MorumbiShopping, eleito o melhor shopping da cidade de São Paulo | Foto: Divulgação
MorumbiShopping, eleito o melhor shopping da cidade de São Paulo | Foto: Divulgação

Estacionamentos lotados

O número de carros nas vagas dos shoppings é um termômetro da economia

O gigante brasileiro dos shopping centers Multiplan baniu internamente o uso da palavra “retomada” entre seus executivos. Por um bom motivo: a expressão é coisa do passado, na avaliação dos diretores. A reconquista do público e o aquecimento do setor aconteceram mesmo a partir do terceiro e quarto trimestre de 2021.

A ordem agora é falar e focar apenas em crescimento. “Nossos lojistas estão vendendo mais do que em qualquer outro momento da história”, diz Armando d’Almeida, diretor vice-presidente e de relações com investidores da Multiplan. A frase de um dos principais executivos da empresa se ampara em números: as vendas dos lojistas no segundo trimestre deste ano chegaram a R$ 4,9 bilhões, 64,5% a mais do que no mesmo período de 2021.

O termômetro da economia 

Fundada em 1975, e listada na Bolsa de Valores de São Paulo há 15 anos, a Multiplan tem um portfólio com 20 grandes shoppings centers no país, voltados a classes mais abastadas, como o MorumbiShopping, em São Paulo, o BarraShopping, no Rio de Janeiro, e o BH Shopping, em Belo Horizonte. O movimento e o consumo de um shopping center costumam ser um bom termômetro para qualquer economia do mundo. É lá o espaço onde as pessoas entram para comprar de roupas a calçados e almoçar ou jantar na praça de alimentação. Para atender a essa massa de consumidores, é onde costuma haver também muito emprego. Os shoppings do grupo movimentam 80 mil postos de trabalho.

VillageMall, localizado em uma das áreas mais privilegiadas da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação


Quem consome mais

A pedido da coluna, a Multiplan apresentou os cinco shoppings com as maiores altas em vendas do Brasil:

— MorumbiShopping, São Paulo (SP)

— VillageMall, Rio de Janeiro (RJ)

— ParkShopping Canoas, Canoas (RS)

— Barigui Shopping, Curitiba (PR)

— Parque Shopping Maceió, Maceió (AL)

Destaque na lista acima para o carioca VillageMall, voltado para um público de altíssima renda, com crescimento de 60% em vendas.

Fluxo em alta

Na quarta-feira 17, um outro dado animou o setor: os shopping centers brasileiros cresceram 38% nas vendas do segundo trimestre, na comparação com o mesmo trimestre de 2021. Se mirar no mesmo período de 2019, a alta é de 4,3%. O fluxo de pessoas foi ainda maior, com alta de 58,7%, na comparação com 2019, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers com base em levantamentos do Índice Cielo de Varejo em Shopping Centers (ICVS).

RibeirãoShopping prevê a construção de quatro edifícios residenciais de alto luxo e uma nova torre comercial.| Foto: Divulgação


Alta de 231%

Um estacionamento cheio de carros é um termômetro que os executivos de um shopping center costumam usar para saber como vai fechar o caixa do mês. Foi assim que José Isaac Peres, CEO da Multiplan, anunciou aos quatro ventos a expectativa deste primeiro semestre: não havia mais vagas de estacionamento no fim de semana do Dia dos Namorados. “Algo incrível, que eu não via há muitos anos”, disse Peres. Menos de dois meses depois de bradar que seus shoppings estavam cheios, a empresa anunciou o salto nos ganhos: o lucro líquido de abril a junho somou R$ 172,5 milhões, alta de 84% sobre os mesmos meses de 2021. Não é um movimento repentino, mas uma continuação dos primeiros meses do ano. Em 5 de abril, Oeste destacou em seu site que a Multiplan teve o melhor março da história da empresa, com vendas totais de R$ 1,4 bilhão. Foi uma alta de 231%, se comparada com o mesmo mês de 2021, e 20,6%, em contraste com 2019. Naquele 5 de abril, a companhia tinha sido a ação mais valorizada na B3, depois do resultado histórico.

ParkShoppingSãoCaetano está localizado no primeiro bairro projetado da região | Foto: Divulgação


Nação dos shoppings 

Administrar uma variedade de shoppings em um país com a extensão e variedade de culturas como o Brasil não é tarefa fácil. “Cada shopping é um shopping. Cada shopping tem um consumidor com um perfil e características diferentes”, diz Armando d’Almeida. “Nós mesmos, consumidores, vamos mudando ao longo do tempo. Não temos o mesmo hábito de consumo de dez, 12 anos atrás.” D’Almeida diz que uma das missões da equipe na sede da empresa, no Rio de Janeiro, é identificar as mudanças de hábitos de consumo do brasileiro. “O que as pessoas vão precisar na frente e antever isso. Esse é um trabalho de gestão, de antecipar tendências.” O executivo fala ainda que juros e inflação altas não têm impactado os shoppings do grupo. “A inflação de certa forma acaba acelerando a pessoa para comprar hoje, com medo de subida de preço na frente. Estamos há 48 anos em operação, já vimos ciclos diferentes, com juros muito mais altos. Neste momento, o que a gente tem visto é um crescimento nas compras”, diz. Em 12 meses, a Multiplan chegou a R$ 18,2 bilhões em vendas.

ParkShoppingCampoGrande, na zona oeste do Rio de Janeiro | Foto: Divulgação

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R$ 10 bilhões em agosto

Agosto fechou a primeira quinzena e os investidores estrangeiros colocaram cerca de R$ 10 bilhões na bolsa brasileira nesse curto período. Até terça-feira 16, o saldo de agosto é uma entrada de R$ 11,8 bilhões vindos de fora, segundo dados da B3.

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Carro elétrico da 99 | Foto: Divulgação


Elétricos no aplicativo

A 99 corre para liderar a corrida dos carros elétricos em sua plataforma. Na próxima semana, a empresa de mobilidade, em parceria com a Movida, vai colocar 50 carros elétricos da Nissan na locadora à disposição de motoristas escolhidos pela empresa. Os interessados terão um desconto de até 50% no aluguel de carros elétricos, além de R$ 1 mil para quem aderir ao programa. Até dezembro, o aplicativo promete colocar 300 carros elétricos nas ruas de São Paulo, um dos primeiros passos para ter 10 mil veículos elétricos no Brasil até 2025.

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Ator Tony Ramos | Foto: Reprodução/Redes sociais


Novelão do agro

A Globo programou para maio uma novela das 9, em pleno horário nobre, tendo o agronegócio como pano de fundo. Sem alarde, uma equipe de produção esteve há duas semanas em Mato Grosso do Sul para pesquisar locações da história, que será escrita pelo autor Walcyr Carrasco. Nenhuma cidade do Estado será mencionada, a priori. A sinopse prevê uma cidade fictícia para ambientar a trama. Terra Vermelha é o nome da novela com que se trabalha internamente, mas ainda não foi batido o martelo se esse é o nome final. Tony Ramos é um dos nomes cotados para o elenco.

bruno@revistaoeste.com 

Leia também “A churrascaria, os bancos e o Capitão Gay”

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4 comentários Ver comentários

  1. “Novelão do Agro”… essa merda de Globolixo odeia o Agro. Faz novelinha homenageando o MST, seus canalhas vagabundos. Chama o terrorista Stedille para protogonista. Malditos!!

  2. Não entendi essa frase: “…as vendas dos lojistas no segundo semestre deste ano chegaram a R$ 4,9 bilhões, 64,5% a mais do que no mesmo período de 2021.”

    Como? O segundo semestre mal começou.

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