B3, na rua XV de Novembro, centro de São Paulo | Foto: Shutterstock
B3, na rua XV de Novembro, centro de São Paulo | Foto: Shutterstock

O capitalismo brasileiro mostra sua força

A Bolsa de Valores de São Paulo está cada vez mais jovem, feminina, nacional, democrática e pop

Aos 132 anos de idade, a Bolsa de Valores de São Paulo está rejuvenescendo. Ela está também um pouco mais feminina, com as mulheres entrando com valores bem maiores que os homens. Além disso, expande-se rapidamente para outras regiões do Brasil, embora o eixo São Paulo–Rio seja o principal mercado. Essas importantes mudanças apareceram num minucioso e extenso estudo inédito feito pela B3 que mapeou o perfil do investidor brasileiro. “Houve uma mudança estrutural nos últimos dois ou três anos no país”, diz Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3. “Seja pelo lado da demanda, com as pessoas procurando alternativas de investimento, ou pelo lado da oferta, com instituições financeiras brasileiras que começaram a criar alternativas de tecnologia e de acessos mais fáceis”.

Felipe Paiva, da B3: “Houve uma mudança estrutural nos últimos anos no país” | Foto: Divulgação

Os jovens, o mito…

O jovem brasileiro derrubou mitos do passado: o de que entrar na bolsa é sinal de correr altíssimos riscos de perda de dinheiro, que é coisa de gente mais velha e que tem muita grana. A maioria dos investidores de ações diretas tem menos de 40 anos. E 48% de quem entra no mercado de ações no país tem idade entre 25 e 39 anos. O segundo semestre de 2022 mostrou que a tendência se acirra ainda mais neste ano: 11% têm até 24 anos e outros 50% entre 25 e 39 anos. “Os jovens quebraram lendas de mercado”, analisa Paiva. “Anos atrás, nossa bolsa tinha de 20% a 30% de jovens. Isso praticamente dobrou.”

…e a comunicação

A massa que rejuvenesce a B3 e é atraída por uma variedade de investimentos (ações, fundos imobiliários, títulos de renda fixa) surgiu por conta da comunicação. Na avaliação dos executivos da B3, falar com frequência do tema, na mídia ou entre influenciadores digitais, faz com que se quebre o que no passado era um bicho de sete cabeças. A bolsa ficou pop.

A pechincha da bolsa…

Muito por conta da juventude que entra e poupa mais, a B3 identificou que o primeiro acesso à bolsa acontece com valores cada vez menores. Em junho de 2022, a média de primeiro investimento das 109 mil pessoas que entraram foi de R$ 95. Para efeito de comparação, em março de 2020, era de menos de R$ 1.600. Em julho de 2015, era de cerca de R$ 4.700. No mesmo mês da pesquisa (junho de 2022), um dado chamou ainda mais atenção: 38% de quem entrou investiu quantias até R$ 40.

Fachada da B3, em São Paulo, é a segunda mais antiga do país e localizada no prédio onde funcionava a antiga Bovespa | Foto: Shutterstock

…agrada aos gestores

Os números não desanimam os executivos da B3. Pelo contrário. “É uma maneira de pegar uma parcela de seu patrimônio e colocar lá para conhecer um pouco mais e aprender na jornada de investimentos”, diz Paiva. Com a poderosa base de dados dos clientes, o executivo reparou que a maior parte dos que começaram com uns R$ 40 seguiu investindo, e muitos passaram a ter, em média, e sem revelar o período de tempo, uma quantia de R$ 3 mil. “O investimento vai se acumulando.”

Poder feminino

A entrada das mulheres em investimentos de maior risco, como ações diretas, se mantém estável: elas são 25% do mercado de equities em geral, enquanto os homens ultrapassam 70%. Quando se mede a renda fixa, os gêneros praticamente se igualam — 50% cada um. Mas o que tem disparado é o valor médio de entrada da ala feminina, uma avenida de diferença com os homens: a pesquisa mostra que as brasileiras entram com um aporte inicial de quase R$ 500, contra R$ 71 deles.

Mulheres têm investido mais e em aplicações de maior risco | Foto: Shutterstock

Norte e Sul

A Região Sudeste ainda concentra a massa de investidores no Brasil, com 2,5 milhões de CPFs. Mas o estudo apontou um crescimento espantoso em outros lugares do país. Os destaques ficam para o Norte, com um aumento que ultrapassa 1.100%, e o Nordeste, com uma alta de mais de 800%, e de novos investidores neste ano, na comparação com 2018. “Aqui mostra que outras regiões descobrem o investimento”, diz Paiva. “O acesso está muito mais fácil. Pelo celular, você consegue realizar seu investimento, seja em qualquer parte do Brasil, seja do mundo”. De novo, a B3 credita à comunicação a forte penetração de novos investidores vindos de outras regiões.

A bolsa em alta…

A B3 comemora também a solidez de crescimento em investimentos de renda variável, mesmo num cenário de taxas de juros elevadas (13,75% ao ano). Entre julho de 2021 e junho de 2022, houve a entrada de 1,25 milhão de novos investidores. Isso fez a quantidade de CPFs saltar 40% — de 2,14 milhões para 4,40 milhões de pessoas. Quando se olha para o investimento em ações diretamente, o avanço foi de 15% no último ano, para 3,2 milhões de CPFs.

Movimento nos gráficos do balcão da Bolsa de Valores de São Paulo, B3 | Foto: Shutterstock

…e o trilhão da renda fixa

A renda fixa teve um salto de 21% nos últimos 12 meses na carteira de investidores brasileiros. O ativo atingiu 11,9 milhões de CPFs. O valor em custódia teve alta de 32%, para mais de R$ 1,3 trilhão.

14 milhões de dados

O mapeamento do estudo apresentado nesta edição da coluna só foi possível ser realizado graças ao vasto arsenal de dados da B3. “Todas as informações que se tem de investimentos passam pela Bolsa de Valores”, resume Paiva. Estamos falando dos dados de cerca de 14 milhões de pessoas que investem em algum produto financeiro no Brasil.

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