Luiz Edson Fachin, ministro do STF | Foto: Montagem Revista Oeste/STF/SCO/Shutterstock
Luiz Edson Fachin, ministro do STF | Foto: Montagem Revista Oeste/STF/SCO/Shutterstock

O poeta Fachin

O ministro se despediu do comando do TSE com um discurso repleto de elogios a si mesmo e pitadas de poesia

Nesta semana, o ministro supremo Edson Fachin se despediu do comando do Tribunal Superior Eleitoral, com um discurso repleto de elogios a si mesmo e pitadas de poesia. Faltou, claro, um grau maior de autocrítica, ou de “semancol”, alguns diriam. Vamos esmiuçar as partes mais importantes.

“Ao longo dos últimos 175 dias, os afazeres da Corte foram direcionados à busca por paz e segurança para as eleições gerais de 2022, o que se deu por meio do diálogo, da estruturação do combate à desinformação, da eficiência na gestão do processo eleitoral, da promoção da transparência eleitoral, integridade, diversidade.” Foi exatamente isso, só que ao contrário.

Nesse período, Fachin convidou de forma indevida embaixadores para demonstrar preocupação com um potencial golpe futuro do presidente, insinuou que poderia haver ataque de hackers russos enquanto o presidente estava em viagem diplomática na Rússia, alfinetou as Forças Armadas de graça, recusou-se a debater com a sociedade e com aqueles que desconfiam do processo eleitoral, preferindo rotular essa gente toda de “negacionistas”.

Edson Fachin | Foto: SCO/STF

De outro giro, mas ainda dentro dessa perspectiva dos diálogos internos à República, a gestão que se encerra promoveu o diálogo incessante com todos os partidos políticos nacionais. Repito, todos os partidos políticos, demonstrando, desde logo, caráter “dialógico e democrático”. Não foi bem assim, para dizer o mínimo: Fachin recebeu os partidos da esquerda radical e também o Prerrogativas, grupo de advogados petistas. Recusou o convite de Bolsonaro no evento com os embaixadores, alegando que não seria adequado pelo “dever de imparcialidade”. Somente após forte repercussão negativa, ele aceitou se encontrar com advogados conservadores também.

Em todas essas interlocuções firmou-se, entre a Justiça Eleitoral e a integralidade dos partidos políticos nacionais, um pacto de cooperação na atuação do Programa de Enfrentamento à Desinformação. Disso só se pode extrair uma única conclusão: há um pacto político-institucional de âmbito nacional pelo combate à desinformação e às fake news. Na verdade, há enorme pressão por parte do próprio Fachin para que ninguém mais possa tecer críticas ou demonstrar desconfiança para com nosso sistema opaco, centralizado e utilizado apenas por Butão e Bangladesh.

Luiz Edson Fachin, ministro do STF | Foto: SCO/STF

Quais seriam essas fake news? Que o sistema é inviolável, como garantiu Barroso, ignorando que houve uma invasão hacker e que o STF preferiu atirar no mensageiro, abrindo inquérito para investigar Bolsonaro por ter tornado público o inquérito que não era sigiloso da Polícia Federal? Ou talvez a fala do mesmo Barroso alegando que Bolsonaro deseja a volta do voto em papel, quando o presidente deixou claro que era o voto impresso defendido e explicado até pelo site do próprio TSE?

O que Fachin deseja, está claro, é impor uma narrativa de que nosso sistema eleitoral é praticamente perfeito e invejado pelo mundo todo, mesmo que os países mais ricos e desenvolvidos tecnologicamente se recusem a adotar tal modelo. A pressão chegou até as redes sociais, que precisam aderir ao Ministério da Verdade criado na prática por Fachin e seus companheiros.

