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Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC) | Foto Lula Marques/Agência Brasil
Edição 298

Galípolo, o falcão?

E mais: o que esperar da Black Friday, o aumento do turismo e o recorde da soja

O mercado financeiro não tem dúvidas: o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, está se comportando como um conservador fiscal. Um “falcão”, segundo a linguagem utilizada na Faria Lima. Disposto a manter as taxas básicas de juros em um patamar elevado pelo tempo que for necessário para alcançar o centro da meta de inflação. Durante um evento do Itaú Asset, Galípolo fez mea culpa admitindo que não conseguirá entregar um IPCA no centro da meta, em 3% ao ano. No entanto, o presidente do Banco Central declarou que não vai afrouxar a política monetária e que não vai perseguir o teto da meta de inflação, de 4,5%, como alvo, e sim o centro da meta.

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Mercado gostou

Os investidores gostaram do que ouviram, confirmando uma percepção que vinha se consolidando desde o começo dos 11 meses de gestão do presidente do Banco Central. Galípolo será ajudado pelo mercado externo, já que o Federal Reserve (FED) deverá cortar os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de dezembro do comitê de política monetária. Com isso, o dólar deverá perder força frente ao real e, consequentemente, a inflação importada, principalmente de derivados de petróleo, será menor. Se tudo der certo, o Banco Central poderá começar a cortar juros na reunião do Copom de janeiro de 2026. Isso se a crise fiscal permitir.

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Tudo tranquilo por aqui

A Caixa Econômica Federal não está preocupada com a inadimplência dos empréstimos concedidos. O banco público manteve os níveis de provisão para créditos de liquidação duvidosa e não prevê calotes em grandes dimensões. Os executivos da Caixa, por outro lado, estão otimistas em relação ao crédito imobiliário após mudanças recentes envolvendo o funding desses financiamentos. Em meados de outubro, o governo anunciou mudanças nas regras do crédito imobiliário, prevendo uma flexibilização gradual do direcionamento obrigatório dos depósitos nas cadernetas de poupança a essa modalidade de financiamento e também da parcela recolhida compulsoriamente ao Banco Central. Além disso, o Conselho Curador do FGTS aprovou uma medida que permite que quem financiou um imóvel entre 2021 e 2025 use o Fundo de Garantia para ajudar a pagar o financiamento, aumentando o valor para imóveis de até R$ 2,25 milhões.

Caixa Econômica Federal não está preocupada com a inadimplência dos empréstimos concedidos | Foto: Revista Oeste/IA

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O que esperar da Black Friday?

O Itaú está otimista com a Black Friday, prevendo uma alta de mais de 22% nas vendas processadas entre os dias 24 e 26 de novembro. A apuração considera as vendas realizadas nas Laranjinhas e nas soluções de e-commerce (operadas pela Rede) com cartões de débito, crédito e Pix. Entre os segmentos de destaque, clínicas veterinárias e petshops subiram qiase 39%, seguidos por agências de viagem, com cerca de 27%, supermercados, com aproxiamdamente 26%, e comércio de automóveis, camionetas e utilitários novos, com 19,5% de aumento das vendas no período.

Itaú está otimista com a Black Friday, prevendo uma alta de 22,3% nas vendas processadas entre os dias 24 e 26 de novembro | Foto: Shutterstock

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A batalha para o varejo

Os fundos Snapper Rocks e WHG Apache, de propriedade dos irmãos Ederson e Everton Muffato, compraram uma participação acionária de 10% na gigante do atacarejo Assaí, tornando-se os maiores investidores individuais do grupo. Os irmãos Muffato são operadores respeitados no atacarejo, possuindo mercados com seu próprio nome, e poderiam contribuir com comparação operacional e troca de experiência. Entretanto, o grupo Assaí está pesadamente alavancado, chegando a uma dívida de três vezes a relação com o Ebitda, enquanto a desaceleração da inflação de alimentos ainda pressiona vendas e margens. O banco mantém visão negativa ao considerar que o anúncio não compensa os riscos macro e financeiros que continuam a limitar a tese do Assaí. Poucas horas antes, o empresário Silvio Tini de Araújo, dono da holding Bonsucex, aumentou sua participação no Grupo Pão de Açúcar, chegando a 5,57% do total de ações ordinárias emitidas pela companhia. Tini possui participações relevantes em Gerdau, Banco Pan, Paranapanema, Bombril, Terra Santa e Alpargatas.

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Mais turistas no Brasil

O Brasil alcançou a marca inédita de 8 milhões de turistas recebidos em 2025. A Argentina continua o principal país de origem deles, com quase 3 milhões de chegadas, seguida pelo Chile, com quase 600 mil, os Estados Unidos, com quase 600 mil também, e a Europa, com mais de 600 mil turistas. Segundo a plataforma Booking.com o Brasil foi o destino global mais procurado no mundo todo para viagens entre 20 de dezembro de 2025 e 3 de janeiro de 2026. Registrando uma alta de 18% em relação ao mesmo período do ano passado.

Brasil alcançou a marca inédita de 8 milhões de turistas recebidos em 2025 | Foto: Shutterstock

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Todo mundo quer um carro novo

As buscas por veículos novos de trabalho disparam em 2025. Segundo um levantamento do Webmotors Autoinsights, o Fiat Scudo é o modelo mais procurado do segmento no período. Entre janeiro e outubro de 2025 foi registrado um salto de mais de 80% nas buscas e visitas por modelos novos da categoria. Entre os utilitários mais procurados, o destaque foi a Fiat Scudo, seguida por Renault Master, Mercedes-Benz Sprinter, Ford Transit, Fiat Ducato, Effa V21, Fiat Fiorino, Kia Bongo, Citroën Jumpy e Peugeot Expert.

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Soja recorde

A safra de soja do Brasil em 2025/26 está sendo estimada em cerca de 178 milhões de toneladas. Um novo recorde. A previsão foi divulgada pela Agroconsult durante evento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). A Agroconsult projetou a área plantada no país de quase 49 milhões de hectares, 1 milhão a mais na comparação anual. Uma previsão parecida com aquela do Itaú BBA, que prevê uma alta de 1 milhão de hectares plantados em relação a um ano anterior.

Leia também “Oncoclínicas, Gafisa, Ambipar, Light. Quem será a próxima depois do Banco Master?”

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3 comentários
  1. Renato Perim
    Renato Perim

    Honestamente eu não sei de onde o Carlo Cauti tira números tão positivos, em toda semana sua coluna parece estar descrevendo o mundo maravilhoso da Alice. Ou eu sou muito mal informado ou então eu não sei de mais nada.

  2. Emilio Sani
    Emilio Sani

    quero ver a atitude do falcão após as reuniões sobre o cumprimento da Magnitisky pelos bancos e cartões, e picpay

  3. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Podem estar todos muito otimistas. Particularmente não acredito em uma melhora das vendas baseada em endividamento ainda maior das famílias. No meu entender a “black friday”, vai ser uma “cop30” dos fiascos de vendas.

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