

Diante desse cenário, Rutte acusou os manifestantes de cometerem excessos. “Vocês podem protestar, mas de maneira civilizada”, afirmou. “Não bloqueiem estradas, não soltem fogos de artifício do lado de fora da casa de uma ministra, não espalhem estrume, não assustem crianças nem ponham famílias em perigo.”

O premiê escolheu Johan Remkes, ex-vice-primeiro-ministro, como mediador das discussões com os agricultores. Em 2020, Remkes participou da produção de um relatório com críticas às emissões de óxido de nitrogênio.

De acordo com o portal DW, a Holanda tem quase 55 mil empreendimentos rurais, que somaram exportações de € 94,5 bilhões em 2019.

Suicídio atômico

A Alemanha, fortemente comprometida com a energia limpa, mandou às favas as políticas ambientalistas e está se preparando para acender as usinas de energia a carvão. “Estamos montando uma reserva substituta de gás natural”, disse o vice-chanceler e ministro da Economia, Robert Habeck. “Isso é difícil, mas quase necessário, reduzir o consumo de gás russo.”

Assim que chegou ao governo, em dezembro do ano passado, Habeck pediu a seus funcionários mais graduados uma avaliação minuciosa da dependência alemã da energia russa. O resultado foi assustador. Berlim dependia consideravelmente de hidrocarbonetos russos para abastecer veículos e fábricas, mostrou reportagem publicada no The Wall Street Journal. E não havia um plano de contingência para garantir outros suprimentos.

Assim como o ambientalismo, as práticas ESG não têm origem em países subdesenvolvidos, que sofrem com a extrema pobreza, com a escassez de alimentos e com a falta de energia elétrica

No fim de seu mandato, a ex-chanceler Angela Merkel impôs uma série de políticas para comprar energia a preços mais baixos. Isso resultou no aumento das importações russas, que representaram 55% do consumo de gás do país, 50% do consumo de carvão e 35% do consumo de petróleo. Como resultado, a Alemanha passou a ser o maior comprador mundial de gás natural russo e um dos países mais dependentes do Kremlin na União Europeia (UE).

Nas semanas posteriores à invasão da Ucrânia, que teve início em 24 de fevereiro, Berlim gastou bilhões de dólares dos pagadores de impostos para reduzir a dependência da energia russa. Esse dinheiro foi usado na compra de empresas de propriedade de Moscou na Alemanha, em uma tentativa de garantir novos suprimentos. Mas não funcionou.

Na prática, a maior economia da Europa está enfrentando uma escassez de gás natural. “O impasse é ainda maior se você acabou de fechar metade de suas usinas nucleares e insiste em fechar o restante delas em questão de meses, enquanto seus problemas relacionados à energia se intensificam”, observou o jornalista J.D. Tuccille, em artigo publicado na Edição 120 da Revista Oeste.

Há apenas três usinas nucleares conectadas à rede de energia da Alemanha. Elas permanecerão fechadas até o fim de 2022, como parte dos planos do governo de eliminar totalmente essa fonte de energia.

O perigo da militância verde

Assim como o ambientalismo, as práticas ESG têm origem não em países subdesenvolvidos, que sofrem com a extrema pobreza, com a escassez de alimentos e com a falta de energia elétrica. Na realidade, essas ideias prosperam apenas em regiões nas quais o sistema capitalista foi capaz de prover riqueza, abundância e desenvolvimento tecnológico, condições sem as quais as elites políticas, financeiras e intelectuais não teriam o conforto necessário para promover pautas relacionadas à “energia limpa”, à “diversidade” e à “agricultura sustentável”.

Como observa o deputado estadual Frederico d’Avila (PL-SP), o ambientalismo e as práticas ESG estão contribuindo não para o desenvolvimento dos países, mas para aniquilá-los. “Essas pautas servem para dividir a população”, afirmou.

Sri Lanka é a prova de que discursos ecologicamente corretos não constroem indústrias pujantes nem promovem o bem-estar da população. Depois de aderir à agricultura orgânica e às práticas ESG, o governo cingalês destruiu a produção agrícola do país, acumulou despesas impagáveis e provocou uma convulsão social.

Na contramão da “sustentabilidade”, países como Alemanha, Estados Unidos e França, propagandistas fanáticos da agenda verde, não hesitam em acender as usinas de energia a carvão. Apesar da crise econômica global, causada pela pandemia de coronavírus e acentuada pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia, não há alemães, norte-americanos nem franceses que vivam situação similar à vivenciada pelos cingaleses.

Leia também “Síndrome da Insanidade Climática”

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11 comentários Ver comentários

  1. Se o PT voltar, podemos começar a nos preocupar com escassez e falta de alimentos. Essa organização criminosa é radicalmente contra o agro e num eventual governo da quadrilha, com certeza haverá redução na produção de alimentos. Aliás, no governo Dilma foi por tris que escapamos de grandes retrocessos na agropecuária.

  2. O mundo caminhando a passos largos para a propulsão híbrida e elétrica, além da produção de energia elétrica solar, e esses loucos querendo destruir os países, através da fraude ambiental, para impor um governo mundial.

  3. O Brasil ainda não tem um papel algum no uso dessas teorias, mas fiquemos atentos, os movimentos estão começando. Não podemos cair nessa armadilha. A Alemanha já está pagando o preço, e isso que ela é uma das riquinhas que se acharam acima dos pobres, querendo cobrar de países pobres o uso dessas demagogias.

  4. O que danado essa Nova Ordem Mundial quer, o planeta só pra ela? É pretensão cósmica. A terra é determinista, o homem é uma formiga. Não intervenham no processo evolutivo, o homem tem que sobreviver, o comando é do planeta, a evolução é intrínseca da matéria, saiam da frente seus idiotas!

  5. Ainda não vi nenhum artigo sobre o ativo papel do Brasil nessa psicose. Basta estudar a trajetória do Sirkis e a PGM/RJ dos anos 80/90.
    Ah! É bom estudar pois essa turma já está vendendo o ECA como modelo a ser seguido pelo mundo.

    1. Olá, Joviana. Obrigado pelo comentário.

      Não há artigo sobre o tema porque o Brasil não desempenha papel algum nessa psicose.

      Quem age para promover as pautas ambientalistas são as universidades, os “intelectuais”, as ONGs e as grandes empresas. Esses grupos que pressionam os Estados nacionais a mudar suas políticas ambientais.

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