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Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA
Edição 329

Quem vai parar a besta fiscal

Com um aumento de gastos que ofende a moralidade pública, Lula 3 comete o pecado monstruoso de repetir erro de Dilma. De novo, o país será vítima da irresponsabilidade

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O artigo critica a gestão fiscal do governo Lula, apontando que a atual administração tem se mostrado irresponsável ao gastar mais do que arrecada, levando o Brasil a um aumento significativo da dívida pública, que já atinge 81,1% do PIB. O texto compara a situação atual com a recessão de 2015 e 2016, destacando que o crescimento da economia é impulsionado por fatores externos, como o agronegócio, enquanto o governo aumenta impostos e gastos com propaganda.

No sentido religioso ou literário, “besta” é algo que representa ou evoca o irracional, o lado monstruoso ou pecaminoso do homem. É o mal que se opõe ao divino. Seria fácil dizer que o bestial não vai para o céu. Mas se fizer as contas, talvez não seja admitido sequer no inferno. Como existem desde que o mundo é mundo, é razoável supor que ambos, o céu — por óbvio — e o inferno, tenham um mínimo de responsabilidade fiscal. Senão, um deles já teria fechado. Voltando para o mundo real, feito de livre-arbítrio, governos que decidem gastar sem lastro, muito acima do que arrecadam, fazem-no por escolha. E essa escolha pode ser impositiva, sem alternativas, como foi na pandemia, quando nações do mundo inteiro gastaram acima do orçamento para assistir a pessoas e evitar uma quebradeira de negócios.

Mas o caso brasileiro de agora, sob Lula, cujo governo herdou uma herança bendita de duas gestões — Temer e Bolsonaro — que se dedicaram à austeridade com crescimento econômico sustentável, trata-se tão somente da mais deslavada irresponsabilidade com o país e com o suado dinheiro do pagador de impostos, do trabalhador. Tal como Dilma, da crença estúpida de que “gasto é vida”, é uma escolha que está nos levando novamente para o buraco do endividamento. É o que os economistas chamam de insolvência fiscal e que a dona de casa chamaria de falta de dinheiro para pagar as contas. Só que famílias são jogadas no olho da rua e veem uma vida inteira de planos perdida em dívidas.

Governos populistas como o de Lula se financiam no mercado pagando juros altíssimos e vendem a narrativa de que estão governando para os mais pobres. É assustadora a desfaçatez. Depois do descalabro fiscal de Dilma, o país foi empurrado para a maior recessão econômica de sua história, em 2015 e 2016. Os mais pobres e a classe média foram os mais prejudicados. O país perdeu tempo, gerações inteiras, oportunidades. Sabendo-se que o erro está sendo cometido de novo, quem vai parar a besta atual que gasta mais do que arrecada como método político para se manter no poder? Porque para todo o mundo há limites. Para o Brasil, cuja dívida é de curto prazo e a taxa de juros é alta, muito mais.

Símbolo de porcentagem com seta de alta e moedas representando juros, inflação e indicadores econômicos em 2026.
Ilustração: Reprodução/Canva

Um resumo do terceiro mandato de Lula poderia ser feito com alguns números que expõem o absurdo ainda não enfrentado pelos demais Poderes ou pela sociedade, ainda em silêncio, com medo de reagir à altura ou carente daquela parte que disse acreditar que Lula 3 seria o Lula 1, de alguma responsabilidade com as contas públicas, da austeridade copiada do governo Fernando Henrique Cardoso. O PT, sabem bem os que não se negam a acreditar nos próprios olhos, nem é austero nem jamais foi adepto dos valores democráticos, algo básico para a estabilidade econômica. Voltemos aos números:

Dívida bruta em 81,1% do PIB. O dado é de maio de 2026 e chega a R$ 10,6 trilhões. É o maior nível de endividamento desde 2021, quando os gastos com a pandemia elevaram a dívida a 81,4%. Sem pandemia, Lula está a 0,3 ponto percentual de atingir o patamar pandêmico da dívida e ele próprio parece ser o vírus que consome sem limites o dinheiro do contribuinte. Se não houver ajuste — o que não se espera de um governo impopular e desesperado para se reeleger — a dívida deve fechar o ano em 83% do Produto Interno Bruto. Ajuste que o governo Bolsonaro soube fazer tão logo a crise sanitária foi controlada. Em dezembro de 2022, política fiscal austera, competência, compromisso público e gente capaz na administração pública entregaram esse mesmo indicador em 71,7%, com o país crescendo 2,9% e sendo um dos maiores destinos do investimento internacional. Ou seja, a relação Dívida/PIB não é um percentual de economês distante da realidade. Se a dívida cai em relação à geração de riqueza do país, maiores as chances de pagá-la.

