publicidade
Nayib Bukele, Keiko Fujimori, Abelardo de la Espriella e Flávio Bolsonaro | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/Agência Brasil/Reprodução
Edição 328

A onda conservadora

Governos de esquerda são incapazes de entregar aquilo que realmente importa para a população: bons resultados

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Abelardo de la Espriella venceu as eleições presidenciais na Colômbia, derrotando o candidato do atual presidente Gustavo Petro, em um resultado apertado que reflete uma onda conservadora na América Latina. Essa tendência é atribuída, em parte, ao corte de recursos da Usaid que favoreciam ONGs de esquerda. A insatisfação popular com os governos de esquerda, que falharam em oferecer melhorias econômicas e segurança, tem impulsionado candidatos de direita, como Flávio Bolsonaro no Brasil, que propõe um plano rigoroso contra o crime organizado.

Abelardo de la Espriella ganhou a eleição para presidente na Colômbia, enfrentando o candidato do atual presidente, Gustavo Petro, um radical de esquerda. Foi um resultado bastante apertado, como no Peru, onde o triunfo de Keiko Fujimori se tornou irreversível. A direita vem conseguindo vitórias importantes na América Latina, isolando os países ainda sob governos socialistas, como Cuba, Venezuela, Nicarágua e Brasil.

Alguns acham que essa onda conservadora se deve ao fim da Usaid, que mandava recursos para ONGs que muitas vezes agiam para favorecer a esquerda radical. Ao fechar essa torneira, Trump teria cortado o acesso da esquerda aos fundos americanos de fachada. É um ponto, e sem dúvida pode ter tido algum impacto. Basta lembrar de Mike Benz mostrando dados estarrecedores de repasses da Usaid para interferir nas eleições brasileiras de 2022.

Trump anunciou o fechamento da Usaid na terça-feira, 4 | Foto: Reprodução/Redes sociais
A suspensão de recursos da Usaid asfixia ONGs radicais e revela o histórico de repasses internacionais para influenciar disputas políticas | Foto: Reprodução/Redes sociais

Mas certamente isso não encerra a questão. O fato é que os governos de esquerda são incapazes de entregar aquilo que realmente importa para a população: bons resultados. Seja na área econômica, seja na questão da segurança pública, o povo deseja mudança depois de anos de esquerdismo. E esses candidatos vencedores souberam explorar bem esse discurso, muitos mencionando o caso bem-sucedido de Bukele em El Salvador.

Nesse sentido, Flávio Bolsonaro acerta ao divulgar o Plano Brasil Sem Medo, com 12 eixos para endurecer contra os marginais. As facções criminosas passariam a ser tratadas como terroristas, acompanhando a classificação que os Estados Unidos deram e que Paraguai e Argentina já usam. A maioridade penal seria reduzida para 14 anos, aproximando o Brasil do restante do mundo. Haveria mais tropas das Forças Armadas nas fronteiras, por onde entram armas e drogas. Haveria investimento na construção de presídios de segurança máxima. Abusadores sexuais sofreriam castração química. Seria decretada tolerância zero com o feminicídio. Teria aumento de patrulhamento nos portos e aumento de verba de segurança em geral. Seria criado um sistema nacional de reconhecimento facial. O auxílio presidiário acabaria, assim como a progressão de pena para crimes hediondos.

E, por fim, o projeto menciona o roubo de celulares, dando destaque a essa modalidade de crime comum que vem infernizando a população. O texto ressalta que a prática criminosa é desprezada pelo atual governo e não tem o devido rigor previsto em lei. Para reverter essa realidade, a proposta seria quadruplicar a pena, que passaria a ser sem progressão de regime, para quem furta, rouba ou revende os aparelhos frutos das ações criminosas.

Flávio Bolsonaro
O Plano Brasil Sem Medo lançado por Flávio Bolsonaro propõe 12 eixos para endurecer o combate ao crime e tratar facções como terroristas| Foto: Vittor Sales

Todos os pontos vão na direção de aumentar o custo do crime, como deve ser. O economista Gary Becker já mostrou que a marginalidade conta com cálculos racionais de custo-benefício, e por isso mesmo é importante elevar os custos e reduzir os benefícios, tornar a escolha pelo crime uma escolha mais arriscada. Isso só é possível com maior punição aos envolvidos.

O cenário da Colômbia e do Peru deve, portanto, se repetir no Brasil. De um lado, o candidato que banaliza roubo de celular e que chama traficante de “vítima do usuário”. Lula veste literalmente o boné do CPX, logomarca do crime organizado, e sobe favela sem a necessidade de escolta policial. Do outro lado, teremos, ao que tudo indica, o senador Bolsonaro, com um discurso diametralmente oposto no campo da segurança pública.

Além disso, há o aspecto econômico. A esquerda sempre falha em entregar uma condição de vida melhor para a população, até porque comemora mais gente dependendo de assistencialismo estatal. A perda do poder de compra da moeda é sentida a cada ida ao mercado, e os indicadores do maquiador Pochmann no IBGE seguem perdendo credibilidade. O povo sente no bolso que a promessa de “chuva de picanha” era puro estelionato eleitoral.

Juntando isso, seria natural imaginar que a direita tem grande vantagem na disputa. Mas essas eleições mostram como a esquerda radical ainda consegue enganar — ou intimidar — muita gente. O uso da máquina estatal é uma ferramenta poderosa também. Não se pode jamais subestimar a força da esquerda numa eleição latino-americana.

Por fim, Trump deu um endosso explícito e público ao candidato direitista Abelardo de la Espriella antes do segundo turno, descrevendo-o como um “líder inteligente, forte e duro” com “apoio político” a ele. Trump também criticou o rival de Espriella (Iván Cepeda, aliado de Gustavo Petro) como um “marxista de esquerda radical” e destacou que a vitória de Espriella melhoraria as relações entre Colômbia e EUA. Será que o presidente americano vai fazer o mesmo na eleição brasileira? Recentemente, ele divulgou um texto da NewsMax que alertava que a eleição brasileira será o grande teste para a direita na região. Será que só o Brasil ficará de fora dessa onda conservadora? Tomara que não!

Após apoiar De La Espriella na Colômbia, Trump sinaliza interesse no pleito do Brasil ao destacar o país como o grande teste para a direita | Foto: REUTERS/Jair Coll

Leia também “Lula é o Zelig brasileiro”

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Mariza
    Mariza

    Caro Constantino, você redigiu com maestria uma excelente síntese sobre a situação dessa tendência do pêndulo estar movendo-se para a Direita. Orando para todos os Poderosos do Olimpo Divino para que Brasil castigado e anêmico fique azul em 2027 e que os mamadores busquem novos meios de subsistência e as verbas públicas voltem para a retomada do progresso da Nação e seu povo com equidade e justiça cega!

Anterior:
A Colômbia e o papelão da mídia
Próximo:
O avanço da direita na América do Sul
publicidade