publicidade
Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock
Edição 306

Nova York contra o crime (ou a favor?)

Você quer escrever no New York Times lamentando a captura de Maduro, não lamentando o regime ditatorial que ele liderou e ainda criticando o presidente dos EUA por não respeitar o direito? Aí fica difícil, companheiro

Deu no New York Times: a captura de Maduro foi lamentável.

Claro que foi. Ninguém gosta de ver um parceiro de longa data se dando mal.

Mas e se esse parceiro tiver cometido algumas atrocidades nas últimas décadas? Ou melhor: muitas atrocidades?

Aí depende. Se você não ficou sabendo das atrocidades, pode alegar vínculo afetivo e isenção de consciência.

Ah, mas você soube das atrocidades? Não só soube, como foi parceiro político do sujeito agora capturado e do seu regime imposto por décadas sem alternância de poder? Você inclusive levou investimentos para o país dele, ajudando a financiar o regime?

Bem, ainda assim você pode lamentar a queda do seu amigo. Mas ou você lamenta junto toda a biografia dele, ou você vai precisar dizer que não se importa com a democracia.

Ah, você quer escrever no New York Times lamentando a captura de Maduro, não lamentando o regime ditatorial que ele liderou e ainda criticando o presidente dos EUA por não respeitar o direito? Aí fica difícil, companheiro.

Não fica?

Tem razão, não fica. Ninguém está mais nem aí pra esses detalhes. Ainda mais no New York Times, que deu voz a tantos embelezadores da ditadura chavista — todos sempre empenhando seu charme pessoal, seu brilho acadêmico ou sua notoriedade hollywoodiana em defesa da “causa”.

Venezuelan President Nicolas Maduro's initial appearance to face U.S. federal charges, in Manhattan
Nicolás Maduro: de ditador da Venezuela durante quase 13 anos a presidiário sob custódia do governo dos Estados Unidos — Nova York, 05/01/2025 | Foto: Adam Gray/Reuters

Nunca importaram os milhões de venezuelanos fugindo da tirania e da miséria para várias partes do mundo. Sempre importou o verniz de herói intelectual dos propagandistas da revolução imaginária.

É urgente mais um artigo no New York Times lamentando a hostilidade de Trump contra o aiatolá do Irã, outro parceiro de longa data. Só porque o povo iraniano está sendo esfolado ao vivo pela ditadura teocrática, o que o presidente americano tem com isso?

Faça como a diplomacia brasileira: lave as mãos e diga esperar que tudo termine bem. E vamos comemorar mais um prêmio para o cinema que combate a ditadura. Qual ditadura? Ah, pesquisa aí.

Leia também “O amante secreto”

Leia mais sobre:

1 comentário
Anterior:
A espada de Vorcaro
Próximo:
O novo vilão supremo
publicidade