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Edição 293

As lições dos ganhadores do Nobel de Economia para o Brasil de Lula

As políticas petistas podem até impulsionar a economia no curto prazo, mas, no médio e no longo prazos, acabam se revelando mais um “voo de galinha”

Diante da gastança sem lastro, do aumento ilimitado de impostos e do estatismo embolorado promovidos pelo governo Lula 3, que sufocam os empreendedores e drenam recursos do setor privado, a entrega do prêmio Nobel de Economia de 2025 aos economistas Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt traz lições preciosas para o Brasil.

Com as suas contribuições ao pensamento econômico, inspiradas nas ideias de Joseph Schumpeter (1883-1950), um dos economistas mais brilhantes de todos os tempos, e talvez aquele que melhor compreendeu o funcionamento do capitalismo, eles mostram como o Brasil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está indo na contramão do desenvolvimento sustentável.

Os economistas Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt, ganharam o prêmio Nobel de Economia de 2025 | Foto: Divulgação/Nobel

Ao aprofundar a teoria da “destruição criativa” de Schumpeter, pela qual os processos e produtos inovadores tomam o lugar dos mais antigos e obsoletos, os três economistas deram consistência matemática à percepção intuitiva do velho mestre. Procuraram também identificar as condições necessárias para o surgimento da inovação, considerada como a mola propulsora da prosperidade das nações, das empresas e dos indivíduos. E, pelas conclusões de seus estudos, nada parece mais descabido para o Brasil estimular a inovação e fazer dela o motor do crescimento econômico do que a reedição das políticas fracassadas de governos anteriores do PT, promovida pela atual gestão.

Joseph Schumpeter (1883-1950), um dos economistas mais brilhantes de todos os tempos, e talvez aquele que melhor compreendeu o funcionamento do capitalismo | Foto: Wikimedia Commons

As políticas petistas podem até impulsionar a economia no curto prazo, mas, no médio e no longo prazo, acabam se revelando como mais um “voo de galinha”, entre tantos já registrados pelo País nas últimas décadas, e deixando uma fatura salgada para a população quitar, com os impostos (cada vez maiores) cobrados pelo Fisco.

Fazem parte da lista de políticas equivocadas do lulopetismo a escolha de “campeãs nacionais”, que dominam o mercado e dificultam a vida das empresas emergentes, o favorecimento aos empresários “amigos do rei” e a “demonização” do lucro e do capitalismo. Também integram a lista: a criação de reservas de mercado para empresas nacionais, com taxação desmedida das importações; a insegurança jurídica causada pela mudança constante nas regras do jogo; a geração de um ambiente hostil aos empreendedores, com excesso de regulação, burocracia e tributos; e a depreciação dos que preferem trabalhar por conta própria, sem vínculo trabalhista com as empresas, como “trabalhadores de segunda classe”. Tudo isso joga contra a inovação, o progresso tecnológico, o aumento da produtividade e o desenvolvimento sustentável buscados por Schumpeter e seus discípulos.

Segundo a receita dos ganhadores do Nobel deste ano, o que move a inovação e traz prosperidade para os países, as empresas e os indivíduos é justamente o contrário das políticas que o governo Lula procura implementar. As pré-condições para viabilizar um círculo virtuoso na economia incluem a abertura do mercado e a existência de um ambiente de negócios mais amigável, com sistemas regulatório e de tributação que favoreçam as empresas inovadoras, além do acesso ao crédito e ao mercado de capitais por parte dos empreendimentos com potencial de crescimento e de inovação. Incluem também a existência de uma cultura aberta à experimentação e a segurança jurídica nos contratos de trabalho e empresariais.

Eles destacam, ainda, o papel que a educação tem na geração da inovação. A liberdade intelectual e o acesso ao conhecimento são considerados condições indispensáveis para estimular o espírito inovador na sociedade — um quesito no qual o Brasil de Lula também deixa a desejar ao privilegiar investimentos públicos no ensino superior em vez de concentrá-los na melhoria dos ensinos fundamental e médio, que hoje formam uma legião de analfabetos funcionais.

“Nenhum país consegue ganhos de produtividade sem capital humano qualificado”, diz o professor Vladimir K. Teles, da FGV de São Paulo, que teve Aghion como orientador em seu pós-doutorado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, em artigo publicado no Estadão na semana passada. “A pesquisa científica e tecnológica só floresce onde há pessoas preparadas para desenvolvê-la e trabalhadores capazes de aplicá-la quando chega à linha de produção.”

É certo que, no governo Bolsonaro, com o ex-ministro Paulo Guedes no comando da economia, o Brasil adotou uma série de medidas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, como a redução de impostos e da burocracia e as aprovações da Lei da Liberdade Econômica e do Marco Legal das Startups, que favorece o crescimento das empresas inovadoras. Houve também uma redução sensível no tempo para abertura e fechamento de empresas.

Nos últimos anos, porém, o País, em vez de andar para a frente, deu marcha a ré, com a sanha tributária do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamado de Taxad por seus críticos, e a fúria regulatória do governo Lula, que quer interferir em tudo o que as empresas e os empreendedores pretendem fazer.

O País, em vez de andar para a frente, deu marcha a ré, com a sanha tributária do ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Um exemplo emblemático desse intervencionismo nos negócios privados é a obsessão do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, “companheiro” de Lula desde os tempos de sindicalista no ABC paulista, em regular o trabalho aos domingos e os aplicativos de entrega e transporte, mesmo contra a vontade de boa parte dos trabalhadores da área, que prefere atuar de forma independente, conforme as pesquisas sobre a questão.

Até a propalada reforma tributária, cuja aprovação foi festejada por aí como uma panaceia, acabou virando uma espécie de Frankenstein, cujo custo final para a sociedade ninguém sabe qual será. Alguns estudos apontam que a alíquota padrão do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) poderá chegar a 28%, o que a tornará a maior do gênero no mundo.

Com tudo isso que está aí, porém, é difícil imaginar que as lições dos vencedores do Nobel de Economia de 2025 serão seguidas pelo governo Lula. Para a militância do PT e seus aliados, a premiação é uma “farsa a serviço do neoliberalismo” que não merece crédito. Exceto, é claro, quando os premiados são economistas como os americanos Joseph Stiglitz e Paul Krugman, laureados em 2001 e 2008, respectivamente, que “botam pilha” nas narrativas “progressistas”.

Leia também “Sem alarde, Lula promove ‘revogaço’ prometido na campanha”

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2 comentários
  1. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    A República necessita ser proclamada, pois em 1889 ela foi apenas anunciada.
    No Brasil já tivemos de tudo. Em 136 anos de República tivemos 49 presidentes com média de mandatos de 2,77 anos.
    Neste período de republiqueta de bananas tivemos presidentes que renunciaram, outros que morreram de cirrose, de sífilis, suicídio, etc.
    Necessitamos de uma profunda reforma no Estado Brasileiro, sempre dominado pelo mesmo sistema desde a instalação da “república” hoje mais parecido com a Corte de Luís XVI e Maria Antonieta, com os ocupantes das togas do STF saboreando lagostas e vinhos premiados e Lula sempre repaginando o velho discurso de que “acabou” com fome quando na verdade não tem e nunca teve nenhum projeto para o país além de apenas desfrutar do poder e das benesses custeadas pelos sofridos pagadores de impostos.

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