“O governo não é a solução para o nosso problema;
o governo é o problema.”
(Ronald Reagan)
A melhor forma de um Estado controlar as pessoas é torná-las dependentes de programas sociais. Sucessivos governos do PT submeteram eleitores a um sistema paternalista. A história mostra que o modelo gera desemprego e pobreza. A execução de um projeto social, em si, não é um problema. Contudo, o sucesso “deve ser medido por quantas pessoas saem dele, não por quantas entram”, conforme ensinou o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan. Do contrário, os beneficiários tornam-se prisioneiros do assistencialismo.

Um exemplo claro está na cidade de Itaubal, no leste do Amapá, onde 93% da população depende do Bolsa Família. Em fevereiro, o programa atendeu 5,6 mil beneficiários no município de 6 mil habitantes, ao custo de R$ 1,4 milhão. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que apenas 28 pessoas têm carteira assinada no setor privado, o que representa um emprego formal para cada 215 moradores. Os trabalhos são temporários. “As empresas que a prefeitura contrata para fazer obras empregam essas pessoas”, explica o morador Donio Macedo. “Elas voltam ao desemprego quando o projeto acaba.”
Com receita anual de R$ 900 mil e sem uma base econômica sustentável, Itaubal depende de verbas da União, que repassou R$ 54 milhões ao longo de 2025 — o equivalente a R$ 8,7 mil por habitante. A cifra é 12 vezes maior que a destinada a São Paulo. Na cidade mais produtiva do Brasil, a média por morador foi de R$ 733. O custo mensal do itaubense médio para a União equivale ao do paulistano no ano inteiro. O dinheiro enviado a Itaubal é usado para bancar programas sociais, serviços e a máquina pública, que inclui 650 servidores ativos. Procurado por Oeste, o prefeito Jaisom Leite Picanço (União Brasil) não quis se manifestar.
Além disso, o município conta com o reforço das emendas parlamentares. De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), nos últimos sete anos, o montante alcançou quase R$ 50 milhões, sendo a maior parte destinada à saúde. O integrante mais proeminente da bancada amapaense é Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado.

A escassez em Itaubal
A cidade não sobrevive sem os repasses. Mas apesar da dinheirama que chega até lá, não há saneamento básico e a escassez é notória até na mobilidade urbana: cerca de 30 carros circulam em Itaubal. Não há bancos, fábricas nem supermercados. Somente dois açougues e pequenas vendas abastecem o município. “O povo se acomoda com o que tem”, explica Macedo. “Não há sonhos nem perspectivas, se contentam com o Bolsa Família. Muitos jovens, quando terminam o período de estudos, ficam na cidade e são submetidos à violência e ao tráfico de drogas.”
Itaubal é um retrato do Amapá. A cidade de Laranjal do Jari, a terceira maior do Estado, tem 37 mil habitantes e quase 18 mil são contemplados com o Bolsa Família. Algo parecido ocorre em Oiapoque: com 30 mil habitantes, mais de 16 mil recebem o benefício. Mazagão segue a mesma realidade: 23 mil moradores e 15 mil no programa.
Outro agravante: a maioria dos produtores rurais do Estado não consegue trabalhar por causa da falta de licença ambiental. Para obtê-la, é preciso ter um título definitivo de posse da terra, explica Gilberto Laurindo, agricultor em Itaubal. “A prefeitura deveria facilitar, mas sempre há um impedimento”, diz. De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, 73% do território amapaense é ocupado por áreas protegidas — restam apenas 27% para a agricultura.
Emendas parlamentares para o Amapá
O Estado que não produz é, obviamente, mantido pelos pagadores de impostos. O Amapá, por exemplo, foi o que mais recebeu emendas parlamentares nos últimos anos. Em 2025, a União empenhou R$ 314 milhões (quase R$ 400 por habitante). Para efeitos de comparação: o último colocado no ranking, São Paulo, recebeu o equivalente a R$ 70 por habitante.
O Amapá é só um exemplo do resultado de uma cultura assistencialista. Quase 2 mil dos 5,7 mil municípios não geram receita suficiente para bancar os salários dos prefeitos, vereadores e demais servidores públicos. Para cobrir o rombo, a União distribui bilhões de reais todos os anos, principalmente para pequenas localidades, por meio do Fundo de Participação dos Municípios. Quanto menor a atividade econômica de uma cidade, maior é a dependência de programas assistenciais. Em 2019, foram R$ 94 bilhões, equivalentes a quase R$ 8 bilhões por mês.
Em sentido contrário, o município catarinense de Jaraguá do Sul, com 200 mil habitantes, tem menos de 10 mil moradores incluídos no Bolsa Família. Três empresas são o motor gerador de empregos na cidade: WEG, fábrica de equipamentos eletrônicos, com 16 mil funcionários, e as empresas do setor têxtil Malwee (3,4 mil) e Marisol (2,5 mil). O desempenho se reflete em outras áreas do município. Jaraguá do Sul é uma das cidades catarinenses mais destacadas na área da segurança pública. Em 2024, registrou 2,2 homicídios por 100 mil habitantes, muito abaixo da média nacional, de 23 por 100 mil. Na área da educação, apresenta os melhores números do Estado.
Inacreditável: Existe uma cidade no Brasil onde 93% da população vive do Bolsa Família. Em Itaubal (AP), são 5.600 beneficiários para 6.000 moradores. O setor privado? Apenas 29 pessoas com carteira assinada. Um município inteiro que depende 100% de repasses federais. Onde vamos… pic.twitter.com/Wsh0ZCzuRc
— Arlete Caetana (@ArleteCaetum) February 27, 2026
A cidade que quer vencer o Bolsa Família
Em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, o prefeito Diogo Segabinazzi montou uma força-tarefa para tirar o Bolsa Família de 2,1 mil moradores que preferiam não trabalhar para não perder o benefício do governo. “Visitamos as pessoas e oferecemos emprego”, conta Segabinazzi. “Para facilitar, analisamos qual é a empresa mais próxima. Depois a conduzimos para fazer a entrevista.” O prefeito acredita que uma cultura de pouca interferência estatal leva a um nível de prosperidade comparável ao de países desenvolvidos. Segundo o gestor, o município deve ser um exemplo para outros onde grande parte da população depende do Bolsa Família.
O contraste com cidades que prosperam sem a interferência do Estado sugere que a solução para a pobreza não está em programas sociais, mas na criação de empregos e oportunidades econômicas. Sem uma base produtiva, localidades permanecem aprisionadas a um modelo de desenvolvimento limitado.
Quando a economia local se fortalece, o assistencialismo deixa de ser regra. A experiência dessas cidades mostra que o crescimento nasce sempre do trabalho, jamais da dependência de recursos do governo.
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O voto de cabresto tem que acabar.
Hoje estamos vivendo a terceira geração, que são os netos do bolsa família dentro do assistencialismo estatal, ótimo para os políticos picaretas, mas péssimo para a economia e o desenvolvimento econômico e social.
Minha sugestão é que enquanto o cidadão for dependente de qualquer assistência estatal, exceto as típicas de Estado como educação, saúde e segurança, seu título de elitor permaneça bloqueado enquanto durar a assistência.
Mas estamos no Brasil e a picaretagem vai encontrar maneiras de burlar qualquer regra que devolva a moralidade às finanças sustentada pelo pagador de impostos.
Também acho. Recebe bolsa-fmilia deveria ser impedido de votar