No dia 1º de abril foi realizado o AIBrasil Day, maior evento de inteligência artificial (IA) do país, que reuniu 400 participantes e palestrantes top no Cubo Itaú, em São Paulo. Mostrou claramente que a IA não é “o futuro”. É o presente. Quem resiste a essa realidade está ficando no passado. O evento foi promovido pela AIBrasil, a principal comunidade de inteligência artificial do país, com 10 mil membros. Para eles, o “medo” da inteligência artificial não tem o menor sentido. A transformação é rápida e inevitável.
“Na era da IA, um líder precisa saber ler o contexto, acolher as pessoas certas, sustentar presença sob pressão e ter coragem para conduzir sem deixar de ser humano”, disse o Chief Growth Officer (CGO) da AIBrasil, Rodrigo Righetti. Não é IA versus humanos. É IA mais humanos — desde que capacitados.
A inteligência artificial representa mais do que uma mudança tecnológica. Ela modifica as relações de trabalho e as redes de interação econômica. É uma “arma” produtiva de alta potência — e está à disposição de qualquer um. Marcelo Tripoli, da consultoria Zmes, tocou nesse ponto fundamental — a tecnologia hoje é basicamente igual para todos. O que não é igual é a mudança cultural. Em outras palavras, alguns mudam, outros não. “O mundo corporativo é mais do mesmo”, disse Tripoli. “Empresas, por princípio, não querem mudar. Para isso, é preciso mudar a liderança.”
O evento serviu para mostrar um panorama do quanto a inteligência artificial já está presente em nossas vidas, mesmo que a gente não perceba. Felipe Cohen, da Magalu, falou sobre uma nova fase do comércio: depois do e-commerce, chegou o AI-commerce. O consumidor, segundo Cohen, também mudou: ele não tem apenas as necessidades tradicionais (fisiológicas, sociais, autoestima). Surgiram mais duas fundamentais: wi-fi e bateria. E tempo.
Segundo pesquisa da GFK Brasil, mais de um terço dos brasileiros prefere ter mais tempo do que mais dinheiro. E a IA surge para acelerar tudo numa escala nunca vista. “A IA vai ser tão revolucionária ou mais do que foram a internet e o smartphone. E quase 60% dos brasileiros já tiveram algum contato com chats de inteligência artificial. O brasileiro gosta de experimentar”.

Doze mulheres com câncer
A neurocientista Paula Tempelaars, da assessoria NeuroWits, mostrou que 26% das marcas não são citadas nos serviços de IA. E que, agora, as empresas têm que pensar em atender a dois “clientes”: o humano e a inteligência artificial. A IA precisa saber que seu produto existe, pois ela tem autonomia para levar a marca para os humanos. “A marca não é mais só o que o nosso cérebro percebe dela, agora ela é também interpretação algorítmica”, diz Paula. “Daqui a pouco a gente vai poder comprar dentro do próprio ChatGPT. Se a sua marca estiver lá…”
O cirurgião Pedro Batista Junior mostrou o abismo que existe entre o mercado brasileiro de saúde (US$ 163 bilhões) e o que é gasto em investimento em tecnologia na área (US$ 2 bilhões). Nesse caso, estamos atrasados em relação aos países mais desenvolvidos. No processo dominado só por humanos, cada etapa dura dias ou semanas, os erros são acumulados e tudo precisa ser retrabalhado constantemente. A nova medicina desenvolveu um fluxo autônomo e contínuo entre IAs. O processo passa a durar segundos entre cada etapa e os humanos intervêm somente em exceções e casos mais complexos. A inteligência artificial consegue observar riscos invisíveis aos humanos. “Eu estou falando de pacientes que estão passando 66 vezes num pronto-socorro”, exemplifica o doutor Pedro. “E nenhum humano entra em contato com esse paciente para verificar o que tem de tão errado nele.”
Quarenta operadoras estão sendo estruturadas com o uso de IA, o que significa observação contínua em 12 milhões de pessoas. Um exemplo dado por ele é que sistemas de IA permitem localizar exatamente quais mulheres estão há mais de dois anos sem fazer mamografia e, portanto, correndo o risco de desenvolver câncer de mama. É possível até localizar as 12 mulheres que, estatisticamente, já desenvolveram o câncer. No método tradicional, seria preciso gastar R$ 1,3 milhão para investigar mais de 7 mil mulheres — uma de cada vez.
Um Nobel para o Brasil?
O engenheiro Gabriel Bottos, fundador da Vesper Bio, destacou duas grandes crises contemporâneas: doenças causadas pelo envelhecimento da humanidade e a produção sustentável de alimentos. A Vesper trabalha com a programação de células, num hub localizado em Florianópolis, reunindo mais de cem pesquisadores em oito empresas de biotecnologia avançada, quatro em agricultura sustentável e quatro em saúde humana. “Talvez daqui saia o primeiro prêmio Nobel do país”, aposta Bottos.
O banco, repensado
O evento ainda teve palestras sobre segurança financeira, onde Rafael Siqueira (líder de tecnologia da Latam-McKinsey) falou do próximo passo do sistema financeiro: o “agentic bank”. “É deixar o agente (de IA) operar por você de forma controlada.” Um gigante como o JPMorgan Chase já investiu US$ 15,5 bilhões nesse avanço. “A gente vai ver um banco digital operando com menos de 100 pessoas. Num grande banco, são dezenas de milhares.”
Siqueira diz que não é apenas um avanço tecnológico. “É um banco repensado do zero, onde todos os processos são executados com inteligência artificial.” Rafael garante que hoje o sistema à base de IA já é muito superior ao trabalho humano, por exemplo, na identificação de fraudes e golpes.
Entrevista com Pedro Chiamulera e Anderson Soares

