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Edição 293

É proibido vencer

Políticos, analistas, âncoras de TV e cientistas políticos discutem o que a direita deve fazer para vencer as eleições, como se estivéssemos na Suíça

É necessário injetar realidade na discussão sobre a estratégia eleitoral da direita. Essa é uma conversa que, às vezes, parece delírio coletivo. Políticos, analistas, âncoras de TV e cientistas políticos discutem o que a direita deve fazer para vencer as eleições, como se estivéssemos na Suíça. 

Mas ainda estamos no Brasil, um país onde a perseguição à direita parece ter virado política de Estado. Políticos conservadores e liberais são perseguidos com ferocidade: deputados, senadores, jornalistas e influenciadores estão na mira. Seus perseguidores ignoram leis, desconsideram imunidades e distorcem a Constituição para silenciar discursos, cassar mandatos e exilar brasileiros. Juristas estatais se transformaram em censores, suspendendo redes sociais, bloqueando contas, censurando publicações e calando humoristas — tudo em nome de um certo “Estado Democrático de Direito”. É evidente a estratégia de neutralização da oposição. A Suíça não é aqui.

Juristas estatais se transformaram em censores, suspendendo redes sociais, bloqueando contas, censurando publicações e calando humoristas | Foto: Shutterstock

De que adianta discutir a “união da direita” em uma situação assim? Essa perseguição não é consequência de desunião, ao contrário; a ânsia de extirpar a nova direita parece ser uma reação explícita — e desproporcional — ao surgimento da corrente política chamada de bolsonarismo, que representa união em torno da liderança de Jair Bolsonaro. Foi justamente essa união — e sua expressão de poder, representada por milhões de pessoas em manifestações por todo o país — que motivou a reação do sistema. “Vencemos o bolsonarismo” — quem jamais esquecerá essa frase? Se essa é a postura do Estado brasileiro, como é possível acreditar que a união da direita em torno de outro nome vá mudar alguma coisa? O que, exatamente, operaria essa mudança?

A ânsia de extirpar a nova direita parece ser uma reação explícita — e desproporcional — ao surgimento da corrente política chamada de bolsonarismo.

Se não houver modificação estrutural — e não haverá no horizonte razão para que isso aconteça, exceto, talvez, as sanções americanas —, o esforço da oposição pode ser comparado ao de disputar um jogo de futebol apitado por um árbitro torcedor do adversário. O time recruta craques, se esforça e treina, mas, quando entra em campo, leva cartões vermelhos, tem gols anulados e os principais jogadores expulsos, sem motivo, no início da partida. Como disputar um jogo no qual a vitória é proibida?

O esforço da oposição pode ser comparado ao de disputar um jogo de futebol apitado por um árbitro torcedor do adversário | Foto: Shutterstock

Jair Bolsonaro foi declarado inelegível por uma reunião com embaixadores. Ele também foi condenado por “golpe de Estado” e está em prisão domiciliar, justificada por um contorcionismo jurídico espantoso. Mas Bolsonaro não é apenas um político; ele é um fenômeno que arrasta multidões, delimita linhas ideológicas e expõe o projeto plutocrático da esquerda. “Esqueçam Bolsonaro, foquem no futuro”, diz a turma do “centro”. Mas, salvo por rupturas e milagres, o futuro tende a ser uma projeção do presente. E o que vemos quando projetamos os dias atuais? Um ciclo autoperpetuado de populismo, autoritarismo e corrupção.

Diante disso, é preciso perguntar: que diferença faria a tão defendida “união” da direita? Em que condições os candidatos da direita irão concorrer? Um parlamentar está sendo processado por fazer uma piada, outro foi cassado por possíveis acontecimentos de um futuro hipotético. Que tratamento, então, será dado a um candidato que represente a direita e que tenha chances reais de vitória?

Leia também “O Fator 135: a mensagem oculta nas dedicatórias de Guilherme Fiuza”

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8 comentários
  1. Marcus Borelli
    Marcus Borelli

    O Brasil só vai melhorar, e muto, a partir do segundo semestre de 2027. Sinto muito …

  2. James Cesar M A Souto
    James Cesar M A Souto

    Só leio a mais completa verdade sobre o panorama político brasileiro aqui, sem tirar nem por!

  3. Felipe Polido Fernandes
    Felipe Polido Fernandes

    Centristas até hoje não se conformaram com o fim do PSDB

  4. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    É jogar as urnas eletrônicas no lixo e fazer eleição igual a da França

  5. Laura Teixeira Motta
    Laura Teixeira Motta

    Gostaria de acrescentar que toda essa mobilização da direita em torno da eleição que não temos a menor chance de ganhar apenas contribui para emprestar uma aura de legitimidade ao jogo de cartas marcadas que nos é imposto.

  6. carlos goes
    carlos goes

    Perfeito MOTA
    E acrescentaria que estamos sendo acorrentados por uma minoria de PODEROSOS CAPETAS manipulando os poderes e portanto, praticando e estimulando exatamente isso que você brilhantemente denuncia ! Mas vem de muito tempo desde os verões das facadas e não tem limite para essa gangue diante qualquer ameaça deles perderem esses fatídicos poderes usurpados do povo e da liberdade! Mas a esperança é que no desespero , eles se rasgam em alucinadas truculências, e agora a vista universal e aos milhões mundo a fora , graças aos trilhos DIGITAIS ! Parabéns SERGIO , precisamos de jornalistas brilhante e corajosos como você BRASILLLL

  7. Irapuan Costa Junior
    Irapuan Costa Junior

    Exatamente o que tenho dito aos meus amigos e conhecidos. Tudo o que se arma nos gabinetes oficiais deste país visa a perpetuação no poder. Das “bolsas” aos gastos com a “grande imprensa”. Como lutar com um mastondonte destes?

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