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Um homem lê um jornal que anuncia a vitória do candidato de direita Abelardo De La Espriella na disputa presidencial, segundo a apuração inicial dos votos, após o segundo turno contra o candidato de esquerda Ivan Cepeda, em Barranquilla, Colômbia, em 22 de junho de 2026 | Foto: Charlie Cordero/Reuters
Edição 328

A Colômbia e o papelão da mídia

O noticiário sobre a eleição colombiana já está coalhado de “especialistas” encarregados de fermentar a cantilena

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

A eleição presidencial na Colômbia resultou na vitória do advogado Abelardo de la Espriella, que substitui o populista Gustavo Petro, gerando debates sobre a ascensão da "ultradireita". O texto critica a cobertura da imprensa, que rotula a vitória como uma derrota da demagogia, mas ignora os problemas reais, perpetuando uma narrativa ideológica. A expectativa é que De la Espriella enfrente uma campanha de estigmatização, similar à que ocorreu na Argentina após a eleição de Javier Milei.

O resultado da eleição presidencial na Colômbia colocou em prontidão todos os fantasmas da propaganda “ideológica”. A notícia objetiva é: um advogado de linha pragmática vai substituir um populista demagogo. Mas a notícia embalada pelo jornalismo trans é: vitória da “ultradireita”.

A imprensa está completamente viciada nos seus fantoches e espantalhos. A demarcação “esquerda x direita” é a festa dos oportunistas, o festival da mistificação. Uma gangorra estéril, anacrônica e enganosa que se tornou a forma mais eficaz de se esconder os problemas reais.

Gustavo Petro, o atual presidente, seria inviável desde o primeiro minuto do seu mandato se não fosse a mistificação “esquerdista” — esse véu de retórica que romantiza o fisiologismo. Alguém pode imaginar filmes, peças, poemas e ensaios literários louvando o parasita? Não dá. Mas as miragens “progressistas”, “socialistas”, “esquerdistas” etc., têm uma multidão de obras emocionantes a lastreá-las.

Aí o candidato de Petro é derrotado pelo oposicionista Abelardo de la Espriella. Não se sabe como será o governo dele. Mas o significado inicial é óbvio: a fanfarra demagógica foi enxotada do poder. Pelo voto. E aqui vai uma sentença inexorável: sempre que a fanfarra demagógica é enxotada do poder, o grande beneficiado é o povo.

Quem espera ler isso nas manchetes vai ter que esperar sentado. O noticiário sobre a eleição colombiana já está coalhado de “especialistas” encarregados de fermentar a cantilena. O day after da eleição de Milei foi igualzinho: aliado de Trump, neoliberal, ultradireitista, insensível, autoritário, enfim, uma pessoa horrível.

Aí a Argentina começou a melhorar muito rápido, com o resgate dos principais indicadores macroeconômicos em tempo recorde. Essa notícia terrível de que a vida no país vizinho melhorou até hoje embaraça os especialistas de plantão.

Mas a armadilha está pronta, do mesmo jeito, no cenário colombiano. Se colar, colou. Essa imprensa que desistiu de ser imprensa se joga numa campanha desvairada de estigmatização do vencedor — aproveitando que é desconhecido. Obviamente, o presidente eleito reagirá ao cerco difamatório — e aí a manchete está pronta: De La Espriella ataca a imprensa.

Talvez um dia o jornalismo se envergonhe de ter cultivado como “democratas” aqueles que cantam Imagine, de John Lennon, em coro com o tirano Nicolás Maduro, ou que piscam o olho para regimes brutais como o chinês e o iraniano. Mas isso só vai acontecer quando os álibis do “esquerdismo” e do “direitismo” falirem como salvo-conduto dos hipócritas.

Homem sentado perto de jornais anunciando que o candidato de direita Abelardo de la Espriella venceu a corrida presidencial | Foto: Charlie Cordero/Reuters

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2 comentários
  1. Mariza
    Mariza

    Imagino a indignação dos jornalistas vermelhinhos e da multidão de corruptos e narcoterroristas da Colômbia tendo que encarar a onda conservadora que pune os crimes e que valoriza o mérito individual kkkkkk Viva aos Colombianos que endireitaram os rumos de sua Pátria! Bravo!

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