Pedro Chiamulera é o criador e maior entusiasta do AIBrasil. Anderson Soares é o novo Chief Artificial Intelligence Officer (CAIO) da comunidade. Anderson vem do maior centro acadêmico sobre IA do Brasil. Que fica em Goiânia.
Mas Goiânia não é a capital do agro, a cidade dos boiadeiros e dos berrantes? É, também. Mas a quebra desse clichê foi uma das grandes surpresas do AIBrasil. Ao lado da professora Telma Woerle de Lima Soares, Anderson fundou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) dentro da Universidade Federal de Goiás. É um centro de excelência citado nos principais rankings de polos tecnológicos do mundo. Telma é a atual diretora executiva do CEIA.
Pedro e Anderson falaram à Oeste por videoconferência da sede da Google, em Mountain View, California, durante uma série de palestras no ensolarado Vale do Silício, na Califórnia. Eles estão espalhando a ideia de que o Brasil pode ser mais do que um consumidor dos aplicativos criados nas big techs. Querem alimentar a ideia, perfeitamente possível, de que o país pode ser um centro de desenvolvimento dessa tecnologia que está mudando radicalmente o mundo — e que estamos apenas no começo.
Como surgiu a AIBrasil?
Pedro Chiamulera: A AIBrasil nasceu de um grupo de WhatsApp. É um movimento para que a gente conecte todo o mercado. Agora estamos lançando uma plataforma (o Confi) para levar essa educação para as empresas. Somos uma comunidade que conecta governo, academia e iniciativa privada. Queremos tirar esse medo que a inteligência artificial ainda provoca. Fizemos nossos primeiros eventos no Itaú Cubo, no iFood, na CIT, até para divulgar internamente nessas empresas o poder da IA. E foi por meio da AIBrasil que eu conheci o CEIA da Universidade Federal de Goiás.

Qual foi a sua reação?
Pedro Chiamulera: Foi um choque para mim. A gente pensa que Goiânia só tem caubói, agropecuária… Eu cheguei lá na universidade, vi um carro autônomo, robô, imersão. Eu falei com o professor Anderson: “a gente precisa mostrar para o Brasil que a gente tem muitos talentos”. O objetivo da AIBrasil é justamente fazer isso: criar esses eventos e mostrar tudo que a gente pode fazer para adotar mais rapidamente a IA. Acho que esse foi o grande mérito dele, o professor uniu a academia à iniciativa privada de uma forma muito exponencial. Ele impacta mais de 150 milhões de pessoas com as tecnologias que eles montaram.
Professor Anderson, como Goiânia virou o polo mais importante de inteligência artificial da América Latina?
Anderson Soares: Eu acredito que o que faz a diferença são as pessoas, não o lugar. Acho que foi a maior lição que eu carreguei de ter estudado lá no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), que é uma excelente escola. Mas, na verdade, seu mérito está em reunir pessoas muito boas no único endereço. Tivemos um empurrão do governo de Goiás, que fez um investimento de R$ 12 milhões em 2019 para que o CEIA pudesse ser maior. Hoje somos o maior centro de pesquisa de IA da América Latina. Entre os centros que estão dentro de universidades, ficamos entre os dez maiores do mundo. Agora mesmo aqui no Vale do Silício, uma VIP da Nvidia (uma das maiores empresas de tecnologia) nos citou como um dos grandes cases que eles conhecem ao redor do mundo.

Como o CEIA não é mais conhecido no Brasil?
Anderson Soares: A comunicação é sempre um desafio, né? O CEIA ajudou a desenvolver tecnologias que alcançaram mais de 150 milhões de brasileiros. A gente ajudou a criar uma tecnologia para recuperação de créditos com o grupo Itaú. Desenvolvemos uma tecnologia usada por 95% das pessoas que têm seguro automotivo no Brasil. É tecnologia brasileira.
Pedro Chiamulera: A gente está num momento super propício. As pessoas precisam ter orgulho do Brasil. Eu e o professor Anderson estamos neste momento no coração do Google. Existem muitos brasileiros que estão usando toda essa inteligência para as big techs. Nosso objetivo também é dar transparência para que esses talentos voltem a empreender e construam grandes empresas no Brasil.
dagomirmarquezi.com
@dagomirmarquezi
Leia também “Os exércitos das sombras”
Aafffff deixa EU desenhar!!
Tudo isso dito ACIMA NÃO É TECNOLOGIA…por favor gente. Sejam honestos nos seus pensamentos, premissas estabelecidas e ações corroboradas a partir disso.
É APLICABILIDADE de uma tecnologia…programa de algoritmos é aplicação de uma ferramenta desenvolvida por TECNOLOGIA.
Mesma coisa da invenção da RODA e falar que o humano que a puxa, desenvolveu uma “tecnologia “ de que é melhor puxar do que empurrar.
Desenhei!
Deu para entender agora!?
Então…querem NOBEL!?
Para de cacarejar como galinhas que botam um ovo 3 vezes menor que uma PATA.
Caiam na real….o Brasil SEGUE a ONDA…não a cria!
Criatividade não é A Tecnologia em si. É só a primeira e a mais fácil mais fácil de todo o processo de invenção da “roda”…antes dela vem a OBSERVAÇÃO e depois vem a CONSTRUÇÃO EFETIVA do processo das 2 primeiras fases.