Há enorme pressão por parte do próprio Fachin para que ninguém mais possa tecer críticas ou demonstrar desconfiança para com nosso sistema opaco

Em seguida, Fachin passou a fazer elogios aos funcionários do TSE e aos seus parceiros de fora, mencionando várias iniciativas que supostamente garantem a segurança das urnas. O ministro só ignora que, quanto mais gente estiver envolvida nesses processos, maior o risco de falha humana, de fraude. Qualquer cidadão tem o dever de cobrar mais transparência, mas isso, por si só, tem sido visto por Fachin como “golpismo”.

Os mesmos políticos que até “ontem” desconfiavam das urnas eletrônicas, ou que ajudaram a derrubar o veto de Dilma sobre o voto impresso, hoje fazem coro a Fachin e repetem que só um golpista pode deixar de reverenciar nossa magnífica urna! Lula, Simone Tebet, Rodrigo Maia, Ciro Gomes, Roberto Requião e muitos outros já acompanharam no passado (recente) as desconfianças de Bolsonaro, mas agora, em conluio com Fachin, todos insistem que só um golpista pode considerar a possibilidade de fraude num sistema tão maravilhoso…

Luiz Edson Fachin, ministro do STF | Foto: SCO/STF

Mais confortável e solto após tantos elogios internos, Fachin começou a soltar suas alusões poéticas, artísticas e, claro, ideológicas: “Gilberto Gil costuma cantar que a Bahia lhe deu régua e compasso, aqui no Tribunal Superior Eleitoral, a Bahia nos presenteou com a Dra. Samara Carvalho Santos, que também é conhecida como Dra. Samara Pataxó, cuja disciplina e  dedicação à causa indígena e à temática da diversidade coroou, com o mais vívido e imponente cocar, sua atuação na Justiça Eleitoral”. O que a causa indígena ajuda na transparência e na confiança da urna permanece um mistério.

“Não há dúvidas de que a transparência é um dos elementos mais relevantes para a aferição da qualidade de uma democracia. Como é cediço, o processo eleitoral transparente é aquele que se mostra aberto à fiscalização, sendo, na ótica tanto do eleitorado quanto dos atores políticos, mediado por uma instituição confiável e dialógica. Ciente disso, este Tribunal tem disponibilizado informações, justificado as suas decisões e estabelecido um fluxo comunicativo que se traduz em efetiva governança horizontal e democrática.”

Em que pese o palavrório difícil, na prática o que se tem é um sistema que ignora o próprio Código Eleitoral Brasileiro, que exige aferição pública dos votos, algo impossível com esse modelo opaco. Nossas urnas tampouco são auditáveis, como já constatou o PSDB ao contratar especialistas internacionais na eleição de 2014, e também a Polícia Federal em inquérito. E, como sabemos, não há qualquer diálogo com um dos dois principais candidatos à Presidência, que desconfia do atual sistema faz tempo, e vem sendo demonizado por isso pelo próprio Fachin.

“Eu e a maioria esmagadora da população brasileira, como se viu na última pesquisa Datafolha, acreditamos na urna eletrônica”, disse Fachin, ignorando que a esmagadora maioria da população brasileira não acredita no DataFolha, que sempre erra inflando o número dos candidatos de esquerda, e que pesquisas mais sérias mostram no mínimo um terço dos eleitores céticos com as urnas. Se um em cada três eleitores não confia muito no sistema, isso significa um problema grave para a democracia, não? E, em vez de trabalhar para oferecer melhorias e mais transparência, Fachin prefere acusar esse mar de gente de “negacionista”.

Luiz Edson Fachin, ministro do STF | Foto: SCO/STF

Por fim, Fachin puxa da cartola a poetisa brasileira para encerrar: “Helena Kolody tinha razão ao dizer que quem pinta estrelas no muro tem o céu ao alcance das mãos. Quem defende a democracia a toca diariamente e vive num país melhor”. Fachin, que já foi garoto-propaganda de Dilma Rousseff para que prosseguissem juntos “na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens naturais, um país socialmente justo que continue acelerando a inclusão social”, entre outras balelas. Fachin, o simpatizante do MST!

