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Foto: Revista Oeste/IA
Edição 305

A sutil diferença entre a gestão pública… e a privada

Sem devido processo legal, sem equilíbrio entre os poderes, sem respeito às regras, o Brasil deixa de ser uma República e vira um grande banheiro público em horário de pico

Durante décadas, ouvimos que o problema do Brasil é que o Estado não sabe trabalhar como a iniciativa privada. Que falta eficiência. Que falta controle. Que falta resultado. Que se a gestão pública fosse mais parecida com a privada, tudo teria um funcionamento melhor. Pois bem. Observando o país nos últimos anos, podemos afirmar com segurança: a gestão pública brasileira, sobretudo nas administrações petistas, é, sim, extremamente produtiva.

Produz:

  • Déficits estruturais
  • Explosão da dívida pública
  • Aparelhamento político
  • Alianças com ditaduras
  • Escândalos em escala industrial
  • Contratos favorecendo amigos
  • Indicadores que não param em pé
  • Maquiagem de contas públicas
  • Financiamento do BNDES a regimes autoritários
  • Fundos de pensão aparelhados
  • Correios saqueados
  • Orçamentos secretos
  • Emendas opacas
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin durante evento Diálogos com o mercado: a retomada dos investimentos e o papel do BNDES no mercado de capitais, na sede do BNDES, no centro do Rio de Janeiro, RJ (24/9/2025) | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Produz também mais de 50 mil pessoas com foro privilegiado para que todos fiquem no radar do STF e isso possa alterar leis, nomeações e investigações.

Produz delações, operações, narrativas, amizades com ditaduras, manchetes pagas com dinheiro público, discursos, Mensalão, Petrolão, Correios, BNDES financiando ditaduras, INSS, emendas parlamentares, 50 mil cargos de confiança, parentes bem empregados, esposas de ministros com contratos difíceis de explicar, filhos, irmão e nora do presidente fazendo negócios milionários…

Produz gastança para que a primeira-dama conheça o mundo com nosso dinheiro. Produz até foto fake do presidente para mostrar um corpo musculoso em vez de mostrar uma preocupação real com o gasto público. Para alavancar essa gastança, os impostos sobem e os resultados sociais estagnam.

Esse padrão não é fruto de erros pontuais. É sistêmico.

Mensalão: quando o método foi exposto

Em 2005, o país descobriu o Mensalão: um sistema de compra de apoio parlamentar com recursos públicos.

Em 2012, o STF condenou figuras centrais:

  • José Dirceu — ex-ministro da Casa Civil
  • José Genoino — ex-presidente do PT
  • Delúbio Soares — ex-tesoureiro do PT
  • Marcos Valério — operador financeiro do esquema
José Genoino (2011) | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Também foram condenados dirigentes do Banco Rural e líderes partidários aliados.

O escândalo revelou algo novo: a corrupção deixava de ser exceção e passava a ser ferramenta de governabilidade.

A partir dali, a fronteira entre governo, partido e Estado começou a desaparecer.

Petrolão: a engrenagem ampliada

A Operação Lava Jato mostrou que o Mensalão não era um ponto fora da curva, mas o ensaio de algo maior: o Petrolão, considerado o maior esquema de corrupção da história brasileira.

Foram condenados, entre outros:

  • João Vaccari Neto — ex-tesoureiro do PT
  • Renato Duque — ex-diretor da Petrobras
  • Paulo Roberto Costa — ex-diretor da Petrobras
  • Executivos de empreiteiras e operadores financeiros

O esquema envolvia contratos bilionários da Petrobras, financiamento político, cartel de empresas e lavagem de dinheiro em escala internacional.

Edifício Petrobras na Avenida Paulista, em São Paulo, SP (26/8/2015) | Foto: Shutterstock

O ex-presidente Lula foi condenado em duas instâncias nos casos do tríplex e do sítio de Atibaia.

Essas condenações seriam depois anuladas por “questões processuais” — não por absolvição de mérito — o que reforçou, para grande parte da população, a sensação de impunidade estrutural.

Com o passar dos anos, penas foram revistas, progressões concedidas, prescrições reconhecidas.

