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Pessoas se abraçam perto do Centro Islâmico de San Diego, onde o ataque a uma mesquita deixou cinco mortos, incluindo dois adolescentes suspeitos | Foto: Nelvin C. Cepeda/San Diego U-T via ZUMA Press Wire
Edição 324

O fascismo não escolhe lado

Nem judeus nem muçulmanos no Ocidente deveriam pagar o preço pelo "genocídio" de mentira que tentam imputar a Israel ou pela selvageria real do regime iraniano

Imagine se, depois do tiroteio bárbaro no Centro Islâmico de San Diego na semana passada, a imprensa começasse a falar sobre os pecados do regime iraniano. Imagine se os autodenominados “progressistas” dissessem: “Os assassinatos foram lamentáveis, claro, mas o que mais se pode esperar de uma nação islâmica violenta no exterior?” Imagine se os falastrões da patrulha woke afirmassem, com a maior naturalidade, que esse massacre de inocentes era uma questão “complexa” porque teve como “pano de fundo os horrores da República Islâmica”.

Ficaríamos horrorizados, não é? Eu ficaria. Para mim, isso cheiraria à mais pura e covarde desculpa esfarrapada. Pior ainda, exalaria um esforço patético de racionalizar os assassinatos. Não foram uma obra sangrenta de mentes fanáticas, mas uma resposta — embora infeliz — à perversidade dos aiatolás do Irã. Representaria uma perigosa atribuição de culpa coletiva a todos os muçulmanos, como se cada um deles carregasse a mancha moral dos crimes de Teerã.

No entanto, é exatamente isso o que acontece quando os judeus são o alvo. Sempre. Do lixo digital israelofóbico até a mídia a serviço do establishment, o clamor é uníssono: “A culpa disso é de Israel”. Se o Estado judeu não fosse tão “demoníaco”, talvez os judeus por aqui não fossem esfaqueados, baleados, espancados e insultados. Talvez agora, depois dos assassinatos em San Diego, as pessoas enxerguem a tamanha abominação que é recorrer a esse sofisma de quinta para justificar atrocidades fascistas. Podemos esperar sentados.

Os acontecimentos no Centro Islâmico foram tenebrosos. E teriam sido ainda piores se não fosse pela bravura do segurança Amin Abdullah. Dois adolescentes armados tentaram invadir a mesquita. Amin atirou contra eles e iniciou os procedimentos de confinamento de emergência — o que provavelmente salvou dezenas de vidas. Os adolescentes mataram o segurança. No estacionamento, encontraram outros dois fiéis e os assassinaram a tiros. Depois, se mataram. Três muçulmanos massacrados em seu local de culto: um crime inadmissível.

Mulheres chegam a cerimônia religiosa em memória das vítimas do tiroteio em San Diego, Califórnia, EUA, 21/5/2026 | Foto: Mike Blake/Reuters

Foi um ato de niilismo brutal, impregnado do nazismo infantiloide que empesteia os bueiros da internet. Um documento supostamente escrito pelos adolescentes é repleto de ódio aos muçulmanos, além de insultos homofóbicos e antissemitas. Segundo relatos, eles culparam “a comunidade judaica” pelos “problemas do mundo moderno”. É uma tragédia incomensurável a perda de três vidas, extirpadas pela podridão dos cérebros racistas que incitam esse conspiracionismo digital.

Agora, imagine como essa tragédia seria agravada se a elite intelectual desse de ombros ou respondesse com aquelas velhas evasivas morais: “Bem, é um assunto complexo, por causa do Irã”. Que fique claro: não comparo Israel ao Irã. O Estado judeu é uma democracia que tem todo o direito de se defender contra exércitos de antissemitas que desejam destruí-lo. A República Islâmica é uma tirania bárbara que esmaga seu próprio povo e financia esses exércitos.

Mas a questão é: nem judeus nem muçulmanos no Ocidente deveriam pagar o preço por nada disso — seja pelo “genocídio” de mentira que tentam imputar ao Estado judeu, seja pela selvageria real cometida em nome do Islã pelo regime iraniano. É inconcebível que isso precise ser dito. Mas precisa.

Alguns degenerados da extrema direita tentaram racionalizar a atrocidade em San Diego. “Lembrem-se de que as pessoas que frequentam essa mesquita querem que todos nós sejamos mortos”, disse a influenciadora MAGA Laura Loomer. Isso provocou indignação na esquerda, que eleva a hipocrisia a patamares inacreditáveis. A mesma esquerda que se fez de surda quando imbecis do mesmo naipe de Loomer, mas de seu próprio espectro político, disseram: “Havia sionistas na celebração do Chanucá na praia de Bondi e nas sinagogas atacadas em Londres, então… o que você esperava?”. As obscenidades morais de Loomer já foram cometidas pela esquerda, repetidas vezes.

A atrocidade de San Diego expôs o duplo padrão da “sociedade civilizada” em relação à violência antimuçulmana e antissemita. Esquerdistas britânicos que não disseram uma única palavra quando judeus foram baleados em Washington, D.C., e queimados vivos no Colorado, acotovelam-se para ver quem condenava primeiro a violência em San Diego. Até a Polícia Metropolitana de Londres emitiu um comunicado sobre o caso. Por que a polícia de Londres está comentando um ato de violência a quase 9 mil quilômetros de distância? Por que não comentaram, da mesma forma, sobre o judeu queimado até a morte no Colorado no ano passado por um homem que gritava “Palestina Livre”? O prefeito Sadiq Khan também emitiu uma declaração. Mas ele alguma vez emitiu declarações sobre as atrocidades islamofascistas contra cristãos na África e na Ásia? Por que não?

Parece que algumas pessoas, especialmente na esquerda, precisam de uma aula de reforço sobre como se opor à violência fascista. Você exibe uma postura firme e convicta. Você não respira fundo antes de falar, não tenta racionalizar, não abaixa a cabeça como um covarde. Seja o assassinato de Charlie Kirk por suas crenças, ou a morte de um CEO como punição por seus “pecados capitalistas”, ou ameaças de estupro a feministas radicais (TERFs) por dizerem que homens não são mulheres, ou o massacre de muçulmanos em seu local de culto, ou a caça aos judeus em quase todos os lugares — tudo isso agride brutalmente as virtudes fundamentais da nossa civilização. Tudo isso deve ser condenado.

Divulgou-se que o imã do Centro Islâmico teceu elogios ao pogrom de 7 de outubro, chamando-o de “resistência”. E lamentou a lavagem cerebral dos americanos pela “máquina de propaganda sionista”. Isso é uma baboseira preconceituosa, sem possibilidade, mínima que seja, de justificar o ataque bárbaro, de inspiração nazista, ao Centro Islâmico. Como Rob Eshman escreveu esta semana, há uma multidão incapaz de entender que “justificar atos de violência contra aqueles que discordam de você dá motivos de sobra para fazerem com você exatamente a mesma coisa”.


Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast The Brendan O’Neill Show, também da Spiked. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy

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1 comentário
  1. Adriano M
    Adriano M

    Excelente matéria e assunto extremamente necessário!!! É preciso combater a desinformação e o anti-semitismo!!!! Obviamente qualquer ato de violência deve ser condenado, seja contra uma sinagoga ou uma mesquita!

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