Enfim, Fachin pode ser um bom poeta, para aqueles com a visão estética de mundo, que só ligam para aparências, para falas bonitas, ainda que dissociadas da realidade. Fachin só não é mesmo um bom juiz, um ministro imparcial.

Leia também “Eu sou o Bem”

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27 comentários Ver comentários

  1. Infelizmente, principal ator do ativismo judicial atual, juntamente com o Amoral cabeça de ovo, agem assim como atores da ditatoga, face a existir no senado federal um presidente em conluio com estes e outros sinistros, um presidente do senado frouxo, banana, e mal intencionado para com a nação e o povo brasileiro, um vagabundo que só está interessado em ver vencedores os processos que ele Pacheco defende no STF a favor das mineradoras mineiras e contra a população e as famílias atingidas com o rompimento das barragens mineiras ceifando centenas de vidas, depende dos ministros lhe dar ganho de causa a favor das empresas para que este safado coloque os milhões dos honorários no bolso. Mais dia menos dia, o povo brasileiro vai meter os pés na bunda deste covarde interesseiro e lesa pátria e mandá-lo pra rua. Assim esperamos que o povo mineiro e brasileiro aja com este imbecil.

  2. Torço para que na terra de onde veio esse ‘poeta de rimas miseráveis’ não tenham nascido mais pessoas que saibam cometer ‘fachinadas’.

  3. O indivíduo foi advogado do MST e apoiou a candidatura de Dilma. O seu grande ato foi libertar seu ídolo Lula. Uma vergonha estar no STF, continua advogando.

  4. Na real, o TSE é um órgão desnecessário, que não tem similar no mundo. Só no Brasil existe TSE, nos demais países existe a justiça comum, que julga também questões eleitorais. Fora que os presidentes que vem do STF são todos parciais, favorecendo a esquerda. Prova isso o fato de Loola falar os maiores absurdos e o TSE se fazer de cego e surdo.

  5. Como pode uma pessoa estudar tanto, para no fim da vida se transformar num sicário do seu senhor? Essas pessoas parecem que não tem família, parente, amigos, vizinhos e etc…, devem viver em uma arribana, pra ter coragem de proferir um esculacho desse tipo para os eleitores. Por que essa postura de desrespeito a constituição, para favorecer o seu amo infrator? Medo, contra partida? Muito difícil de responder para quem é racional e cumpridor dos seus deveres.

  6. Fachin é um militante fanático da doutrina esquerdista e, como todo fanático, acredita que os fins justificam os meios. No caso o STF e sua toga são os meios para trazer de volta ao poder o criminoso que pretende abraçar-se com Cuba Venezuela, Colômbia, Chile e Argentina para fazer da AL um grande continente vermelho (e miserável).
    Certo da sacralidade de sua missão de trazer ao Brasil o socialismo, não se envergonhou em soltar um criminoso por meio de um bizarro ardil jurídico nem de agir de forma torpe em defesa das tais urnas de cuja virgindade duvidar tornou-se um crime, inserido às pressas num código penal paralelo que o militante togado criou e promulgou.
    Finalmente, numa inversão surrealista dos fatos, apensou o epíteto de antidemocrático a qualquer um cidadão ou grupo que ouse questionar seus dogmas sobre urnas virginais e seus conceitos rasurados de democracia.

  7. Tenho insistido dentro do (muito) limitado alcance das mídias sociais em que escrevo, que os defensores do voto auditável estão cometendo um erro estratégico ao insistirem somente na vulnerabilidade das máquinas de votação em uso no Brasil. Concordo, não são invulmeráveis, nem as máquinas nem os sistemas de apuração.
    Mas a questão principal ligada ao voto auditável ou não passa longe da tecnologia. Auditoria em eleição é uma QUESTÃO DE PRINCÍPIO. Princípios são princípios, como os morais, incontornáveis.
    Tenho idade suficiente para ter visto eleição municipal ser decidida por um voto.
    De nada adianta os senhores Fachin ou Barroso afirmarem que a confiabilidade das urnas, seja contra fraudes ou contra falhas, é de 99,99…% Não importa. O PRINCÍPIO reza que na dúvida os votos de uma urna precisam ser recontáveis. Ponto. Este conceito precisa entrar na cabeça de todos.

