Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você
Escolher uma profissão aos 17 anos é desafiador, pois deve-se considerar a capacidade de gerar renda e a estabilidade financeira a longo prazo, deixando paixões de lado. Algumas profissões, como gastronomia e teatro, apresentam altas taxas de desemprego, enquanto áreas como medicina e engenharia oferecem mais segurança e oportunidades. A influência da inteligência artificial também é uma preocupação, com a expectativa de que profissões manuais e de alta especialização persistam.
Quando se trata de escolher uma profissão, é preciso ser sincero: não é fácil para um jovem, aos 17 anos, escolher corretamente a atividade que ele vai exercer pelo resto da vida. Mas é isso mesmo que o mundo espera. Então, precisamos ser honestos com eles — mesmo que isso signifique ir na contramão dos conselhos fofos dos manuais de autoajuda.
Quando se escolhe uma profissão, paixões devem ser deixadas de lado. Uma das principais considerações deve ser a capacidade da profissão de gerar renda suficiente para garantir um bom padrão de vida e independência financeira a longo prazo. A obrigação principal dos adultos é sustentar a si mesmos e a sua família. Essa obrigação não pode ser transferida a ninguém.
Algumas profissões têm taxas de desemprego que ultrapassam 90%. A maioria daqueles que escolhem profissões assim acaba, no final, fazendo outras coisas para sobreviver. Gastronomia e teatro são dois exemplos de profissões de alto risco, nas quais a maioria não ganha o suficiente para se sustentar. Mas alguns atores e chefes de cozinha ficam famosos e ricos, e isso chama a atenção. Enquanto isso, a maioria dos dentistas ganha o suficiente para sobreviver e prosperar — embora a chance de um dentista ficar rico e famoso seja praticamente zero.
Portanto, a estratégia mais razoável parece ser desenvolver interesse por alguma das profissões com maior probabilidade de levar à prosperidade. O próprio conceito de vocação é complexo. Um amigo, profissional bem-sucedido, sugeriu que vocação é a combinação de três fatores: ardor (o interesse que a pessoa tem pela atividade), herança (o fato de os pais exercerem determinada profissão, terem um negócio ou transmitirem habilidades aos filhos) e circunstância (todos os outros fatores aleatórios da vida).
A formação tem influência na ocupação que a pessoa exercerá, mas quase nunca é o único fator. Algumas profissões exigem formação especializada, como médico, dentista ou piloto. Outras dispensam isso; por exemplo, para administrar uma empresa não é necessário ser formado em administração e para ser músico não é necessário ser formado em música. Quem faz medicina estará apto a trabalhar como médico, mas a profissão de médico comporta várias ocupações diferentes: o médico pode ser cirurgião ou anestesista, pode atender em um consultório ou pode trabalhar administrando um hospital.
Quanto maiores as alternativas oferecidas por uma profissão, melhor. A vida é cheia de oportunidades e imprevistos. O jovem decide se vai estudar medicina, engenharia ou direito — mas é impossível decidir, aos 17 anos, exatamente onde e como ele vai trabalhar, porque isso depende de inúmeros fatores fora de seu controle.

Muitos dizem que a profissão ideal está na intersecção entre o que a pessoa gosta de fazer (vocação), o que ela consegue fazer bem (habilidade) e aquilo que o mundo precisa (demanda). Essa definição esconde dificuldades. Um jovem raramente sabe o que gosta de fazer (ele não conhece a rotina da maioria das profissões) ou mesmo conhece suas próprias habilidades. Também não é fácil saber que profissões serão valorizadas pela sociedade no futuro — embora seja possível especular.
Em vez de simplesmente especular, resolvi perguntar que profissões as pessoas recomendariam aos filhos, com base na sua experiência de vida. Pedi que elas considerassem três fatores: renda, empregabilidade e satisfação. Fiz essa consulta de duas formas. Primeiro, usei as redes sociais. Depois, perguntei a um grupo de amigos bem-sucedidos que inclui profissionais liberais, consultores, diretores e sócios de grupos empresariais, ex-ministros de Estado e professores.
A preocupação com o impacto da inteligência artificial (IA) marcou quase todas as respostas. A maioria acredita que muitas profissões serão automatizadas e deixarão de existir. Parece consenso que restarão apenas profissões envolvendo habilidades manuais (como soldador, eletricista e carpinteiro) ou profissões que exijam conhecimentos extremamente avançados (como a própria programação de modelos de IA ou que explorem as fronteiras da ciência).
As profissões tradicionais continuam entre as preferidas, e por razões relevantes. Engenharia ajuda a pensar de forma lógica e estruturada, a resolver problemas novos com método e a desenvolver resiliência. Ela abre caminho para trabalhar em praticamente qualquer área executiva e no empreendedorismo ao longo da vida. Economia e Administração são indicadas para quem tem um viés voltado ao mercado executivo ou financeiro, mas não quer enfrentar matemática pesada e deseja se formar mais rápido. Medicina exige vocação, dedicação e desejo real de se tornar um bom médico, mas a demanda parece garantida, mesmo com IA — embora as especialidades provavelmente mudem.
Seguem abaixo as profissões mais recomendadas por cada grupo.
Profissões mais recomendadas nas respostas das redes sociais:
- Profissões técnicas e ofícios manuais (pedreiro, marceneiro, eletricista, mecânico, soldador)
- Engenharia
- Medicina
- Direito
- TI / Programação / Engenharia de Software
- Odontologia
- Agronomia / Ciências do Agro
- Carreira Militar
- Administração
- Veterinária / Enfermagem
Profissões mais recomendadas nas respostas do grupo de profissionais:
- Medicina
- Engenharia (eletrônica, de produção, civil, química, metalúrgica, aeroespacial)
- Ciência da Computação
- Economia
- Administração
- Agronomia
- Geologia
- Relações Internacionais
- Cibersegurança e Proteção Digital
- Logística e Comércio Internacional
- Veterinária
A escolha profissional deve começar por uma pergunta menos romântica e mais adulta: essa profissão me dá alternativas reais de sustento, crescimento e adaptação? Aos 17 anos, ninguém precisa saber exatamente o que fará aos 40. Mas faça um favor àquela pessoa de 40 que você será um dia: evite entrar em uma estrada estreita, instável e sem saídas.

Leia também “Existe imposto justo?”
Ótima reportagem, competente Roberto Motta.
Sempre desejei ver você participando do programa Oeste sem Filtro. Quem sabe agora que o Carlo Cauti está de saída para se candidatar a cargo público, você possa integrar o quadro de comentaristas?
Vou ficar na torcida.
Perfeito. Ao longo da minha vida, eu sempre disse o que você mencionou na coluna e muitas vezes fui considerado um bitolado que estava matando os sonhos de um jovem talento.