Hoje, num novo governo petista, vemos que mudam alguns nomes, mas os escândalos voltaram a aparecer e desta vez, mais próximos da família do presidente

Fraude do INSS: Frei Chico, irmão do presidente, sendo blindado para que não entre na investigação. Lulinha (o “Ronaldinho dos negócios”, segundo o próprio Lula), se instalando em Madri, Espanha, para ficar longe dos holofotes.

Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha | Foto: Reprodução/Redes sociais

MEC: nora do presidente Lula sendo investigada por tráfico de influência e sobre preços em venda de livros a prefeituras.

Banco Master: este caso é o escândalo com maior potencial de dano ao governo, poder legislativo e judiciário. A cada dia aparece algo novo para supor que, quando a bomba explodir, e deve explodir, o impacto será atômico. Esposas de ministros do STF, ministros do STF, ministros do TCU, deputados, senadores, e a lista só aumenta.

A percepção dominante é a de que a resposta penal aos grandes escândalos está sendo extremamente limitada diante da magnitude dos crimes, e para o eleitor que acorda cedo e luta o dia todo para tentar fazer o salário chegar até final do mês, o cheiro, mesmo que possa se acostumar a sentir, começa a incomodar, só que, quando o “cheiro social desse esgoto” começa a incomodar demais e a população começa a fazer cara feia, entra um sistema de controle supremo, borrifando aquele aromatizante jurídico chamado de “decisão técnica” e, quando necessário (e quase sempre eles acham isso), a conhecida “decisão monocrática” e em um pffff, tudo está resolvido. Para eles, claro. Nunca para o povo.

Sempre há, ou deveria haver, um limite físico para qualquer sistema

… quando a narrativa fica difícil de sustentar.

… quando o governo deve pagar caro a empresas de comunicação, influenciadores e imprensa aparelhada pelo próprio governo, para que a população saiba o que está sendo feito por ele sem que as ações falem por si mesmas.

Foto: Shutterstock

… quando se ignora o devido processo legal, a proporcionalidade, o equilíbrio entre Poderes e as garantias individuais, é ali que o sistema não aguenta.

Em todos esses casos, o sistema entope, e quando entope, não há discurso, narrativa, nota oficial ou coletiva que dê jeito.

A sujeira sobe. Transborda. Escorre pela democracia inteira.

Se esse modelo continuar com corrupção sem culpados, justiça relativizada, processo atropelado, direitos tratados como acessórios, a privada… não a gestão… a dos três Poderes mesmo, vai ficar tão cheia de injustiça que não haverá encanamento institucional capaz de suportar.

Acontecimentos como os do Nepal, do Irã e, pela via indireta, da Venezuela, deveriam ser um alerta para que o governo foque de vez no que deveria ser a prioridade da política de Estado: controle das contas públicas, melhorar a segurança do país, combater a pobreza com geração de emprego em lugar de com mais brasileiros pendurados em ajuda social sem nenhuma contrapartida. Mas o que parece é que o único objetivo do governo é ganhar as eleições para, quem sabe, continuar a acumular excrecências na lista de escândalos.

Sem devido processo legal, sem equilíbrio entre os Poderes, sem respeito às regras, o Brasil deixa de ser uma República e vira um grande banheiro público em horário de pico.

Quando a justiça se torna seletiva, a democracia acaba nadando no esgoto, até que alguém tenha a coragem de dar descarga.

Leia também “O papel do Foro de São Paulo e um frango que pode engolir um molusco”

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6 comentários
  1. Luiz Paulo de Deus Quadros
    Luiz Paulo de Deus Quadros

    Baita análise, tristemente verdadeira. Parabéns tche Segré.

  2. Susana De Morais Spencer Bruno
    Susana De Morais Spencer Bruno

    Excelente matéria. Bastante impactante e tristemente verdadeira

  3. Matias ALEGRUCCI Figueiredo
    Matias ALEGRUCCI Figueiredo

    REalmente nos tornamos uma latrina politica.