Contas governamentais em dia permitem ao governo pagar menos juros nos títulos de dívida que vende no mercado. Ou recorrer menos ao mercado de crédito para se financiar porque está gastando menos do que arrecada. Isso faz sobrar dinheiro no mercado e os juros caem para as empresas que precisam de dinheiro para investir e aumentar a produção, consequentemente, a geração de riqueza. Era o que estava acontecendo em 2022 e poderia ter avançado se Lula não tivesse dado um cavalo-de-pau na responsabilidade fiscal ao aprovar a emenda fura-teto e sair gastando como se não houvesse Brasil amanhã, gerando três anos consecutivos (já a caminho do quarto) de rombo nas contas do país. O déficit primário de R$ 55,2 bilhões, apenas do governo federal, em maio deste ano, é prova cabal disso. Veio pior que a expectativa, que já era ruim. A deterioração das contas públicas é evidente, crescente e um recado que precisa ser levado a sério. Quanto mais dívida agora, mais os jovens terão de pagá-la lá na frente. O legado de Lula será de dívidas para as gerações futuras.

Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

De janeiro de 2023 até agora, meados de 2026, no terceiro mandato de Lula, o PIB cresceu 11%. A dívida, quase o dobro: 21%. Os números são de um estudo dos economistas Mansueto Almeida e Samuel Pessoa. E se a explosão da dívida já não fosse trágica, a constatação de como se deu é pior. O crescimento da economia com alta da arrecadação foi impulsionado pelo agronegócio e pelas reformas dos governos anteriores. Quase três anos e meio depois da posse, os efeitos disso começam a se perder e o assunto do momento é o aumento das recuperações judiciais de empresas que batem recordes no agro e na economia em geral. Não só. Famílias também estão mais endividadas. Nada resiste ao descaso ou ao preconceito. Lula chama o agro de “fascista” e o PT fala mal da iniciativa privada, do capital, do capitalismo e de tudo o que dá certo. Mas veja a ironia. São as principais fontes de renda do governo! Quem, senão a iniciativa privada que gera empregos, ou seja, empresas e trabalhadores privados, recolhe impostos para financiar toda a máquina pública?

As estatais, antes saneadas por lei ainda na gestão Temer ou pela gestão técnica no governo Bolsonaro, voltaram a ser um sumidouro do dinheiro público com Lula. Os Correios, que já registraram o maior rombo de sua história, são o símbolo da virulência com que o governo petista destrói bens públicos. Só no ano passado, em 2025, chegou a R$ 8,5 bilhões de prejuízo. A previsão para este ano é de piora. As estimativas oscilam entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões. O aparelhamento político, marca dos governos do lulopetismo, é bestial. E um retrocesso sem fim.

Quando a realidade é ruim, mais populismo e propaganda. Só no primeiro semestre deste ano, dadas as vedações de propaganda institucional de governos a partir de julho por causa das eleições, o governo reservou R$ 520 milhões à Secretaria de Comunicação (Secom), que usa esse dinheiro para divulgar o governo em veículos de comunicação (Oeste não aceita dinheiro público). O valor representa mais que o dobro dos R$ 213,5 milhões que Bolsonaro gastou no mesmo período de 2022. Em 2025, já tinha sido gasto R$ 1,6 bilhão, recursos públicos que irrigaram a mídia em campanhas de publicidade governamental. Em tempos normais, haveria grita generalizada por uso pré-eleitoral e questionamentos na Justiça pelo uso do dinheiro para promoção do governo de plantão. Mas parte da mídia é beneficiada, e o Supremo, onde esse questionamento poderia ser feito, é praticamente um aliado do governo Lula.

