Quando o agronegócio brasileiro, de competência inequívoca e a única fonte estável de segurança alimentar do planeta, vai decidir influenciar o país, nem que seja ao menos se defender dos desmandos do governo ou de críticas injustas? A pergunta se faz necessária porque sucesso não isenta ninguém de, mesmo sendo parte imensa da solução nacional, envolver-se diretamente na vida do país. É preciso. Mas antes de irmos adiante, retomemos os números do que os produtores rurais e toda a cadeia de suprimentos, transformação e distribuição da agropecuária brasileira foram capazes de gerar de riqueza ao país no Produto Interno Bruto de 2025.
Depois de uma safra recorde de grãos, sobretudo pela eficiência e alta tecnologia em produtividade, que usa a mesma área, no mesmo ano, para várias culturas, e a diversificação na produção de alimentos, o agro bancou o PIB do ano passado. Veja que 40% de toda a soja do mundo é brasileira. Do milho, são 20% da produção mundial, assim como 25% de toda a carne bovina. Temos ainda a liderança em café, açúcar, suco de laranja e frango. O superávit de quase US$ 150 bilhões do agro em 2025 sustentou o saldo positivo da balança comercial de US$ 68 bilhões, compensando déficits em outros setores. O agronegócio já representa em torno de 30% da economia do país. Quase um terço das riquezas geradas vem do interior, do agricultor, da imensa tecnologia aplicada que só não é maior que o talento e, permitam-me o bucolismo poético-emocional, o suor do homem do campo. A economia é feita de gente, dentro e fora das porteiras, aqui e além-fronteiras. O agro nacional é hoje conectado às maiores cadeias de distribuição do mundo, o que envolve um exército de especialistas, negociadores, companhias de navios e frotas de aviões que fazem chegar a comida que se produz no interior do Brasil em cada canto de um planeta que não pode prescindir do que se planta e se colhe aqui. Dos pouco mais de 8 bilhões de habitantes ao redor da Terra, um bilhão come porque o Brasil trabalha e produz. É impressionante, um êxtase de competência e eficiência que garante segurança alimentar. E que será ainda maior. Até o fim da próxima década, a produção de alimentos precisará crescer 20% para não faltar comida. Desse total, 40% terão de vir da agropecuária brasileira, a única capaz de crescer nessa proporção em tão pouco tempo. Nada mal para um país que era importador de alimentos há 40 anos. Na verdade, deixemos a modéstia de lado. É absolutamente excepcional!

Essa história de sucesso insofismável e à vista de todos, iniciada com a criação da Embrapa, em 1973, é o que reforça minha pergunta inicial: quando o agro vai dar as caras no debate nacional de um país cujo governo atual produz retrocessos em todas as áreas? Lula 3 é a cara da incompetência política que joga contra o país na diplomacia, ao se aproximar ideologicamente de ditaduras, e na economia, ao produzir seguidos rombos fiscais e não conseguir reagir com a rapidez necessária a mais uma crise do petróleo diante da guerra no Irã. A fórmula bem-sucedida do governo Bolsonaro, usada após a pandemia e diante da guerra na Ucrânia, estava pronta e poderia ser usada para resolver a crise do diesel. Mas quem governa precisa saber governar e ter a humildade de reconhecer a eficácia de adversários. Em meio à crise atual, com números ruins de fato na economia, porque o IBGE passou a ser visto com suspeição, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixou o cargo para ser candidato nas próximas eleições. A mando de Lula. Fato é que nada nos faz sentir saudades de Haddad, mas a evidência de uma gestão pífia na economia foi exposta de novo.

Do outro lado, quem não semeia, perde a próxima chuva. Quem colhe, precisa transportar. Tempo e clima são inegociáveis para quem tem apenas o céu como testemunha. O agronegócio está exposto hoje a custos mais altos de frete e até falta de combustível porque o governo demora a resolver a crise do diesel. Medidas insuficientes, ausência de comando e sensibilidade governamental atingem o setor em plena safra. Entidades do setor reclamam de crédito agrícola, taxas abusivas cobradas pelos bancos, ausência de renegociação em casos de perda de safra por questões climáticas ou queda brusca de rentabilidade. O setor que é o orgulho nacional também agoniza porque não existe política agrícola e tampouco uma agenda para mitigar perdas. O governo Lula deveria estar focado em resolver os problemas reais de quem não pode esperar. Mas não! Sem nenhuma variação das outras gestões, o terceiro mandato de Lula está imerso em mais uma leva de escândalos políticos, com ministros do governo, aliados no STF, no Congresso e até o filho do presidente no alvo das investigações. Inerte, parece estar só interessado na eleição de outubro. Inacreditável que o debate mais quente no Palácio do Planalto é por que a popularidade de Lula cai a cada pesquisa. Precisa desenhar?
