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Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil | Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 329

No inverno da nossa esperança 

Trata-se não apenas de vencer uma eleição, interrompendo uma decadência econômica, fiscal e ética, mas da capacidade de administrar um terrível legado

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O artigo analisa a ascensão de Jair Bolsonaro e a dinâmica política atual no Brasil, destacando sua habilidade em unir a direita e vencer adversários como a mídia e a esquerda. Após sua saída do governo, Bolsonaro indicou seu filho Flávio como pré-candidato à presidência em 2026, mas enfrenta desafios devido a investigações e à necessidade de manter a confiança dos eleitores.

Bolsonaro soprou oxigênio na brasa dormida e ela gerou a chama da direita que tomou conta do país, dos jovens, das mulheres, dos eleitores — e o deputado “do baixo clero”, odiado pela mídia, venceu a mídia, o sistema, a esquerda psolista e lulista. Teve a humildade de chamar quem entendia para ajudá-lo nos setores em que se reconhecia fraco: Paulo Guedes na economia, Teresa Cristina no Agro, Tarcísio na infraestrutura, Damares no social, Onix para ajudá-lo na política. Dilma em dobro havia arrasado o país. Encolhimento de 7,5%. O interregno Temer atenuou a tragédia; fez reformas necessárias, que com Lula foram anuladas. Nem mesmo a pandemia foi capaz de prejudicar os bons resultados da administração federal. Mas o sistema precisava afastá-lo, porque a moralidade imposta pela Constituição o estava ameaçando. Lula foi “anistiado” pelo Supremo, porque era o único capaz de fazer frente à reeleição de Bolsonaro. 

Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, Jair Bolsonaro, ex-presidente, e Paulo Guedes, ex-ministro da Economia | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O terceiro mandato de Lula foi ainda pior que os dois de Dilma, com a diferença de que as verbas para a mídia camuflaram a situação real. Crime, inflação e juros, inadimplência, insegurança jurídica, dívida e corrupção criariam nova oportunidade para a volta de Bolsonaro. Então, o sistema, de novo, agiu, com o mesmo ativismo judicial que tanto interferiu no governo do capitão. Tiraram-lhe a liberdade e a voz. O processo é o mesmo kafkiano denunciado, urbi et orbi, pela Corte Suprema de Cassação, na Roma onde nasceu o Direito Romano. Doente da facada de Adélio & Cia, deve estar refletindo sobre a decisão que tomou. Condenado ao isolamento e silêncio, para manter o controle sobre a sucessão de sua liderança, ungiu o filho, senador Flávio, para ocupar a cadeira de pré-candidato, antes que algum político mais distante a ocupasse, com base no fato de que não há vaga que dure vazia no poder. Parafraseando a carta de Dom João VI para o filho Pedro, sobre o trono brasileiro:  “Antes ocupe tu, que me hás de respeitar, do que algum desses aventureiros”.

Antes da cirurgia do Natal, Flávio saiu do Hospital DFStar com o manuscrito, logo lido por ele: “…tomo a decisão de indicar Flávio Bolsonaro como pré-candidato à presidência da República em 2026. Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho, para resgatar o nosso Brasil. Trata-se de uma decisão consciente, legítima e amparada no desejo de preservar a representação daqueles que confiaram em mim. Ele é a continuidade do caminho da prosperidade que iniciei bem antes de ser presidente, pois acredito que precisamos retomar a responsabilidade de conduzir o Brasil com justiça, firmeza e lealdade aos anseios do povo brasileiro.” Inequívoca a unção dinástica de Jair Messias Bolsonaro sobre o primogênito.

Flávio com o manuscrito: “…tomo a decisão de indicar Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026″ | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O sobrenome fez com que Flávio subisse rapidamente nas pesquisas, chegando a ultrapassar Lula levemente. Depois que apareceu a mensagem cobrando recursos de Vorcaro para o filme sobre seu pai, Flávio ficou atrás nas pesquisas. Seus seguidores mais realistas temem que possa ter atingido um teto. Dia 20 abrem-se as portas das convenções partidárias, que têm até 4 de agosto para apresentar os candidatos à Justiça Eleitoral. O perigo de aparecerem fatos novos, e o fato de o PT já ter entrado no Ministério Público Eleitoral denunciando as ações de Flávio junto ao Governo Trump, mais o manifesto de Michelle, fez com que, mesmo com a unção de Jair Bolsonaro, as lideranças do PL e da direita estejam a refletir sobre os rumos da campanha.