    1. Concordo plenamente. O foco do contraditório não é urna, mas a necessidade de sanar qualquer dúvida relativa ao processo eleitoral como um todo, com a possibilidade e recontagem física de votos. Qualquer discussão fora deste escopo é mero blá-blá-blá.

  8. Quem tem uns funcionários Públicos dessa estirpe do STF não pode esperar nada pior. Os caras são de dá dó. O povo não é bobo lote de coisa ruim

    1. Um grande exemplo que temos da enorme estupidez de uma gente brega e de ego muito inflado, sabe Deus porquê, que pensa que o povo é cego ou burro.

    1. ALÉM DE CRÁPULA ESCARRADO: UM DEMENTE, SENIL E DECRÉPITO. VELHO E VELHACO. ESCÓRIA ELEMENTAR E EXEMPLAR, QUE JUNTO AOS ESQUERDOPATAS INÚTEIS, HISTÉRICOS, ANORMAIS, ESQUIZOFRÊNICOS E SEGUIDORES DE UM CERTO MARGINAL, QUE FOI POSTO EM LIBERDADE POR ELE, COM A LENIÊNCIA, COMPLACÊNCIA E CONIVÊNCIA DA ANTIGA E VELHA IMPRENSA (HOJE, IMPRENSA MARROM), ALÉM DOS SEUS OUTROS COLEGUINHAS DO $TF … ENFIM, UM PULHA !!! UM DISSIMULADO, MENTIROSO, COMUNISTA DESPREPARADO E DEVOTO DO MAIOR CORRUPTO EXISTENTE NA FACE DA TERRA:#OLULARÁPIOLULADRÃO

  9. Esse ministro se comporta como ativista político e não esconde a sua preferência pelo caminho da discórdia e da desinformação. Que lamentável! o Parlamento precisa discutir e votar urgentemente o mandato temporário para os integrantes de uma Corte que se acha acima do bem e do mal, e que declara a cada dia que suas ações rotineiras afrontam a Constituição do País!?

  10. Excelente texto Consta. Há aqui no mínimo uma 1/2 dúzia de motivos para ele ser impichado. Mas se depender do Pacheco…….. ; PACHECO, este conta é sua e jamais iremos esquecer !

  11. Esse monte de estrume que responde pela alcunha de FachinORA acha que engana a todos.
    O que falta o Presidente Bolsonaro dizer é: “você descondenou o Lula usando um artifício ridículo, passou por cima da decisão de nove juizes em três distâncias diferentes com o único intuito de torná-lo elegivel e atráves de uma fraude nas urnas que não podem ser auditadas colocá-lo de volta na presidência do país”.
    Por essa razão, estou ordenando às FFAA que o prenda por desrespeito a Constituição, bem como os teus comparsas Barroso, Moraes, Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Lewandowski , Luis Fuz e Rosa Weber pelos mesmos motivos. E que consequentemente estão destituidos de seus cargos. Serão investigados e com base nas provas a serem apresentadas serão julgados por seus atos por uma Corte Militar. Caso sejam considerados culpados, serão sentenciados a cumprir pena de prisão”.
    Não é maravilhoso????

  12. Com tanta gente boa no Paraná, fornecemos um comunista desse para servir o país. Que lástima! Culpa do Álvaro Dias. Tomara que isso lhe custe a vaga de Senador, para pagar pelo seu pecado.

  13. Não há como deixar de comparar nossos iluminados ministros aos Acadêmicos de Sião (embora separados por séculos e em número de 14 e não de 11), que se consideravam infalíveis e não passavam de “Camelos” na opinião da sociedade. Fachin é o mais caricato de todos.

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