Desde a tomada do poder pelos aiatolás, em 1979, o Ocidente tem consciência da ameaça representada pelo regime iraniano, principalmente em relação ao Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. A complacência ocidental com o Irã está sendo exposta pela operação militar de Donald Trump. Essa é uma questão que não pode ser resolvida em semanas porque não haverá solução verdadeira sem mudança total de governo.
O regime iraniano é totalitário. Seus objetivos, mais do que políticos, são religiosos, seguindo o modelo da jihad, a guerra santa. Por isso, o Irã financia terroristas no Líbano, na Síria, em Gaza, no Iêmen e na Europa. Um de seus objetivos é a destruição de Israel. O Irã gasta o dinheiro do petróleo com armas e tentava desenvolver uma bomba nuclear.

O mundo fingia que nada acontecia porque sempre contou com o poder dos EUA para manter abertas as rotas do Golfo. Foi essa garantia que permitiu que os países do Ocidente estruturassem suas economias, criassem estados de bem-estar social, promovessem a transição energética e reduzissem gastos militares. Ao mesmo tempo em que dependiam do poderio americano, os europeus davam lições de virtude aos EUA, inclusive aprovando regulamentações que forçavam empresas americanas a adotar a cartilha progressista.
Agora, os países da União Europeia estão entre os que mais sentem os efeitos do fechamento parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã. Isso expõe a contradição geopolítica: os europeus dependem do petróleo, mas não têm interesse em colaborar com a guerra. O fechamento do Estreito está mostrando a inviabilidade dessa postura. Analistas dizem que essa situação ajuda a estratégia de Trump, porque os efeitos do fechamento são sentidos justamente pelas nações que mais se beneficiaram do poder militar americano enquanto desprezavam os EUA.
Por isso, dizem os analistas, o objetivo americano não pode ser simplesmente reabrir o Estreito, retornando à situação anterior, mas sim chegar a um equilíbrio no qual o Irã não seja mais uma ameaça permanente. Nesse novo cenário, os Estados Unidos controlariam o Estreito e, consequentemente, o mercado global de petróleo.

Trump tem a capacidade de destruir o arsenal do Irã, remover as minas marítimas e escoltar petroleiros pelo Estreito. Mas fazer isso sem mudar o cenário geopolítico seria assegurar à Europa — e ao Reino Unido — que eles podem continuar reduzindo sua capacidade de defesa e radicalizando seu progressismo sem assumir as consequências. Os líderes europeus precisam encarar o fato de que seus sistemas políticos e sociais dependem de um poderio militar americano que eles não financiam nem respeitam. O acesso ao Estreito de Ormuz e o livre fluxo do comércio não são direitos assegurados ao Ocidente. Eles dependem da manutenção de um poder militar com capacidade de projeção em todo o mundo. Esse poder se chama Estados Unidos da América.
Para entender a importância dele, basta perceber como toda a estratégia do Irã foi desmontada pela ofensiva americana. Poucos analistas imaginaram que os EUA iriam optar por um confronto direto com os aiatolás. A segurança do regime iraniano era baseada em grupos terroristas aliados e na aquisição de armas nucleares. No caso de um ataque dos EUA ou de Israel, o plano iraniano era responder através dos aliados. O Hezbollah, o Hamas e os Houthis atacariam Israel com mísseis, sobrecarregando as defesas aéreas israelenses. Mas os grupos terroristas foram duramente atacados por Israel e pelos EUA e sua contribuição para a defesa do Irã foi insignificante.

Quando a guerra chegou ao território iraniano, os aiatolás decidiram atacar os vizinhos árabes. Eles imaginavam que os países do Golfo pressionariam Trump para acabar com a guerra. O resultado foi o oposto. A estratégia iraniana consolidou a oposição aos aiatolás. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos pediram que Trump continuasse atacando. Além disso, os ataques do Irã mostraram como os países árabes dependem da proteção dos EUA — e de Israel — para continuar existindo.
O fechamento do Estreito de Ormuz se revelou um erro estratégico, ao reforçar a ideia de que o Irã é uma ameaça mundial. O lançamento de mísseis contra a base de Diego Garcia, no oceano Índico, mostrou que a destruição pode alcançar a Europa. Foi um duro despertar para os progressistas europeus.
O Irã baseou toda a sua estratégia na covardia do Ocidente e na timidez dos presidentes americanos. Mas o regime terrorista enfrenta agora um tipo diferente de presidente. E só por isso o mundo deveria agradecer a existência de Donald Trump.

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Parabens Motta, isto vale por um curso de geopolitica.
Grande Abraco!
Um artigo altamente explicativo do Roberto Motta. Uma explicação simples de ser entendida e , como uma boa aula de geopolítica deveria estar em todas as Faculdades e Universidades para que aprendam e larguem, todos, de falarem besteiras a respeito desta Guerra. Motta colocou Trump onde ele deveria estar para todo mundo. Parabéns Motta. Só para um complemento: Trump está libertando um povo de uma ditadura religiosa que não deveria existir. Religião não deveria ser para aprisionar o povo. O povo iraniano, a grande maioria sabe disso. Inclusive os milhares que foram mortos por este regime religioso, só neste ano. Parabéns mais uma vez….Nota 10.
Excelente análise! O mundo precisa defender os valores ocidentais!!! E a Europa precisa acordar para realidade!!