A direita — entendida como a doutrina liberal na economia e conservadora nos costumes — está preocupada. Porque não é apenas vencer uma eleição, interrompendo uma decadência econômica, fiscal e ética, mas a capacidade de administrar um terrível legado, ainda mais gigantesco e caótico que o deixado por Dilma. Se ganhar a eleição, não pode haver fracasso no exercício do mandato — ou a direita devolve para a esquerda e fica alijada por anos, carregando o estigma da frustração da esperança de seus eleitores. Se perder, o país continua descendo a ladeira, levando todos os brasileiros, e Lula fica ainda com o poder de indicar quatro ministros do Supremo. É um desafio gigantesco para essa direita, que não é aquela de torcida de futebol, em que bastam palavras-de-ordem de comício. Mas há estrategistas nos partidos? 

O pensamento povoa as instituições think tank; Gramsci povoa as escolas, mas as pesquisas mostram que as ideias liberais estão mais fortes nas gerações dos 16 aos 24 anos. Os laboratórios de ideias estão mostrando o óbvio: é o sucesso da economia liberal e da defesa dos princípios familiares que solidificam um país. Isso tem a participação de políticos, mas são uma minoria. Os das cúpulas partidárias são movidos não por doutrinas, mas por fisiologismo oportunista. Esse fisiologismo se baseia em pessoas, não em ideias, em princípios, em objetivos nacionais. A personalização em Bolsonaro foi útil, porque acordou o que dormia. Mas o que se vê é que sem ele, fica o vazio que deveria estar preenchido por objetivos nacionais claros de estratégia inteligente — e não improvisada, atabalhoada, com uma sucessão de erros pueris. Às vezes parece que estamos um nível abaixo de eleição estudantil.

A distância alienada do eleitor, origem do poder, ajuda a permitir isso. A pesquisa mostra que o mandante não sabe para que mandatário deu a procuração do voto. O que significa que o eleitor não conhece aquele a quem transferiu o seu poder. Isso é trágico. Enfim, é o país que se diverte com a tragédia de acompanhar, nas redes sociais, um repórter perguntando, nas ruas de São Paulo ou do Rio: “Onde fica o Estado de Santa Catarina?” — e não sabem. Como o conhecimento liberta, há muito político que prefere manter a ignorância geral, pois fica mais fácil enganar o eleitor. Aqui no Brasil, corrigir isso vai ser trabalho de décadas — se houver vontade de provocar a busca do conhecimento. Até o dístico da bandeira, como se ouviu na TV, virou “independência ou morte”. Neste momento, as pesquisas mostram que quem tem Bolsa Família vota pela reeleição, porque acredita que esse é um presente pessoal do Lula. Esses nem sabem que o que recebem vem do trabalho de outros, que entregaram boa parte do suor para o governo.

Pesquisas mostram que quem tem Bolsa Família vota pela reeleição, porque acredita que esse é um presente pessoal do Lula | Foto: Shutterstock

Boa parte dos políticos não fica longe dessa falta de luzes. Sem a menor noção do que seja um partido político, o candidato se iguala ao adversário pelo mesmo uso da mala. Mala, pacote, saco de dinheiro vivo, para pagar as contas e fazer compras. Quem duvida, que pergunte aos prestadores de serviço, aos corretores de imóveis, aos advogados. Nem todos os governistas e oposicionistas detestam bancos, Pix, recibos — mas é o que se vê, com tristeza e preocupação. E o dinheiro é dos nossos impostos, que vêm do nosso trabalho.

Agora já é reta final para escolher candidatos aos legislativos e executivos, para agirem em nome dos eleitores, com moralidade, impessoalidade, legalidade, transparência e eficiência. Esses são os princípios a que todos, no serviço público, precisam obedecer, segundo a Constituição, que deixou de ser o livro sagrado do estado de direito no Brasil. Esta eleição não vai resolver tudo, mas ganhamos um país potencialmente tão rico que bons governantes e bons representantes podem resolver muito em quatro anos. É o que desejamos nós, brasileiros, profissão esperança.

