Gracyanne Barbosa, Rico Melquíades, Renato Cariani, Manoel “Caneta Azul” Gomes, Antonia Fontenelle, Val Marchiori, Frank Aguiar e Edmundo “Animal” Souza. A lista não é de participantes de algum reality show, como A Fazenda ou Big Brother, mas de influenciadores digitais que almejam um lugar na Câmara dos Deputados. Diversos partidos adotaram a estratégia de atrair candidatos cujo desafio é converter em ativo eleitoral o sucesso obtido nas redes sociais.
A busca das legendas por influencers cresceu a partir da eleições de 2022, devido ao fenômeno Nikolas Ferreira. Já filiado ao Partido Liberal (PL) de Minas Gerais e com milhões de seguidores nas redes, ele, então vereador de Belo Horizonte, foi eleito deputado federal com 1,5 milhão de votos, o equivalente a 13% dos votos válidos, um recorde no Estado. O PL formou a maior bancada mineira na Câmara dos Deputados, com 11 eleitos. Alguns deles só conquistaram o mandato graças ao desempenho do jovem influenciador. Ex-ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio recebeu apenas 31 mil votos, mas acabou “puxado” por Nikolas para o Congresso Nacional.
Em 2026, todos querem — e precisam — de puxadores de votos para a Câmara dos Deputados. Como mostra a reportagem “A luta dos partidos pela sobrevivência”, na Edição 316 da Revista Oeste, formar grandes bancadas passou a ser regra para ter acesso à fatia do bilionário fundo eleitoral e espaço na propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Para alcançar esse objetivo, cada sigla — ou federação — precisa eleger no mínimo 13 deputados federais ou atingir 2,5% dos votos válidos em nove unidades da federação.

Das redes às urnas
Até o momento, ao menos nove partidos recorreram a influenciadores digitais com o intuito de contar com puxadores de votos para a Câmara. É o caso de Rico Melquíades, mais novo integrante do PSDB de Alagoas. Vencedor da 13ª edição de A Fazenda, da Record, e ex-participante do reality De Férias com o Ex, da MTV, ele contabiliza 12 milhões de seguidores no Instagram e entrou para a política com promessas excêntricas. Externou, por exemplo, o desejo de criar o que chama de “Bolsa Maconha”, “liberar cirurgias plásticas para geral” e permitir, uma vez por semana, que todo empregado dê “um tapão em cheio na fuça do patrão”.
As declarações de Melquíades revelam os riscos da estratégia de optar por influencers. Afinal, o PSDB nunca defendeu publicamente a liberação das drogas nem se manifestou a favor de o Estado bancar procedimentos estéticos. A diferença de ideias pode ser prejudicial para a legenda, avalia a publicitária e especialista em marketing de influência Natalye Martino. “O maior erro é tratar o influenciador como um outdoor com seguidores”, diz. “Partidos que chegam com roteiros prontos, mensagens engessadas e exigem alinhamento total sem dar espaço para a voz autêntica do criador estão fadados ao fracasso”. A abordagem, segundo ela, “precisa ser uma parceria, não uma contratação, com transparência sobre expectativas, liberdade criativa e alinhamento genuíno de valores.”
O PSDB ainda aposta em outros influenciadores como puxadores de voto no Rio de Janeiro. Recentemente, três famosos se filiaram ao diretório fluminense dos tucanos: a atriz Antonia Fontenelle, a cantora gospel Cristina Mel e o ex-jogador de futebol Edmundo “Animal” Souza. No Instagram, eles têm 4 milhões, 1,2 milhão e 1 milhão de seguidores, respectivamente. Eles vão disputar votos, por exemplo, com a “musa fitness” Gracyanne Barbosa. Com 13 milhões de seguidores no Instagram, ela se filiou ao Republicanos e anunciou pré-candidatura a deputada federal. O mesmo cargo passa a ser postulado pela socialite Val Marchiori, que é seguida por 1,5 milhão de pessoas no Instagram e igualmente se filiou ao Republicanos, mas por São Paulo.
Maior colégio eleitoral do país, com cerca de 35 milhões de eleitores, o Estado de São Paulo viu outras siglas recorrerem a figuras conhecidas nas redes sociais. Somente o diretório paulista do União Brasil anunciou, nas últimas semanas, as filiações do empresário Pablo Marçal (13 milhões de seguidores no Instagram) e do fisiculturista Renato Cariani (11 milhões). Os dois são tidos pela legenda como eventuais puxadores de votos para a Câmara dos Deputados.