Todo esse caldo de Brasil sem rumo — ou rumo ao atraso — não é por acaso. Alguém em sã consciência — à exceção do STF, que resgatou Lula de Curitiba para ser candidato, e os petistas que só pensavam em sequestrar a máquina pública distribuindo cargos para a companheirada sem formação técnica compatível — ainda acreditava que o lulopetismo poderia dar certo? Há certas narrativas contadas por aí que precisam ser retificadas. Os governos do PT não foram capazes de melhorar a vida brasileira. Nada do que fizeram foi sustentável. A efemeridade de uma melhora aqui ou ali se perdeu com o tempo, como o tal aumento da classe média que voltou a ser pobre dentro do mesmo período em que o partido esteve à frente do país. No primeiro mandato de Lula, a responsabilidade fiscal herdada de Fernando Henrique Cardoso garantiu a manutenção da governabilidade. Antônio Palocci, o então comandante da Fazenda, manteve a rigidez fiscal sem pedir licença à ala política e inconsequente do PT. Mesmo o Mensalão, quando o PT deu as caras para comprar apoio no Congresso, foi eclipsado porque o governo não se desviou da rota econômica de austeridade. Reeleito para o segundo mandato, contou com a China crescendo 15% ao ano e ávida pelas commodities brasileiras, o que bancou o crescimento brasileiro. Achando que aquilo era para sempre, o país não foi preparado para a época de vacas magras. Dilma Rousseff chegou como escolhida de Lula para fazer o mesmo. Não existia mais China, nem Palocci, nem a benevolência das pessoas. Os protestos de 2013 eclodiram e expuseram a farsa de um modelo que não se sustentava porque era altamente dependente do sucesso dos outros, como o exponencial crescimento chinês. E, como a Lava Jato demonstrou, parecia viciado em corrupção. O Brasil poderia ter ficado rico e sustentável. Ao contrário, foi levado à pior recessão de sua história, em 2015 e 2016, e a mais um processo de impeachment que expurgou a presidente e o PT. Lula iria preso logo depois, acusado de corrupção passiva.
Menos de dez anos depois, estaria de volta para um terceiro mandato, que é o que está aí. Em dezembro do ano passado, 78,9% das famílias brasileiras disseram estar endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio. Quase 50% da renda das famílias está comprometida com dívidas. A inadimplência também subiu em 2025. Em dezembro, aproximou-se de 30%. Mesmo no pujante agronegócio, o custo Lula bate forte. O número de processos de recuperação judicial de empresas do setor bateu recorde no ano passado. Com alta de 56,4% em relação a 2024, chegou a quase 2 mil pedidos de ajuda na Justiça. Os mesmos juros altos que empurram as famílias brasileiras para o endividamento e a inadimplência, impedem que empresas busquem crédito no mercado para expandir a produção ou simplesmente conseguir um fôlego financeiro no dia a dia do negócio. E a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 14,75% ao ano, apesar do modesto corte de 0,25 ponto percentual na semana passada, permanece na estratosfera porque o governo Lula gasta mais do arrecada desde que voltou ao comando do país. São três anos seguidos de rombos fiscais e discurso leniente com aumento do gasto público e nenhuma medida para combater a ineficiência estatal. Não há condições de baixar os juros sem responsabilidade fiscal, sem apreço à autonomia do Banco Central e sem respeito ao pagador de impostos, asfixiado pelo sucessivo aumento de impostos. Lembra do Taxad, o homem de Lula na economia? O Brasil dos brasileiros que trabalham e consomem e das empresas que produzem perdeu o fôlego que havia ganhado com a recuperação da economia no governo Temer, depois da tragédia de Dilma, e sobretudo com Bolsonaro, cuja equipe econômica de Paulo Guedes conseguiu fazer o país ser um dos exemplos de rápida recuperação internacional no mundo pós-pandemia e sob a guerra da Ucrânia. Conseguiu isso, veja só, reduzindo impostos, burocracia e criando um ambiente favorável aos negócios. O PIB cresceu 2,9% e o país se aproximava da OCDE, o clubão dos ricos. Lula fez o contrário e fala de Sul Global e um Brics enxertado de ditaduras.