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8 comentários
  1. Mariza
    Mariza

    Tudo o que esse desgoverno não quer é o retorno da meritocracia, agora a moda é se colocar a venda para quem paga mais por préstimos. Essa é a grande razão de tanta digladiação para que fique tudo como está, a qualquer preço. Fazem o diabo, ou melhor, são os próprios demônios. O povo? Que se lasque! Apenas, Manes úteis…

  2. leendert oranje
    leendert oranje

    1 eliminar o voto obrigatório
    2 só tem direito a votar se tiver a situação de IRPF regular
    3 criar opção de voto digital com voto em blockchain (tipo PIX)

  3. Juracy Persiani
    Juracy Persiani

    A sensatez de Alexandre Garcia impressiona. Não é novidade, mas deve ser dito.

  4. ELIAS
    ELIAS

    O Sistema está estruturando os labirintos do binômio eleição/apuração de forma a neutralizar qualquer ameaça que possa surgir do TSE sob Marques e Mendonça e que eventualmente impeça a continuidade desse paraíso de roubalheira e corrupção.

  5. Lourival Nascimento
    Lourival Nascimento

    Apois, Brasil cansado de guerra… OS ADVOGADOS DARIO DURIGAN, MINISTRO DA FAZENDA, E ANDREI RODRIGUES, DIRETOR GERAL DA POLÍCIA FEDERAL PROTAGONIZARAM MOMENTOS HORRÍVEIS PARA AS INSTITUIÇÕES QUE COMANDAM E PARA O LULA, IMAGINANDO QUE OS BRASILEIROS SÃO DESMIOLADOS. PERDERAM, MANÉS!
    Vamos à patética manifestação do MINISTRO DA FAZENDA. “Durigan critica sanções dos EUA a brasileiros por suposto elo com PCC. Quem deve cuidar da segurança pública no Brasil são os brasileiros”, afirmou o ministro da Fazenda ao criticar sanções impostas pelos EUA. E se eles, a pretexto de quererem combater o Comando Vermelho e o PCC, atingirem uma empresa legal? Esse é o problema. O cidadão não sabe como recorrer.” DURIGAN, sequer sou um rábula, muito menos o Advogado como vosmecê, mas em botecos de ruas empoeiradas do SCIA / Estrutural, no DF, há prosas muito mais críveis e verdadeiras que a sua. O ESTADOS UNIDOS, ao sancionar o PCC e CV como ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS, estão cuidando da própria nação, enquanto no Desgoverno LULA 3, as facções dominam, só no Estado do Rio de Janeiro mais de 2 MIL comunidades, onde nem o ESTADO brasileiro entra sem que os chefões das FACÇÕES autorizem. DURIGAM, dos 10 MUNICÍPIOS mais violentos do BRASIL, 6 são da BAHIA, que só por “coincidência”, é administrado há quase 20 doloridos anos pelo PT. Ficou feia sua desastrosa fala, DURIGAM, e destarte o ativismo, ficou claro que vocês foram no mínimo indulgentes com a criminalidade. “Também foi determinado o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 BILHÕES DE REAIS. Mais de 50 policiais federais participam da operação EXCHANGE o ativismo, vosmecê há de convir que uma “EMPRESA LEGAL” não lava conscientemente dinheirama para criminosos. Ou, pelo menos, não deveria, se quiser continuar na legalidade.” Como justificar, DURIGAN, que você, MINISTRO DA FAZENDA, O COAF, BANCO CENTRAL, RECEITA FEDERAL, CASA DA MOEDA E A POLÍCIA FEDERAL EM TODOS OS SEUS DEPARTAMENTOS E ESPECIALIDADES, não detectaram 10,4 BILHÕES DE REAIS em transações financeiras? Todos vocês, DURIGAN, fizeram caras de paisagem, foram lenientes, foram descuidados, não conhecem as obrigações de controle do ESTADO BRASILEIRO? Pedro Malasartes faria melhor que você, DURIGAN, para explicar essa coisa obscura. Se o brasileiro comum fizer uma operação de 10 MIL REAIS em espécie, logo seria descoberto e caçado pelo ESTADO BRASILEIRO, mas você, DURIGAN, e seus comandados não detectar transações que somam 10,4 BILHÕES DE REAIS, nem Dona Carochinha acreditaria nisso. Mas piora, DURIGAN. “Empresa sancionada pelos EUA recebeu R$ 514 milhões de firma investigada pela CPMI do INSS” A fonte dos 514 MILHÕES é o roubo a aposentados, pensionistas e BPCs do INSS, onde o “famoso e generoso” CARECA do INSS, que entregou bônus de 25 MILHÕES de REAIS e mesada de 300 MIL REAIS por acesso ao sistema, para o LULINHA, o “Ronaldinho dos negócios” conforme disse o orgulhoso pai sobre o filho criativo. Há que se perguntar a você, DURIGAN, como o ESTADO brasileiro e todo seu sistema de controle não identificou MILHÕES DE REAIS para a namorada do Diretor da PF, ANDREI RODRIGUES, mas a imprensa que não se vendeu ao LULA noticiou. “Escritório da namorada de Andrei Rodrigues defende sócio de Vorcaro. RENATA VARANDAS, recebeu valores MILIONÁRIOS da AMBIPAR, empresa ligada a Vorcaro. A AMBIPAR firmou um protocolo de intenções com o Ministério dos Povos Indígenas para prestar serviços de assessoria técnica em 1 milhão de quilômetros quadrados (cerca de 14% do território nacional), atuando no combate a incêndios, logística e manejo de resíduos. A mesma AMBIPAR protocolou seu pedido de RECUPERAÇÃO JUDICIAL (RJ) na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, mas sua logo está nos carros da Fórmula 1 da FERRARI. Voltemos à RENATA VARANDAS, namorada do ANDREI RODRIGUES. Em JULHO de 2024, ainda na TV Record, VARANDAS entrevistou o presidente Lula no Palácio do Planalto. A conversa estava gravada, seria exibida à noite. Antes disso, ela avisou sócias da Capital Advice — empresa de análise política da qual é sócia-administradora — sobre o que o presidente havia dito. A Capital Advice repassou os trechos à corretora BGC Liquidez, que os distribuiu a investidores via WhatsApp. As informações chegaram ao mercado financeiro uma hora antes de qualquer divulgação oficial. O dólar disparou. A Polícia Federal comandada por ANDREI RODRIGUES operou diretamente nos territórios Yanomami — os mesmos territórios onde a AMBIPAR executou contratos de R$ 480,9 MILHÕES com o governo federal, três deles sem licitação. “Namorada de ANDREI RODRIGUES recebeu valores milionários de empresa no esquema de Vorcaro no Banco Master. Fontes da POLÍCIA FEDERAL, ligadas inclusive ao atual governo, disseram que ANDREI RODRIGUES está fazendo com sua namorada “o mesmo que MORAES fez com VIVIANE BARCI”, referindo-se ao contrato de R$ 129 MILHÕES da esposa do Ministro ALEXANDRE DE MORAES.