  4. Lourival Nascimento
    Lourival Nascimento

    ZERO SURPRESA COM A IMPRENSA VELHA, DESACREDITADA, PERDENDO ASSINANTES AOS MILHARES, QUIÇÁ MILHÔES, ACEITOU SER ESTATIZADA PELO LULA, PERDENDO, PORTANTO, A ISENÇÃO, PILAR FUNDAMENTAL NO OFÍCIO DO JORNALISMO DIGNO DO TERMO.
    Especialista na arte de MENTIR para claque amestrada em convescote na sede do Banco Central, o LULA, o gambá cachaceiro do Guarujá, o “Nine e Amigo do Meu Pai” nas planilhas da CORRUPÇÃO da Odebrecht, vomitou a sua bile, ignorando o que o Brasil sabe, mas mentiroso tem fidelidade apenas ao próprio ego. Daí que o gambá cachaceiro do Guarujá, o “Nine e Amigo do Meu Pai”, conforme continua guardado nas planilhas da CORRUPÇÃO da Odebrecht, eis o LULA mentindo, de fazer inveja ao Tinhoso. “ Nós sabemos como recebemos o Brasil do Bolsonaro” “ Lula diz que recebe de Bolsonaro um governo quebrado, em situação de penúria” “ “Eu sei como pegamos esse país em 2023” Gambá cachaceiro do Guarujá, nós sabemos como você “ pegou o Brasil “. “ O Governo Federal sob Bolsonaro apresentou SUPERÁVITE PRIMÁRIO de R$ 59,7 BILHÕES em 2022, resultado R$ 23,4 BILHÕES, superior ao superávit previsto para o ano” Vamos à OIA por Por Felipe Erlich. “ Lula x Bolsonaro: quem entregou melhores números na gestão das estatais?” “ “Resultados contábeis das empresas públicas, que pioraram nos últimos anos, evidenciam visões de mundo antagônicas” Gambá cachaceiro do Guarujá, você não é exatamente fiel aos FATOS e à VERDADE, tão mentiroso, desonesto, CORRUPTO e LAVADOR DE DINHEIRO, que você é. “A gestão das empresas estatais federais sob os governos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual mandatário, segue filosofias bastante distintas — que se refletem nos resultados financeiros” “Uma das primeiras ações do petista logo após sua posse, em janeiro de 2023, foi determinar a retirada de sete empresas do Programa Nacional de Desestatização (PND), entre elas os Correios — que hoje vivem a pior situação financeira da sua história — e a fracassada Ceitec, criada para produzir semicondutores” “A primeira medida do governo Lula, ainda na transição, FOI CRIAR UM ROMBO de R$ 145 bilhões no Teto de Gastos” LULA, “ Nine e Amigo do Meu Pai “ nas planilhas da CORRUPÇÃO da Odebrecht, você começou se DESGOVERNO com 204,7 BILHÕES DE REAIS na mão. Para onde foi esses BILHÕES DE REAIS, LULA? Para apoiar DITADORES amigos, para pagar a quem FABRICOU o 8 de janeiro, para a JANJA gastar abusivamente, para COMPRAR Parlamentares CORRUPTOS como você? Para encher as contas do LULINHA? PARA ONDE FOI O DINHEIRO DO POVO, GAMBÁ CACHACEIRO DO GUARUJÁ? Vamos ao Fábio Giambiagi, que não é BOLSONARISTA. “Giambiagi afirma que Lula herdou um déficit nominal de 4,6% do PIB em 2022 e em 2026 irá aumentá-lo em quase 90%. “É uma proeza”, conclui, em artigo publicado no jornal O Globo. O economista ainda pontua que nem mesmo com o déficit “estratosférico” da pandemia em 2020 houve um governo com uma média tão alta” “ Tesouro projeta dívida de até 95% do PIB; Haddad culpa juros” AGÊNCIA SENADO em 23/10/2025 “ Girão cita PT e critica ‘rombo de R$ 20 bilhões nos Correios “ — São R$ 20 bilhões que os Correios estão negociando. Estão correndo com o pires na mão. Sabe para quê? Para equilibrar as contas. Quebraram em três anos algo que vinha dando lucro. É uma coisa impressionante! Botou a mão, quebra — criticou Girão” Gambá Cachaceiro do Guarujá, LULA recorre às metodologias marotas do Fábio Pochmann do IBGE, sobre dados da ECONOMIA, GERAÇÃO DE EMPREGOS, mas a VERDADE e os FATOS desnudam a narrativa.

  5. Emilio Sani
    Emilio Sani

    parece que quem deveria ter a coragem de apertar a descarga já foi ‘dominado’ ou ‘comprado’ …e tem gente ganhou um bom dinheiro antes de ser nomeada para STM para mostrar quem manda e fazer se abaixarem ainda mais

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