Haddad resolveu provocar Milei pelas redes sociais. O ex-ministro da Fazenda — maldosamente apelidado de Taxad nas redes sociais — achou uma boa estratégia política medir forças na área econômica com o presidente do país vizinho. Pelo visto, o Brasil do PT está querendo levar um 7 x 1 da Argentina.
Fernando Haddad é um viajante do conto de fadas petista — fábula alimentada por uma elite que enxágua sua reputação com um certo complexo de Robin Hood. Chega a ser impressionante que essa lengalenga do oprimido, completamente apartada da realidade (e dos verdadeiros oprimidos), continue funcionando como fachada para um poder caquético.
Haddad tenta tratar Milei como um neoliberal insensível — repetindo o discurso do PT quando tentava bombardear o Plano Real, mais de três décadas atrás. Resumindo: o Brasil de hoje tem mais de três décadas de anacronismo.
O ex-ministro da Fazenda parece acreditar que ainda cola um discurso desses. No início dos anos 1990, demagogos, populistas e fisiológicos do mundo inteiro se uniram contra o avanço das reformas fiscais. As políticas macroeconômicas estavam sacudindo o mofo da administração pública. A ideia do Estado provedor de facilidades e bem-estar estava indo para o brejo, denunciada por uma entidade cruel chamada realidade.
Sim, o Estado poderia ser o organizador do bem-estar coletivo — desde que deixasse de ser um inventor de riquezas (nunca será) e parasse de oferecer cheque especial sem fundos. Ou seja: nesse período se consagrou o princípio de que não há mágica fora da responsabilidade fiscal. Ou um país vive do que a sociedade produz (e tem aí sua única medida de riqueza) ou passa a vida vendendo miragens, enriquecendo espertalhões e empobrecendo o povo.
Pois foi justamente de fazer mal aos pobres que Haddad resolveu acusar Milei. O discurso nos anos 1990 era exatamente assim: “ajuste fiscal” era um palavrão atribuído aos “neoliberais” que só pensavam em números e não tinham sensibilidade social. A prática das reformas fiscais sérias (como a do Brasil) mostrou que era exatamente o contrário: acabar com as “bondades” devastadoras da gastança estatal era recuperar a renda do povo.
É isso o que está fazendo Javier Milei na Argentina, aos olhos de quem quiser ver. Mesmo essa imprensa embolorada que ensaiou um discurso catastrofista após a derrota do kirchnerismo teve que dar uma temperada na sua má vontade — e reconhecer os números da recuperação argentina. O “neoliberal insensível aos pobres” não cola mais.
Milei tem trazido o país que governa a uma redução consistente da inflação — medida mais eficaz contra a pobreza em qualquer lugar e em qualquer tempo. É justamente a contramão do que se passa no Brasil legado por Haddad — com o Boletim Focus elevando mais uma vez a previsão da inflação anual, fora da meta e cada vez mais distante dela.

O discurso de Haddad (como candidato) e sua prática (como ministro) só são sustentáveis dentro de uma retórica que morreu no século passado. Mas vozes influentes dessa elite metida a Robin Hood insistem em dar lastro intelectual a essa “bad trip”. Está na hora de os economistas do Plano Real que apoiaram Lula em 2022 dizerem se ficaram satisfeitos com a sua escolha.
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