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Uma moto elétrica traz tecnologia smart, conectividade e inteligência artificial | Foto: Divulgação/Voltz
Edição 155

A Tesla brasileira

Startup de motos elétricas usa tecnologia de ponta para a segurança dos clientes (e para vender mais)

Bruno Meyer
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Líder em vendas de motos elétricas no Brasil, a startup Voltz quer ser uma espécie de Tesla brasileira. A frase soa exagerada, e é. Mas a comparação entre a montadora mais valiosa do planeta (de propriedade de Elon Musk) e a fabricante de motos elétricas fundada em Pernambuco acontece por oferecer uma cartela de escassos modelos elétricos e, sobretudo, pelo uso extensivo de tecnologia. Neste ano, a Voltz tem aprimorado e desenvolvido novas tecnologias, para cruzar centenas de informações dos usuários, da aceleração à frenagem até o rendimento da bateria dentro de uma motocicleta. Deverão ser produzidas 100 mil motos neste ano, em uma fábrica própria lançada em 2022, na Zona Franca de Manaus, com um investimento de R$ 12 milhões. As motos já vêm com um pacote de conectividade instalado dentro do veículo, o que permite que ele se comunique diretamente com os servidores da empresa. 

Deverão ser produzidas 100 mil motos neste ano | Foto: Divulgação

A startup brasileira e a Tesla

A Tesla — que colocou uma meta ousada e agressiva de produzir 20 milhões de carros por ano até 2030, ante o 1 milhão de itens fabricados em 2022 — já possui um algoritmo que dá uma nota ao motorista. É isso mesmo: o próprio carro avalia se o condutor dirige bem ou não. O impacto disso é diverso, mas sobretudo mexe diretamente com o preço do seguro de um carro a futuros motoristas. “Essa tecnologia gera um incentivo para ser um bom condutor nas ruas”, diz João Salotti Cunha, diretor de estratégia da Voltz. “O Brasil ainda não chegou a esse ponto. Mas é uma questão de tempo. A tecnologia agora está muito mais focada na segurança dos veículos.” 

elon musk
Elon Musk, fundador da Tesla e da Space X, durante entrevista (2021) | Foto: Naresh/Shutterstock

De olho na segurança…

Com a comunicação entre as motos e os computadores da fabricante brasileira, é possível saber onde está a moto, se ela está ligada ou não e por onde tem circulado. “É superimportante essa funcionalidade, como um atributo de segurança num país como o Brasil, onde o volume de motos roubadas é muito elevado”, diz Cunha. 

De certa forma, com o uso intensivo de dados, a Voltz consegue mapear o comportamento de seus motoqueiros, tal como faz uma Amazon e o Mercado Livre em seus comércios eletrônicos. Ou uma Shein, fundada em 2012, na China, que consegue oferecer uma gama de novos produtos a preços agressivos com estoque baixo. Como? Ela usa dados em tempo real para analisar o comportamento dos consumidores e prever o que eles querem comprar. 

Com o uso intensivo de dados, a Voltz consegue mapear o comportamento de seus motoqueiros | Foto: Divulgação

…e no mercado

Fundada há cinco anos, a Voltz começou com uma ideia bem realista dos elétricos no Brasil: como atender uma massa de brasileiros que pode se interessar por elétricos num valor bem em conta? A maior parte dos veículos de quatro rodas elétricos, afinal, lançados no país é direcionada para um público de altíssima renda, muitos com valores superiores a R$ 400 mil. O preço de uma moto de entrada da marca está em R$ 15 mil, o que a deixa muito competitiva perante as rivais a combustão, como a Honda e a Yamaha, ambas líderes no setor. Segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), foram 7,2 mil motos e scooters elétricas vendidas em 2022, alta de 346%, na comparação com o ano anterior. 

O preço de uma moto de entrada da marca está em R$ 15 mil | Foto: Divulgação

Carregando a bateria em casa

Outra facilidade é a dispensa de uma rede de infraestrutura específica. Montadoras estrangeiras, como a Volvo, anunciaram no ano passado redes de estradas eletrificadas para abastecer o carro. Feitas para a mobilidade urbana, e não para viagens longas, as motos elétricas brasileiras podem ser carregadas em qualquer tomada três pinos tradicionais. Mesmo se a garagem de casa não tiver tomada, o sujeito pode tirar a bateria e recarregá-la dentro de casa. Uma bateria descarregada leva até cinco horas para carregar. 

As motos elétricas brasileiras podem ser carregadas em qualquer tomada três pinos tradicionais | Foto: Divulgação

Demanda global

O maior desafio é a produção de componentes que não existem no Brasil. Em 2022, a empresa importava 100% das peças da China e fazia apenas a montagem das motos em Pernambuco. “Não existem fabricantes que conseguem suprir a indústria de veículos elétricos, mas cada vez mais a gente tenta nacionalizar aqueles componentes que podem ser feitos no Brasil, como pneus, chassis, freios, funilaria”, diz Cunha. “Mas obviamente o mercado de elétricos ainda depende de fornecedores globais, e essa escassez também se reflete na Europa e nos Estados Unidos.”

* * * * *

Pé no chão

Do presidente de um importante grupo de luxo no país, com hotéis e restaurantes, sobre as perspectivas para 2023, num retrato do atual cenário de negócios do país: “Não vamos reduzir investimentos, mas agora só vamos ter pé no chão”.

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6 comentários
  1. nelson jorge leite
    nelson jorge leite

    ok, ok, mas 5 horas para reabastecer uma moto ainda é muito, muito tempo……..certamente, isto terá avanços e aí a moto elétrica ficará mais palatável aos motociclistas…..

  2. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Bacana. Aqui em Maceió tem uma loja na avenida mais movimentada da cidade.

  3. Jose Eduardo Gaboardi de Carvalho
    Jose Eduardo Gaboardi de Carvalho

    Ano passado prometeram milhares de motos, e entregaram uma fração irrisória do prometido. Não é possível acreditar nesses 100 mil. Eles vendem muito, e há muita desistência por descumprimento de prazos. Quando entregam, não raro é o pedido incompleto, sem ambas as baterias compradas. O atendimento também deixa muito a desejar, e se alguém tiver a necessidade de trocar alguma peça, mesmo que por defeito coberto pela garantia, pode ficar meses com a moto parada. O Reclame Aqui, conforme mencionado em outro comentário, serve de termômetro para a (in)satisfação dos clientes.

  4. Paulo Ferreira
    Paulo Ferreira

    Mezzo jornalismo, mezzo publicidade.

  5. Andre C.
    Andre C.

    Se for barato eu compro arranco o motor eletrico e coloco um a gasolina XD!

  6. Virgílio Maro Sperandio Juliatto
    Virgílio Maro Sperandio Juliatto

    Eu se fosse vocês observada as reações dos clientes no Reclame Aqui quanto a esta empresa. São um bando de….nem sei o que dizer. Leiam e avaliem.

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