Até o momento, ao menos outros cinco influenciadores se apresentam como pré-candidatos a deputado federal por São Paulo. Um deles é o cantor Manoel Gomes (Avante), que conta com 6,6 milhões de seguidores no Instagram; o vídeo da música Caneta Azul tem 3 milhões de visualizações em um único canal no YouTube. Filha de Silvio Santos e uma das donas do SBT, Silvia Abravanel filiou-se ao PSD. Ex-jogador da Seleção Brasileira e identificado com a torcida do São Paulo, Luís Fabiano é o mais novo integrante do MDB. Ex-vice-prefeito de São Bernardo do Campo e ex-deputado federal, o cantor Frank Aguiar tenta voltar ao cenário político e, para isso, acertou-se com o Podemos. Conhecida como “Trans de Direita”, a cantora Sophia Barclay passou a integrar os quadros do PL.
O ex-BBB Matteus Amaral deve ser candidato a deputado federal pelo Progressistas do Rio Grande do Sul. Na esquerda pernambucana, o Psol aposta no historiador Jones Manoel como puxador de votos. Já o Novo investe na candidatura do estudante e influenciador Wilker Leão para conquistar mais cadeiras na Câmara dos Deputados.
Influenciadores “promovidos”
No anseio de cumprirem a regra da cláusula de barreira, partidos devem “promover” influenciadores digitais que já se mostraram bons de voto. É o caso, por exemplo, de Lucas Pavanato (PL). Depois do estrear na carreira política com mais de 160 mil votos, o que lhe garantiu a posição de vereador mais votado do Brasil em 2024, ele deverá ser convidado pela legenda de Valdemar Costa Neto a concorrer a uma vaga na Câmara em outubro. A direção do Novo no Paraná tem pensamento semelhante. A legenda deverá lançar a candidatura a deputado federal do hoje vereador de Curitiba Guilherme Kilter.
Deputado federal por São Paulo pelo quarto mandato consecutivo, Tiririca foi de puxador de votos a puxado. Pelo PL (ex-PR), teve 1,3 milhão de votos em 2010. Em 2022, foi o que menos recebeu votos entre os 70 eleitos no Estado, com 70 mil, queda de 95%. Com 7 milhões de seguidores no Instagram, Tiririca quer voltar a ser puxador. Por isso, trocou o PL pelo PSD de Gilberto Kassab e mudou de domicílio eleitoral. Em 2026, será candidato pelo Ceará.
“Os influenciadores têm o que os partidos mais precisam hoje: atenção”, observa Natalye, sobre a razão de influencers serem tão requisitados por caciques políticos. “Eles já construíram audiências segmentadas, falam a língua do seu público e geram engajamento orgânico que nenhuma campanha paga consegue replicar facilmente’, avalia. “Para partidos que querem renovar a imagem e alcançar eleitores mais jovens, um influenciador é um atalho poderoso.”
Nem todo puxador é influenciador
Apesar da busca por influenciadores digitais, não são todos os puxadores de votos que se destacam com milhões de seguidores nas redes sociais. Sem grande relevância na internet, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP) foi o mais bem votado entre os candidatos a deputado federal por Alagoas em 2022. Na Bahia, nas últimas eleições, o candidato mais bem votado para deputado federal foi Otto Filho (PSD) — em 2026, ele não será puxador de votos, pois trocou a política partidária pelo cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
O anseio dos partidos para cumprir a cláusula de barreira pode fazer até presidenciável acabar, no fim das contas, como candidato a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Uma ala do Novo defende que o ex-governador mineiro Romeu Zema abra mão da disputa pela Presidência da República para ser o principal puxador de votos da sigla no Estado.
Influenciador ou não, uma coisa não muda. De acordo com Natalye, é preciso gastar sola do sapato e conversar cara a cara com o povo para ter chance de êxito eleitoral, além de apresentar ideias bem definidas. “A conversão de votos exige territorialidade, como aparecer fisicamente na região onde vai disputar, construir uma agenda política real e não só conteúdo”, entende. “Precisa também de consistência temática: não dá para falar de tudo e virar candidato de nada.”
Em 2022, os mais de 900 mil votos de Carla Zambelli e os mais de 700 mil votos de Eduardo Bolsonaro ajudaram o PL de São Paulo a eleger Antonio Carlos Rodrigues, que foi a escolha de somente 73 mil eleitores. Carla e Eduardo tiveram mandatos cassados e, morando no exterior, ressaltam que são vítimas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Rodrigues, que se posicionou contra o projeto de conceder anistia aos presos do 8 de janeiro, faz questão de dizer em alto e bom som ser amigo do magistrado. Rodrigues saiu do PL e foi para o Podemos, partido pelo qual deverá ser candidato à reeleição. Na mira de Moraes, Eduardo e Zambelli não terão direito a buscar novos mandatos na Câmara. Esse caso coloca uma questão para os partidos e para os potenciais puxadores de votos: é bom prestar atenção em quem estão puxando.
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Doutor Ulysses Guimarães, Presidente da Câmara dos Deputados e da Constituinte de 1988 dizia: vocês não gostam do atual Congresso… espere o próximo. Será muito pior. Estamos no caminho profetizado por Ulysses Guimarães.
Jesus me socorre … Socorre também este país. Estou perplexa com essas notícias. É verdade? 🤥