Diante de tudo, volto à pergunta inicial: o que falta para o setor mais promissor da economia brasileira exercer seu papel político e evitar retrocessos como os de agora? Em que mundo vivem? O que ainda esperam? Já escrevi aqui que a eficiente produção agrícola brasileira, que gera excedentes enormes e sustenta o mundo com comida boa e barata, é um modelo de negócio excepcional que, mesmo que a economia doméstica vá mal para os mais de 200 milhões de brasileiros, há outros 800 milhões de habitantes do mundo que continuarão a comprar a soja, o milho, o açúcar, as carnes, o café, o suco de laranja e tudo mais o que produzirmos. Mas e quando a política doméstica afeta nossa capacidade de produzir e escoar a produção? Não é exatamente o que está acontecendo agora com a disparada do diesel e o receio de racionamento ou falta de fertilizantes, que importamos porque não podemos produzir aqui, dada a histérica visão ambiental do PT e de seus aliados no Supremo? O projeto da Ferrogrão, que escoaria a produção do Centro-Oeste pelos portos do Norte, está parado no gabinete de Alexandre de Moraes desde 2019. O ministro é aliado de Lula. Em fevereiro deste ano, a insegurança jurídica e a omissão do governo federal atingiram níveis insuportáveis. Tribos indígenas contrárias ao projeto do próprio governo federal de desestatização dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, para aumentar o transporte por hidrovias, impediram o escoamento da safra de grãos pelo porto de Santarém, no Pará. Primeiramente, bloquearam o acesso de caminhões e depois invadiram o terminal portuário da Cargill. O governo não reagiu de pronto. A Justiça chegou a negar pedidos de reintegração de posse. Era o caos por falta de governo e respeito à propriedade privada e aos interesses nacionais de todo o país. O projeto de desestatização de hidrovias dos rios da região Norte, que permitiria dragagem do leito e escoamento fluvial da produção do agronegócio, aumentaria a eficiência do escoamento da safra, possibilitaria o aumento do PIB e a redução das emissões de carbono. Havia sido assinado pelo próprio presidente Lula, em agosto do ano passado. Ele próprio o revogou, depois do protesto dos indígenas. E olha que o Decreto nº 12.600, de 2025, era apenas para estudos iniciais.
Como explicar isso ao Brasil do interior que plantou, que colheu, que transportou, que atraiu investimento externo e que precisa dar certo, apesar do PT? Como entender que isso aconteça sem que o agronegócio, via entidades do setor, se manifeste de forma mais enfática e prática sobre o governo que joga contra milhões de negócios e trabalhadores do setor, hoje comparado à galinha dos ovos de ouro da economia brasileira? Chamado de fascista por Lula porque a maioria do agro não se curva ao seu populismo político, o agronegócio tem um encontro com o Brasil e seu papel na política nacional. Que as entidades têm se manifestado, que a Frente Parlamentar do Agro no Congresso tem protestado, ninguém duvida. Mas é pouco e muito menos do que o setor poderia e deveria fazer. Quem alimenta o mundo precisa saber que a coragem tem de ser inerente ao sucesso. É hora de se mostrar mais, de reclamar, de se expor ao debate sem medo de represálias. O recorde de recuperações judiciais no setor e o crescimento de produtores gaúchos, que têm atentado contra a própria vida por endividamento crescente pelas tragédias climáticas que sofreram (veja a reportagem especial de Tauany Cattan nesta edição), são evidências de que não se pode esperar mais pela reação de quem precisa sair de trás da porteira e vir a público. É hora. Já passou da hora.

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O cara conseguir colocar um país como o Brasil que tem tudo pra ser um país de primeiro mundo e um dos três mais ricos, numa miséria econômica e sobretudo numa miséria moral, é preciso ser muito incompetente e ladrão. Pega essa corja de mal feitores que estão nos três poderes bota num cargueiro e solta tudo no dorsal do atlântico, quem sabe lá eles aprendam a pescar
Otima material