  6. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    É, caro Alexandre Garcia, notei um certo desânimo consciente em seu artigo. Compartilho desse sentimento. O improviso dessa direita que deveria ter plena consciência do desafio desse momento em que vive o país, resolve se meter em intrigas familiares chutando para escanteio as esperanças de brasileiros conscientes. Também fico desanimado. Estou ciente que, se não acertarmos dessa vez, o Brasil não terá outra oportunidade de se tornar um país digno para se viver. Quando colocamos todas as esperanças na mão de Deus e não fazermos a nossa parte, talvez não estejamos merecendo nada melhor do que temos atualmente.

  7. COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA
    COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA

    PESSOAL DA DIREITA SEJAM UNIDOS COMO A ESQUERDA !!!
    ABANDONEM OS DESEJOS PERSSOAIS E LEMBREM-SE DE NOS………DE NOS………….DE NOS………..DE NOS. !!!
    NÃO TEM MAIS COMO ACEITAR O BEBAÇO EX-CONDENADO NA PRESIDENCIA PRECISAMOS
    VOLTAR A CONSTITUCIONALIDADE DA POLITICA.
    VAMOS RENOVAR O SENADO NÃO PODEMOS T ER MAIS SENADORES DE ” RABO PRESO E MEDOROSOS ” PRECISAMOS NOVAMENTE DE UM SENADO ALTIVO QUE PROVOQUE AO IMPEACHMENT DE MEMBROS DO STF, QUE ESQUECERAM A CONSTITUIÇÃO A QUAL DEVERIAM PROTEGER.

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