E tudo isso acontece com a arrecadação federal de impostos crescendo. A alta em maio foi de 10,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado e atingiu R$ 266,8 bilhões, um recorde histórico para o mês. Deveria ser um alívio se o governo não tivesse gastado ainda mais. Desde o início do ano, de janeiro a maio, a receita líquida subiu 4,8%, as despesas totais, 13%. Não tem conta que feche. Imagina a dona de casa com um orçamento doméstico cuja renda aumentou quase 5%? Seria lindo se as despesas da casa, em contrapartida, não tivessem aumentado quase 11%. Nenhuma dona de casa faria isso deliberadamente como faz o governo.

Um ponto adicional sobre o aumento da arrecadação que deve ser sempre lembrado: a carga tributária neste terceiro mandato de Lula atingiu o recorde de 32,3% e infla essa arrecadação. Entre novas taxas, reajuste de alíquotas já existentes e outras medidas, os impostos foram aumentados 27 vezes até outubro do ano passado. Quem resiste a tudo isso? Não resiste, simples assim. Basta ver o crescente número de recuperações judiciais de empresas e o endividamento do agro, a galinha dos ovos de ouro da economia brasileira, desesperado por alguma ajuda para renegociar suas dívidas, agravadas pelo combo Lula: juros altos, crédito escasso, insegurança jurídica e diplomacia errática.

Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

Circula nas redes sociais um post que simula o diálogo entre uma criança e Lula. A conversa é fictícia e feita com inteligência artificial, mas expõe a realidade de um Brasil que quer investir e crescer e a resposta de um Estado que joga contra o cidadão, taxa pesadamente quem trabalha e produz e é representado pelo presidente petista. Transcrevo aqui a postagem com as adaptações necessárias para melhor compreensão:

Criança brasileira: Eu ganho 100 mil por ano.

Lula: Então, eu vou cobrar imposto de renda.

Criança: Vou abrir uma empresa.

Lula: Imposto sobre empresa.

Criança: Então eu recebo dividendos.

Lula: Também quero uma parte.

Criança: Vou guardar meu dinheiro.

Lula: Imposto sobre patrimônio.

Criança: Então, vou investir. 

Lula: Ganho de capital.

Criança: Vou doar meu dinheiro.

Lula: Imposto sobre doação.

Criança: Então, eu morro.

Lula: Imposto sobre herança.

A pergunta final e a conclusão da conversa são definitivas sobre os tempos em que estamos vivendo:

Criança: Tudo que eu faço, você pega uma parte?

Lula: Exatamente.

Criança: Então, vou parar de trabalhar.

Lula: Sem problema. Aqui está seu Bolsa Família.

A realidade brasileira é exposta nas redes sociais, onde justamente o PT e seu parceiro supremo de consórcio ainda não conseguem controlar o debate. Uma rápida comparação mostra a deterioração da vida no país e o pesadelo para quem quer viver sem depender do Estado. O Bolsa Família, cuja necessidade social momentânea ninguém questiona, começou em 2004 com 3,6 milhões de famílias. Hoje, tem mais de 19 milhões e mais de 50 milhões de brasileiros dependentes do auxílio. É claramente um programa sem porta de saída, que mostra que o país está aumentando exponencialmente a dependência dos mais pobres de auxílios governamentais. Isso não é economia saudável, tampouco sustentável. É empobrecimento da população, cabresto eleitoral e assistencialismo como política de dependência em troca de voto.

Nas últimas eleições, foram justamente os Estados que têm mais dependentes do Bolsa Família onde Lula ganhou com ampla maioria. Nos Estados onde o desenvolvimento é maior e dependem menos de ajuda governamental, onde a vida é livre e as pessoas conseguem se desenvolver muito mais pelo trabalho próprio, Lula perdeu. Entende a implicância dele com Santa Catarina, símbolo de sucesso, onde o PT nunca governou? E o governo aposta em inviabilizar quem se nega a depender dele. Neste terceiro mandato, o Brasil foi rebaixado sete posições no ranking mundial da competitividade. Agora, ocupa a 65ª colocação entre 70 países no levantamento feito pela Fundação Dom Cabral em parceria com entidades internacionais. É a pior colocação da nossa história, ficando à frente apenas de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.

O diálogo das redes sociais entre a criança e Lula é uma montagem feita com uso de inteligência artificial, que não restem dúvidas. Mas faz uma análise perspicaz da ausência de inteligência das políticas públicas do país do atual governo, que, apesar da tragédia fiscal e irresponsabilidade, só pensa em se reeleger.

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